A Santa Palestina


Santa Maria de Jesus Crucificado O.C.D.,
recebe avisos concordantes com La Salette


Beata Maria de Jesus Crucificado O.C.D., Mariam Baouardy no século (1846-1878). Na foto: noviça no Carmelo de Pau, França.
Santa Maria de Jesus Crucificado O.C.D.,
Mariam Baouardy no século (1846-1878).
Na foto: noviça no Carmelo de Pau, França.



O Segredo de Nossa Senhora de La Salette desvenda um panorama histórico-profético cada vez mais atual na crise que vivem a Igreja e o mundo.

É compreensível que a grandeza dos cenários e das comoções para onde se precipita a humanidade pecadora tenham também sido anunciados por outras vias sobrenaturais.

Pois a concordância entre os diversos anúncios de almas que em muitos casos não se conheceram confirma a veracidade fundamental da mensagem.

Nesse sentido, estamos difundindo em nosso blog outros avisos celestes recebidos por santos, beatos e almas eleitas cujos escritos passaram pelo crivo da crítica da hierarquia eclesiástica.

Um dos mais importantes conjuntos de revelações recebidas por almas santas no mesmo sentido de La Salette, é o da Santa Maria de Jesus Crucificado OCD (1846-1878), carmelita de Pau e Belém.

Talvez ela não seja conhecida no Brasil como mereceria, mas a leitura de sua vida é suficiente para conquistar a simpatia e a adesão dos fiéis.

“A santa palestina”

Mariam Baouardy (ou Bawardi) nasceu em 5 de janeiro de 1846 na aldeia de Abellin (ou Ibillin), situada na estrada de Nazaré a São João de Acre. Sua família era católica, de rito greco-católico (melquita), e oriunda de Damasco e do Monte Líbano.

Em 15 de junho de 1867 ela se apresentou no Carmelo de Pau, perto de Lourdes, França, onde fez profissão no dia 2 de julho com o nome de religião de Sóror Maria de Jesus Crucificado.

Faleceu em 26 de agosto de 1878, com apenas 32 anos, no Carmelo de Belém, cuja fundação ela inspirara junto com o de Nazaré, na Terra Santa.

Ela foi beatificada a 13 de novembro de 1983 e canonizada a 17 de maio de 2015. Sua festa é celebrada no dia 25 de agosto.

Desde criança a pequena Mariam dera sinais de ser objeto de uma predileção sobrenatural extraordinária.

Padre Estrate, 'Mariam, sainte palestinienne - La vie de Marie de Jésus Crucifié'
Pe. Estrate, 'Mariam, sainte palestinienne
- La vie de Marie de Jésus Crucifié'
Nova edição
Nova edição
O seu melhor biógrafo é o Pe. Pierre Estrate (1840-1910), que foi seu diretor espiritual e geral da Sociedade do Sacratíssimo Coração de Jesus de Bétharram, ordem fundada na França por São Miguel Garricoits (1797-1863). Esta ordem considera a santa palestina como sua especial protetora.

O Pe. Estrate lhe dedicou o livro Mariam, santa palestina - A vida de Maria de Jesus Crucificado (Téqui éditeur, Paris, 1999, 399 págs.), cujos excertos nós aproveitamos para compor estes posts sobre a Santa.

O Pe. Estrate refere que certa feita, um ermitão desconhecido pediu hospedagem na casa dos pais. Antes de partir, a família trouxe seus filhos para receberem a bênção.

Vendo a pequena Maria, ele foi tomado por uma emoção inexplicável, ele pegou suas mãos e após um momento de silencio disse à família: “eu vos conjuro, tomai um cuidado todo especial com esta criança”. E sem dizer mais nada saiu (Pe. Estrate, op. cit., pág. 15)

O martírio, o milagre e a profecia de Nossa Senhora

Os pais da Santa morreram logo e ela ficou sob o encargo de tios que eram muçulmanos. Esses a convidavam insistentemente a apostatar.

Certa vez ela escreveu uma carta a um dos irmãos, e entregou-a a um turco que havia sido doméstico de um tio.

O turco incitou-a brutalmente a abandonar o cristianismo.

— “Jamais, protestou ela com energia sobre-humana; eu sou filha da Igreja Católica, Apostólica e Romana, e espero, com a graça de Deus, perseverar até a morte na minha religião, que é a única verdadeira”.

Ferido em seu fanatismo, o turco pegou sua cimitarra e desferiu-lhe um formidável golpe no pescoço. Envolveu depois o corpo da menina em um pano, e jogou-o num local afastado no meio da noite.

Isso aconteceu em 7 de setembro de 1858, quando ela tinha 13 anos.

A menina perdeu o conhecimento. E enquanto o turco completava o crime, sua alma teve um rapto:

“Parecia-me, contava ela, estar no Céu. Eu via a Santíssima Virgem, os anjos e os santos que me acolhiam com grande bondade ... não havia sol nem lâmpadas, mas tudo brilhava com luminosidade.

“Eu me regozijava com tudo quanto via, até que, de modo surpreendente, alguém veio e me disse: ‘tu és virgem, é verdade, mas teu livro ainda não está completado’. Apenas concluiu essas palavras a visão desapareceu.

“Eu acordei e encontrei-me, sem saber como nem por obra de quem, transportada a uma pequena gruta solitária. Eu estava deitada num pobre leito e percebia a meu lado uma religiosa que teve a caridade de costurar meu pescoço.

“Nunca a vi comer nem dormir. Ela estava sempre de pé junto à minha cabeceira. Ela me cuidava com o maior afeto e em silêncio. Estava vestida com um belo vestido da cor azul do céu, transparente como moiré; e seu véu tinha a mesma cor.

“Creio que fiquei lá por volta de um mês. Eu não comi nada nesse tempo, a religiosa se contentava em umedecer continuadamente meus lábios com uma esponja branca como a neve. Ela me fazia dormir quase o tempo todo.

“No último dia, essa religiosa me serviu uma sopa tão boa como eu nunca comi igual. Eu pedi mais, e então a religiosa, rompendo o silêncio, me disse:

Nossa Senhora do Carmo, Puerto de la Cruz, Tenerife, Espanha
Nossa Senhora do Carmo, Puerto de la Cruz, Tenerife, Espanha
— Mariam, fica sempre contente não obstante tudo o que puderes vir a sofrer, pois Deus, que é tão bom, te enviará o necessário. Jamais ouças o demônio, desconfia dele, pois ele é muito astuto. Nunca mais voltarás a ver tua família, irás à França, onde te tornarás religiosa. Tu serás filha de São José antes de ser filha de Santa Teresa. Tomarás o hábito do Carmelo numa casa, farás a profissão numa segunda e morrerás numa terceira. Sofrerás muito em tua vida, serás um sinal de contradição” (Pe. Estrate, op. cit., págs. 20 a 25).

Mais tarde, a Santa contou a suas irmãs de religião que a “religiosa” que tinha cuidado dela era a Santíssima Virgem, que lhe predisse tudo o que aconteceria em sua vida.

Quando faleceu, o médico constatou que a cicatriz na parte dianteira do pescoço media por volta de dez centímetros e tinha um centímetro de largura. O médico testemunhou que era impossível alguém sobreviver a tamanha ferida.

A “religiosa” conduziu Mariam a uma igreja de Alexandria para se confessar. Mas como disse à criança que ficaria de fora durante a confissão, esta lhe implorou que não a abandonasse.

A “religiosa” sorriu sem responder. E quando a inocente penitente saiu, Ela já não estava mais. Mariam começou então a chorar (Pe. Estrate, op. cit., págs. 20 a 25).

Mariam se ofereceu como doméstica e passou por várias casas, onde se destacou pela sua dedicação, virtude e por fenômenos sobrenaturais. Ela passava mais tempo nas casas onde era pior tratada e fugia daquelas onde se reconheciam suas virtudes.

Afinal ela recebeu um convite para ir a trabalhar em Marselha, França. Ele aceitou lembrada da profecia da “senhora” da gruta. Em Marselha, ela acabou entrando nas religiosas de São José da Aparição, como Nossa Senhora lhe dissera na gruta.

Mas Mariam, durante o período de prova, não foi aceita nesse Instituto, devido aos dons místicos de que dava impressionantes mostras e que não condiziam com a vida ativa da Congregação.

Foi assim que a mestra de noviças de São José a encaminhou ao Carmelo de Pau, numa outra extremidade da França, não distante de Lourdes. Cumpriu-se mais um anúncio da “religiosa” da gruta.

Os fenômenos místicos extraordinários da noviça do Carmelo multiplicaram-se em profusão. As religiosas anotavam quanto viam e ouviam.

Concordância com o pranto de Nossa Senhora em La Salette pelos maus sacerdotes
Em La Salette, Nossa Senhora apareceu chorando porque não conseguia segurar o braço de Seu Filho justamente irado pelos pecados do clero e do mundo.
Em La Salette, Nossa Senhora apareceu chorando
porque não conseguia segurar o braço de Seu Filho
justamente irado pelos pecados do clero e do mundo.
— “Maria vem. Ela está com Nosso Senhor e com São José”, diz uma das anotações reproduzidas pelo Pe. Estrate.

A noviça se dirigiu primeiramente ao último:

— “Pai José, eh! vós não me dizeis nada! Falai, falai, eu vos escuto”.

São José lhe falou da Igreja, do Santo Padre, dos pecadores. Após prestar atenção, ela lançou exclamações dolorosas. E voltando-se para Nossa Senhora com ar suplicante, disse:

— “Minha Mãe, rezai. O mundo está cego, ele não entende o mal que faz. Minha Mãe, segurai as mãos de vosso Divino Filho; impedi-o de lançar o raio’”.

Jesus não se deixava dobrar; Ele enumerava os crimes que excitam sua justa ira.

“Tudo isso é verdade, dizia a noviça com o rosto inundado de lágrimas, mas perdoai”. (Pe. Estrate, op. cit., pág. 62)




Sinais místicos extraordinários


Beata Maria de Jesus Crucificado, com hábito após a profissão
Santa  Maria de Jesus Crucificado, com hábito após a profissão
Na Quaresma de 1868, as carmelitas perceberam que a Santa tinha os estigmas e esforçava-se para ocultá-los.

Também fazia o que lhe era possível para não “dormir”, como ela se referia aos êxtases, até que foi proibida pelo seu diretor de consciência.

Nesse mesmo ano ela teve a transverberação do coração, como Santa Teresa de Jesus.

O fenômeno foi clinicamente constatado quando foi extraído seu coração post mortem em Belém.

A cicatriz atravessava de lado a lado o coração e foi verificada por grande número de eclesiásticos convocados como testemunhas. O coração hoje está em Pau.

Satanás obteve permissão para possuí-la durante quarenta dias, como a outro Jó. Nove legiões sucessivas de demônios abateram-se sobre ela e, finalmente, o próprio Satanás em pessoa.

No fim da possessão ela ficou como que “possuída” pelos anjos bons. Um anjo de luz falava por meio dela, dava conselhos, ensinava.

Perguntaram ao anjo quem ele era, ao que respondeu:

— “Eu sou o espírito de Maria; eu sou o anjo de Maria“ (p. 150). E também: “Eu sou daqueles que sobem e que descem”. Mais frequentemente dizia: “Eu sou Maria, filha do Bem-amado”. (Pe. Estrate, op.cit. p. 143)

Em 1870, a Madre Superiora de Pau aceitou a fundação de um Carmelo em Mangalore, Índia. Porém, faltavam os recursos econômicos.

Por outro lado, acontecera de um rico católico belga, o senhor de Nédonchel, residente em Roma, perder sua filha Matilde em circunstâncias edificantes.

“Esta senhorita – escreve o Pe. Estrate – havia pedido a Deus que lhe tirasse a vida em lugar de levar o Beato Papa Pio IX, cuja saúde deixava a desejar.

“O Senhor ouviu o oferecimento e ela foi levada rapidamente por um mal misterioso em Roma com apenas 24 anos, sem nunca antes ter conhecido doença alguma. (...) Ora, Matilde apareceu várias vezes à Santa e lhe disse que se dirigisse a seu pai para a fundação de Mangalore.” (Pe. Estrate, op.cit. p. 204)

Sangue dos estigmas da Beata
Sangue dos estigmas da Santa
”Para ter certeza da verdade dessa visão, a Madre Elias, superiora de Pau, mostrou à noviça diversas fotografias, entre as quais havia misturada uma de Matilde de Nédonchel; e depois lhe pediu que apontasse qual era a pessoa que tinha aparecido a ela. A noviça Maria apontou Matilde sem hesitar um instante sequer.” (Pe. Estrate, op.cit., p. 204, nota)

Na viagem rumo à fundação na Índia, a Madre Elias faleceu. Mas aparecendo à Santa em 22 de julho de 1871, ela lhe anunciou sua profissão em 21 de novembro, como de fato aconteceu, cumprindo-se mais uma vez a profecia da “religiosa” (Pe. Estrate, op.cit. p. 229).

A Santa teve de voltar para Pau. Em novembro de 1872, recém retornada da Índia, ela declarou à Madre priora que Jesus queria sua ida para Belém a fim de ali morrer.

E que queria também absolutamente um Carmelo na cidade onde Ele nasceu. Como prova, ela enfiou na terra um galho seco de gerânio, que brotou e floresceu assombrosamente.

Em 3 de setembro de 1875 o barco que levava as carmelitas fundadoras rumo a Terra Santa fez escala em Alexandria. Ela então mostrou às religiosas o local onde foi jogada ‘morta’ e a gruta onde foi curada, ainda identificável apesar das construções posteriores.

A Santa Maria de Jesus Crucificado ficou indignada com a presença maometana e cismática nos locais da Paixão em Jerusalém, especialmente no local da Flagelação:

“As religiosas consagraram três dias para visitar os principais santuários de Jerusalém. As piedosas peregrinas ficaram desconsoladas vendo a maioria desses lugares tão sagrados nas mãos de turcos e cismáticos, escreve o Pe. Estrate.

“Visitando o Cenáculo, onde os muçulmanos fizeram uma mesquita, o rosto de Sóror Maria, que resplandecia de alegria celeste, ficou pálido e abatido; seus olhos tinham uma expressão de dor infindável:

— “Eu digo a Jesus, contou ela mais tarde : Como, Senhor podeis permitir coisas semelhantes, posto que Vós sois Deus? Ah! Isto é forte demais! Se eu fosse Jesus, jamais suportaria uma tal profanação!

“Mas logo pedi perdão a Jesus, acrescentando: Senhor, tende piedade de mi, escusai minha ousadia, é meu amor por Vós que me fez soltar esse brado. Se eu fosse Jesus, faria como Vós, eu teria paciência, porque teria em meu coração vossa bondade infinita.

“Oh! Senhor, em quantas almas ainda mais abomináveis que esse Cenáculo Vós sois obrigado a descer! Eu compreendo a profanação desse lugar santo pensando em todas as Comunhões indignas e sacrílegas em vossa Santa Igreja!" (Pe. Estrate, op.cit. p. 282)

A Santa dirigiu os operários, pois era a única que falava árabe, tendo ficado admirada em toda a região.
“Havia tanta majestade em toda a sua pessoa, tanto fogo em seu olhar e tanta autoridade em seu falar, que era impossível não se submeter. (...) Suas palavras ficavam gravadas na alma: ao mesmo tempo elas eram uma espada, uma luz e um bálsamo”, observou o Pe. Estrate (Pe. Estrate, op.cit. p. 317)
A Santa inspirou também a fundação do Carmelo de Nazaré, que Nosso Senhor lhe pediu que fosse como um quartel.

Na gruta, Nossa Senhora lhe anunciou que morreria em Belém e que não viveria mais de três anos na Terra Santa. Mas sua saúde era excelente. Quando pouco faltava para o prazo, um acidente caseiro e complicações inesperadas acabaram tirando-a da Terra.

Por ocasião de seu falecimento, fenômenos sobrenaturais aconteceram em Belém e em Pau, especialmente perfumes celestes, e desde então numerosos milagres lhe são atribuídos.




O dom de profecia


O profeta Elias, fundador do Carmo, parte num carro de fogo para um local misterioso mas deixa seu manto a São Eliseu.
O profeta Elias, fundador do Carmo, parte num carro de fogo
para um local misterioso mas deixa seu manto a São Eliseu.
Relacionamento especial com Santo Elias

A bem-aventurada carmelita tinha uma relação mística especial com Santo Elias, fundador do Carmo, que lhe aparecia e lhe dava conselhos.

Durante a possessão mencionada no post anterior, ela não podia comer nada, mas “em diversas ocasiões, várias freiras viram frutos misteriosos na boca da noviça. Duas ou três delas tiveram o privilegio de comer delas” (Pe. Estrate, op. cit. p.180-181).

Nas anotações do Carmelo ficou registrada esta observação:

“Esses frutos tinham a aparência de uma grande amêndoa, seu odor era de incenso e tinham o gosto de plantas aromáticas. Interrogada sobre a proveniência desses frutos, a noviça respondeu: ‘Eles vêm do local onde estavam Adão e Eva: é o fruto de que se alimenta Elias’ (Notas do Carmelo)” (Pe. Estrate, op. cit., p. 181, nota 1).

O dom de profecia

A bem-aventurada carmelita recebeu o dom de profecia. Seu biógrafo, Pe. Estrate, conta como exemplo:

“Para dar uma ideia - escreve ele – de como Deus iluminava Sóror Maria de Jesus Crucificada sobre os acontecimentos que se passavam a grandes distâncias, citemos alguns entre os milhares consignados nas notas.

— Agora, dizia ela em 28 de janeiro de 1877, eu entendo por que eu estava tão angustiada ontem. Pelo entardecer, antes de meia-noite, eu vi que se preparava num local remoto um massacre de cristãos.

“Eu fiquei tomada de terror. Os cristãos tinham sido avisados, mas não podiam fugir. Quando eu vi os preparativos, já amanhecia naquele local.

Relíquia da Beata Maria venerada na capela do Carmelo de Belém, na Terra Santa.
Relíquia da Santa Maria de Jesus Crucificado
venerada na capela do Carmelo de Belém, na Terra Santa.
“Em seguida, nessa manhã, por volta das duas horas, eu vi que os ruins entraram nas casas dos cristãos para massacrá-los. De um lado de uma casa havia um muro que não acabara de cair.

“Eu subi no topo dele e eu vi o massacre na casa. Eram gritos desgarradores, pediam auxílio e ninguém podia vir. Lutava-se, era espantoso”.

O sacerdote biógrafo acrescenta sobre a narração do martírio do venerável M. Baptifault, sacerdote missionário em Yun-nan, na China, publicada no jornal de Paris “l'Univers” em 21 de janeiro de 1875,

“nós já o tínhamos escrito, ditado pela pessoa que o senhor sabe, no dia 17 de setembro de 1874, às 8 horas da manhã, apenas algumas horas após a realização desse drama sangrento, tão longe de nós, em Yun-nan, na China, e sem que nada de humano possa explicar a exatidão do fato e dos detalhes os mais minuciosos aqui ditados a tão grande distância por nossa piedosa vidente” (op. cit., p. 298-299).




Visões sobre a França



A santa palestina recebeu numerosas comunicações a respeito da Franca. Em La Salette, também Nossa Senhora focaliza especialmente o futuro da “filha primogênita da Igreja”

Quando a Santa Maria de Jesus Crucificado e suas irmãs de religião viajavam para a fundação na Índia, as carmelitas fizeram etapa em Marselha, quando aproveitaram para ir rezar no santuário de Notre-Dame-de-la-Garde.

Ali a Santa teve uma visão cuja linha central concorda com o porvir da França segundo La Salette, em função da cólera punitiva de Nosso Senhor e da intercessão misericordiosa de Nossa Senhora segurando o braço justiceiro de seu Divino Filho. E, por fim o triunfo desse país tão amado por Deus:

“Eu rezei muito pela França. Durante minha oração, eu vi um homem diante de mim: esse homem tinha em sua mão uma nuvem muito negra e muito densa.

“Eu vi uma Virgem que rezava muito para que essa nuvem caísse num outro local que não fosse a França. O homem tinha na outra mão uma nuvem branca, mas ele queria jogar a nuvem negra antes da branca, e ele disse:

Poliptico do Apocalipse, detalhe. Jacobello Alberegno (... – 1397)
Poliptico do Apocalipse, detalhe. Jacobello Alberegno (... – 1397)
‘Após ter passado por terríveis provações, a França triunfará e será a rainha dos Reinos’” (Pe. Estrate, op. cit., p. 206)

Na primeira semana da Quaresma de 1876, a santa carmelita teve uma visão análoga que, além de concordar com La Salette, insiste no pedido de penitência feito pela Mãe de Deus em Lourdes e Fátima:

“Nosso Senhor tinha em suas mãos um monte de fogo; Ele olhava para a França com uma espécie de compaixão e amor; o fogo escorria e caía entre seus dedos, estava prestes a cair por inteiro, mas o Senhor dizia e repetia: “Pede perdão, pede perdão!”

—“Pobre França, acrescentava ela, pobre França, se ela soubesse, se ela compreendesse, e sobretudo, se ela quisesse! Deus a ama tanto!“ (Pe. Estrate, op. cit., p. 291)

Durante a oitava de Nossa Senhora do Monte Carmelo desse mesmo ano, Sóror Maria interrogava Nosso Senhor sobre a França, indagando o porquê de Ele não dar a vitória aos bons enquanto os ruins agiam em liberdade.

O Senhor lhe respondeu que era Ele próprio que tinha disposto assim as coisas. E ela acrescentou:

—“Eis a comparação que Ele me apresentou: ‘vês esse belo jardim, há toda espécie de frutos e de flores, mas vêm os insetos e toda espécie de animais. Eles picam as flores e a doença toma conta das árvores. É porque Ele encomendou a seus anjos arrancar todas essas árvores” (Pe. Estrate, op. cit., p. 291-292).

Pio IX abençoa o exército pontifício, onde muitos eram jovens franceses,
que vai sair para defender Roma do assalto revolucionário. Na Praça de São Pedro
Entrementes, Jesus Cristo lhes fez notar que os castigos que iriam cair sobre a França haviam sido atenuados pela justiça divina em atenção aos sacrifícios praticados pelos bons franceses.

No mês de agosto de 1875, Sóror Maria mencionou a corajosa luta dos jovens católicos franceses que combateram dando suas vidas no exército pontifício para evitar que os revolucionários invadissem Roma:

— “Na semana passada, Nosso Senhor me prometeu uma coisa consoladora para a França: que a prova não seria tão ruim como Ele tinha dito, por causa da caridade que a França praticou em favor do Santo Padre [Pio IX].

“Foi a Ele próprio que foi feita, e é por causa disso que Ele poupará os golpes sobre a França. Isso acontecerá, mas não será tão ruim, e só visará purificar a França”. (Pe. Estrate, op. cit., p. 299)

A degradação dos costumes, a invasão do igualitarismo, a expansão do desejo desordenado do gozo da vida que marcavam o período da Belle Époque, a alegria de uma vida irresponsável estavam fazendo aproximar uma catástrofe que os franceses não queriam ver.

Em 1868, a piedosa carmelita anunciava a guerra franco-prusiana que viria em 1870, cobrindo de luto e vergonha a França e dando azo à explosão comunista da Comuna de Paris:

Durante um longo êxtase em que ela falou do nada da vida, da cegueira dos pecadores, da perda das almas e dos males da Igreja, disse chorando:

— “Senhor, tende piedade de nós! Santa Virgem, afastai as desgraças que nos ameaçam. Rezai pela Igreja. A guerra chegará logo, como eu vou rezar pela Igreja!“ (Pe. Estrate, op. cit., p. 81)

Em 6 de julho de 1870, Nosso Senhor lhe mostrou a trama das forças secretas que querem aniquilar Roma enquanto cabeça da Cristandade e destruir a Igreja.

Paris em chamas. O movimento comunista dito "Commune"
mandou incendiar os principais monumentos igrejas e palácios
— “Eu estava sozinha num jardim, subitamente ouvi uma voz que me dizia: Reza, reza e faz rezar.

“Eu vi imediatamente soldados que saiam como de um jardim fechado; eram muitos e passavam diante meu. Eu vi outros soldados sair de um outro jardim, eles vinham combater contra os primeiros.

”A mesma voz me disse pela segunda vez: ‘Reza e faz rezar’.

“No mesmo instante, eu vi Roma diante de mim, e vi os inimigos de Roma que diziam: enquanto os outros combatem, matemos Roma, afoguemo-la, joguemos água fervendo sobre ela, matemos pequenos e grandes.

“Eu vi ao mesmo tempo uma lâmpada no céu: saíam dessa lâmpada dois raios que formavam como que escadas. Um desses raios descia sobre a Itália e o outro sobre a França.

Também em La Salette, Nossa Senhora alertou
contra os procedimentos falsos do imperador Napoleão III
“E eu vi um homem que parecia ser o próprio Deus, ele tinha duas crianças como ele, uma à sua direita, a outra à sua esquerda. Uma dessas crianças era negra e trabalhava para fazer um grande buraco, a outra preparava um prato branco sobre a terra.

“O homem disse aos inimigos da Igreja que bradavam ‘joguemos água fervendo sobre Roma’:

— “Essa água fervendo será para vós eternamente. Eu declaro que nenhum desses homens que combatem por meu nome haverá de sofrer o menor julgamento, ainda que eles tenham cometido todos os pecados. A esses homens que terão dado sua vida combatendo, eu darei a paz e a vida eterna.

“Ao mesmo tempo, Ele se voltou para a França e disse ao imperador: ‘Se vós seguirdes a luz, eu estarei convosco. Eu vos prometo quatro vitórias, se combaterdes pela minha glória, para que todo o mundo saiba que vós combateis em Meu nome; Eu estou em vós e vós estais em Mim. Eu vos prometo em seguida uma boa morte e uma eternidade bem-aventurada” (Pe. Estrate, op. cit., p. 199-200).

Dessa maneira Nosso Senhor prometia então a Napoleão III um prêmio nesta terra e depois na eternidade, ligado à presença das tropas francesas defendendo Roma.

Porém, Napoleão III optou pelo rumo diametralmente oposto. E a promessa de salvação se transformou em garantia de perdição, segundo interpreta o biógrafo Pe. Estrate.

Com efeito, no dia 5 de agosto, após a anterior visão, a Santa contou:

— “Eu sentia uma grande tristeza e angústia. Parecia-me que Roma ia perecer e a França também. Eu senti um gládio atravessar meu coração, e ele ali ficou.

“O sofrimento impediu-me de dormir a noite toda. Pela manhã, eu estava tão contristada e acabrunhada quanto na véspera. Passei o dia na angústia, na tristeza, no sofrimento.

“Pela tarde eu vi o imperador diante de mim. Ele parecia todo negro, triste, quase furioso: uma grande nuvem negra tinha descido sobre ele.

“Eu vi a Santíssima Virgem que veio com sua mão afastar essa nuvem e isso me consolou um pouco. Mas eu compreendi que a nuvem ia por cima de Roma.

“No dia seguinte, na Missa, durante a elevação, eu vi um velho crucificado, e a seus pés o imperador triste e humilhado, e eu vi o sangue do ancião crucificado cair sobre ele.

“Eu não sei se a luz que eu tinha visto diante do imperador e de cuja fidelidade dependem as quatro vitórias consistia em não retirar as tropas de Roma.

“Mas, depois do que ele fez [retirar as tropas francesas que protegiam Roma], eu o vi durante três dias consecutivos triste e humilhado aos pés do ancião crucificado cujo sangue se derramava com abundância sobre ele, sobre sua família e sobre aqueles que o rodeavam”.

Segundo o Pe. Estrate, ela via o sangue do ancião do Vaticano cair como vingança sobre o Imperador e os seus. “A morte tão trágica do príncipe imperial dez anos depois ainda está presente diante todos os espíritos e confirma de modo terrível a verdade desta profecia”, acrescenta (Pe. Estrate, op. cit., p. 200-201).

A imagem tem também analogias com o segredo de Fátima.









Visões sobre o mundo


Da mesma maneira que Nossa Senhora em La Salette, quando anunciou castigos não só para a França e para a Itália, mas para o mundo todo, também Deus falou no mesmo sentido a Santa Maria de Jesus Crucificado, “a santa palestina”:

— “Pequenos cordeiros, não tenhais medo de Deus. Ele vai ferir a Terra, haverá terremotos. Não temais nada, recorrei exclusivamente a Deus, permanecei n’Ele, depositai n’Ele vossa confiança e não temais.

“Sua misericórdia é imensa. Ele quereria espalhá-la sobre todos os homens, mas a justiça bloqueia a misericórdia. Os homens têm medo de Jesus, eles O olham como a um carrasco e, entretanto, seus olhos estão tão cheios de paternalidade!... Ele é mais branco que a neve! Ele está louco pelo homem!... Ele ama os pequenos, os débeis, Ele não ama os grandes... (...)

“Quando Jesus olha seus eleitos, seu olhar faz derreter o coração... Oh! esse olhar!... Não, a terra não viu Jesus!... A terra esta coberta de crimes!... O Senhor quereria ferir e seu coração não pode!...” (Pe. Estrate, op. cit., p. 378).

O Pe. Estrate conta que um dia Nosso Senhor mostrou à Santa que sua cólera prestes a explodir. E a jovem religiosa exclamou:

“Senhor, poupai os homens. Jogai-me no fogo, mas não deixeis cair o raio de vossas mãos. Os homens mal compreendem o que fazem, eles são cegos”.

E acrescentava:

Nosso Senhor lhe fazia sentir
que os homens se perdem por vontade própria.
No quadro: cena da Revolução Francesa
que preparou a Revolução Comunista.
— “A palavra de Deus faz tremer o céu e a terra. Jesus diz: ‘Não sou eu que escolho o inferno para vós, vós mesmos fazeis essa escolha. Não há uma alma que se perca sem que Eu lhe tenha falado mil vezes ao coração. Eu vim para a Terra, Eu me revesti de vossa natureza, Eu me fiz criancinha, obediente, pobre, humilhada. Eu sofri tudo por vós. Não sou Eu que vós perde, sois vós mesmos que vos perdeis’”.

E ela repetia:

— “Senhor, salvai o mundo, deixai de amar só a mim; jogai-me no fogo para salvar os homens”, e ela chorava e soluçava (op. cit., p. 61-62)

Numa carta ao Pe. Lazare, carmelita, que foi seu confessor em Mangalore, escrita no Carmelo do Sagrado Coração de Pau em 7 de janeiro de 1873, ela avisou:

— “Pois bem, meu padre, agora a fé está debilitada, a religião e até as comunidades mais santas estão debilitadas; a fé está debilitada, tenhamos nós a fé de nossos pais, que se debilita por toda parte.” (op. cit., p. 370)

— ”Agora o inimigo reina sobre seu trono. Ele tem um poder muito grande” (op. cit., p. 376).

— “As sociedades secretas têm seus fundamentos no inferno, seus associados têm seus pés no inferno, da mesma maneira que os justos têm seus fundamentos e seus pés no Céu.

Por que o Senhor está irritado contra a Terra? Por que castigar a Terra? Por que castigar os reinos? Porque cada um deles não se contenta com Seu reinado, eles vão à procura de outros...” (op. cit., p. 382)

Entretanto, ela via que depois dos castigos que viriam, Deus abriria espaço para sua misericórdia. Então aconteceria uma restauração da humanidade e da Igreja.

Em carta a Mons. Lacroix, bispo de Bayonne, escrita no Carmelo de Mangalore em setembro de 1871, a bem-aventurada carmelita a fala a propósito da adesão do bispo ao dogma da infalibilidade pontifícia:
“Monsenhor, (...) Como sois feliz por ter compreendido a verdade! Sim, a infalibilidade enfureceu todo o inferno! Satanás estrebucha. Eu vos digo, caro e bem-amado pai, eu rezo muito, mas muito pelo triunfo da Santa Igreja e pela França.

“Não acrediteis que o momento da misericórdia de Deus esteja muito longe... Toda a Terra ficará espantada com o poder de Deus três vezes Santo...” (Pe. Estrate, op. cit., p. 368).




Visões sobre a Igreja e o clero


Relicário e imagem da santa palestina, na capela do Carmelo de Belém
Em diversas ocasiões Deus lhe fez ver uma apostasia próxima e generalizada do clero e das religiosas.

Este doloroso aspecto está contido de modo eminente no Segredo de La Salette e foi o “gancho” através do qual os maus religiosos tentaram – e até conseguiram transitoriamente – a proibição do Segredo.

“Pequenos cordeiros, permanecei fiéis. A Santa Virgem diz que os tempos vão mudar, vós vereis coisas que nunca vistes antes, religiosas abandonarão seu convento, sacerdotes apostatarão”, anunciou a santa palestina (Pe. Estrate, op. cit., p. 138).

Na véspera de Natal, escreve o sacerdote biógrafo, ela tinha visto um homem que lhe mostrava seu coração no peito aberto, e nesse coração muitas pombas brancas.

Do lado de fora, espinhos desgarravam esse coração e lhe faziam verter sangue até o chão. Esse homem, que obviamente era o Sagrado Coração de Jesus, disse a ela:

— “Minha filha, ninguém recolhe esse sangue, fazem-me sofrer o martírio; se eles não se converterem, Eu farei perecer os frutos da terra; e se, após esse castigo, eles não mudarem, eu arrancarei as árvores e plantarei outras e essas recolherão meu sangue” (Pe. Estrate, op. cit., p. 180-181).

E ainda durante o retiro anual antes do Natal de 1872:

— “Jesus se mostrou e eu vi o resplendor de sua majestade. Impossível descrever a alegria de minha alma: era o Paraíso na terra.

“Veio-me o pensamento de lhe pedir muitas coisas. Mas, antes de tudo, eu O teria acariciado, eu lhe teria dito toda espécie de coisas saídas de meu coração para tocá-lo; eu agi como a criança que quando quer obter qualquer coisas de seu pai, começa lhe fazendo mil carícias.
Cela da Beata carmelita no Carmelo de Belém
Cela da santa carmelita no Carmelo de Belém

“Eu lhe roguei pelas almas do purgatório: então Jesus ficou mais brilhante e eu vi sair de suas mãos raios de luz, graças que desciam sobre essas pobres almas. Pareceu-me que Jesus tinha grande necessidade de distribuí-las e que Ele as dava com muita pressa e abundância.

“Logo a seguir eu rezei pelos pecadores, e Jesus fazia a mesma coisa pelas almas do Purgatório. Que alegria ver esse amor, essa misericórdia do Senhor!

“Mas, quando eu quis rezar a Ele pelos sacerdotes, pelos religiosos e pelas religiosas, os raios que desciam de suas mãos voltaram a subir e tudo desapareceu.

“Meu coração ficou numa tristeza, numa angustia terrível, pois eu pertenço ao número das religiosas. Então eu soltei suspiros, explodi em soluços. Cada vez que penso no que eu vi, não posso parar de chorar. Quanto nós somos culpados, como nós deveríamos ser a consolação de Jesus!” (Pe. Estrate, op. cit., p. 254-255).

E, ainda com mais força, em 18 de outubro de 1875, já no Carmelo de Belém, na Terra Santa:

“Eu vejo muitas religiosas, professas há vinte anos, que saem de seus conventos... O inimigo tem muito poder na hora presente. Todas aquelas que têm as raízes podres, cairão. É o momento, é a justiça de Deus!

“Não acrediteis que uma árvore cai de vez, nem religiosos nem religiosas caem de vez sem que tenha havido há muito tempo alguma coisa estragada. Isso se estraga pela raiz. (...)

“Eu quereria ter uma língua perpassada pelo fogo para dizer tudo o que eu vi... Chegou o momento em que as árvores vão cair. Há algumas que têm as folhas amarelas mas a raiz está boa.

“Há outras, sacerdotes, religiosas, que parecem boas e cairão, pois a raiz está ruim. Há homens do mundo que parecem ruins; eles o são mas têm um fundo bom, e ocuparão o lugar dos outros...” (Pe. Estrate, op. cit., p. 288-289)

Aos pedidos e recomendações que ela faz à comunidade da parte do Senhor, ela acrescenta estas palavras:
“A Santa Mãe Teresa diz que, se ela pudesse chorar, choraria por certas comunidades, mas chegará o tempo em que essas comunidades serão castigadas” (Pe. Estrate, op. cit., p. 298). 




Visões sobre o Concílio Vaticano I e o Beato Papa Pio IX


Satanás conspirou contra o Concílio Vaticano I mas o Espírito Santo venceu
Satanás conspirou contra o Concílio Vaticano I mas o Espírito Santo venceu
O espírito de profecia se manifestou na carmelita também a respeito das grandes questões da Igreja e da política mundial, da qual nada sabia humanamente falando.

Isto foi especialmente notável por ocasião do Concilio Vaticano I e da guerra franco-prussiana com suas consequências: a queda de Roma nas mãos contrárias ao Papado, a revolução comunista da Comuna de Paris e a derrocada do II Império napoleônico.

Eis o que ela viu a respeito do glorioso Concílio Vaticano I, onde os bispos de tendência modernista acabaram sendo frustrados em seus intuitos e prevaleceu a linha contra-revolucionária do Papa Pio IX:
“Eu vi o Concílio. Vi três bispos do Concílio, muito santos e que prestaram grandes serviços à Igreja, agora envoltos pelas trevas, rodeados de milhares de demônios que se esforçam para lhes esconder uma pequena luz que está sempre presente a seus olhos, figura da fé, da verdade.

“Enquanto isso, à direita e à esquerda há uma grande luz que os demônios quereriam que eles seguissem. Esses espíritos tentadores são de tal maneira numerosos que, se tivessem corpo, o ar ficaria escurecido.

Esses mesmos demônios avançam sobre um grande número de outros bispos. Há mais de duzentos que não seguem essa pequena luz que têm diante dos olhos porque Satanás impede, instalando uma como que nuvem espessa entre essa luz e eles, enquanto eles não se afastam suficientemente da luz que está à direita e à esquerda. Essa luz não vem de Deus, mas do raciocínio humano.
Foi assim que ela se exprimira no mês de janeiro de 1870.

Uma visão do mês seguinte ainda é talvez mais impactante:
“Eu vi o Santo Padre rodeado pelos Padres Conciliares. À sua direita havia um jardim iluminado pelo sol, regado por uma água muito boa e cheio de flores e de frutos que disseminavam um perfume delicioso.

“À sua esquerda havia um outro jardim, coberto de trevas, espinheiros e espinhos. Ali se encontravam algumas roseiras ressequidas e algumas plantas boas abafadas pelos espinheiros.

“O Santo Padre tentou abrir a porta desse segundo jardim para trabalhá-lo e arrancar as roseiras e as plantas e transplantá-las ao primeiro jardim. Vários diziam ao Santo Padre que ele fazia um trabalho inútil.

“Eu vi logo depois uma nuvem de dor cobrir o Santo Padre e aqueles que estavam à sua direita.

“Mas, subitamente, eu vi um sol resplandecer em seus rostos; eles estavam radiosos.

“Depois, a porta do mau jardim se abriu, e começaram a tirar algumas plantas boas do mau jardim para plantá-las no bom.

“Em seguida, eu vi o Santo Padre adormecer e duas crianças o levarem pelos braços.

“Um outro veio substituí-lo e encontrou a porta aberta, e ele acabou facilmente o trabalho começado. Aqueles que haviam querido deter o Santo Padre em seu trabalho viam agora a verdade.

“Uma voz me disse: ‘Regozija-te do jejum de quarenta dias a pão e água que eu te pedi a fim de te fazer participar dos méritos e dos trabalhos dos Padres do Concílio. É necessário que, por meio desse jejum, tu arranques as pedras da estrada, para que eles não caiam’.

“(...) Como é comovedor ver Jesus que pede a almas ignoradas penitências excepcionais em favor do Concílio! É sempre o mesmo Deus que Se serve de quem não é nada para levar a bom fim suas obras”, comentou a religiosa (Pe. Estrate, op. cit., p. 197-199).
O Beato Pio IX teve que enfrentar forte oposição de bispos liberais
O Beato Pio IX teve que enfrentar forte oposição de bispos liberais

Sobre o Beato Pio IX

Uma ligação toda espiritual e sobrenatural unia a religiosa ao santo e combativo Papa Pio IX. Por isso, a Providência lhe revelou muitas coisas relativas ao seu glorioso pontificado.

Por exemplo, no início de dezembro de 1877, ela teve um anúncio da próxima partida do Santo Padre para a eternidade nos seguintes termos:

“Eu vi duas crianças (anjos) preparar um leito para o Santo Padre. Eu as vi várias vezes. Depois a Santíssima Virgem segurava uma coroa sobre sua cabeça, mas faltava uma rosa na parte dianteira. Falta ainda alguma pequena coisa”.

Dez anos antes, no mês de agosto de 1867, Santo Elias, falando de Pio IX à vidente, lhe havia dito:

— “Esse Papa é um santo. Depois dele virá um outro como ele, sofrerá muito nas mãos de Deus, não haverá cruzes como as que ele terá. O terceiro Santo padre será o Seráfico”.

Num êxtase em 21 de janeiro de 1878, ela falava do Beato Pio IX, dizendo:

O bem-aventurado Papa Pio IX
O bem-aventurado Papa Pio IX
— “Meu Pai vai partir... Já se prepara a procissão. ... Uma multidão de virgens e o Senhor à sua testa virão pegar meu pai. Ele me abençoou sobre a fronte com o dedo que segura Jesus. Eu estou feliz por meu pai... Os passarinhos cantam, a terra vibra e o céu também... Quando uma alma é fiel, oh! como tudo fica contente!”

Numa longa carta endereçada ao Patriarca de Jerusalém em 27 de janeiro de 1878, ela escreveu a respeito de Pio IX:

— “Eu vi que nosso bem-amado pai e pontífice Pio IX vai partir logo, sua coroa foi completada. Há alguns dias, eu tinha visto que lhe faltava uma rosa, mas agora eu volto a ver a coroa e já não falta mais nada. A Santíssima Virgem a tem em suas mãos, prestes a pousá-la sobre sua cabeça.

“Eu vi também como se prepara uma procissão para vir pegá-lo e eu vejo o Santo Padre sob a figura de uma criança, de uma hóstia, enfim de uma maneira que eu não posso explicar. Ele me fez um sinal da cruz sobre a fronte e me disse:

“‘Minha filha, eu te abençoo, eu não sei se eu te vejo num delírio ou na realidade, mas estou doente: reza por mim’. E eu, vendo a procissão que se prepara para ele, pensei: ‘É vós que tendes que rezar por mim’, mas isso eu não falei ... Senhor, disse, ‘permiti que ele veja o triunfo da Igreja’. Jesus me respondeu:

— “Ele viu a aurora”.

— “Mas como, Senhor, ele não vai ver o restabelecimento de seus direitos?”

E Jesus respondeu:

— “Ele não viu suas ovelhas se voltarem para seu curral?”

E em 3 de fevereiro de 1878, ela acrescentava:

No mesmo ano, a santa palestina partiu para o Céu
No mesmo ano, a santa palestina partiu para o Céu
— “Eu vi a Santíssima Virgem que segurava em suas mãos nosso bem-amado pai e pontífice Pio IX.”

Quatro dias depois, o Beato Pio IX tinha uma morte de predestinado.

Durante um longo êxtase no dia 17 de fevereiro, a Santa pareceu ver o Santo Padre Pio IX na glória e exclamou com transporte de alegria:

— “Meu pai me disse: adeus, minha filha, até breve!” (op. cit., p. 322-324)

Poucos meses depois, em 26 de agosto do mesmo ano, Santa Maria de Jesus Crucificado morria com 32 anos de idade no Carmelo de Belém, como a "senhora" da gruta havia profetizado.

Ela foi beatificada em 13 de Novembro de 1983. Sua festa se comemora no dia 25 de agosto.


(Fonte: R. P. Pierre Estrate, do Instituto do Sagrado Coração de Bétharram, Mariam, sainte palestinienne – La vie de Marie de Jésus Crucifié. Pierre Téqui éditeur, Paris, 1999, 399 pp., col. Saints du monde, Imprimatur : P. Fages, Vigário Geral de Paris, 21.1.1916).

O Carmelo de Belém em Terra Santa fundado pela santa palestina:








Sobre as guerras futuras e a restauração da França


Santa Maria de Jesus Crucificado, imagem oficial na fachada da Basílica de São Pedro, no Vaticano, exibida no dia de sua canonização.
Santa Maria de Jesus Crucificado, imagem oficial na fachada da Basílica de São Pedro,
no Vaticano, exibida no dia de sua canonização.
Na nossa época o furor islâmico aplicando à risca os ensinamentos do Corão ameaça de extinção não só os cristãos do Oriente Médio, mas também os da Europa e do mundo.

Porém, a santa palestina é a portadora de uma voz discordante vinda do Céu,  que reanima e promete a vitória da Igreja sobre seus numerosos inimigos de hoje, entre os quais se destaca sinistramente o Islã.

Paradoxalmente, a santa carmelita que nasceu católica em Terra Santa foi degolada por um muçulmano impiedoso quando era menina.

Mas, ela continuou com vida por um milagre excepcional de Nossa Senhora constatado medicamente em Pau, França, em 24 de junho de 1875.

Naquela data um médico da cidade que fora chamado para tratar dela afirmou “que a doente era um caso aparte e que na sua garganta, que ele havia examinado várias vezes, faltavam alguns anéis da traqueia desde o martírio, e que ela não podia viver sem milagre”. (Pe. Denis Buzy SCJ, op. cit, p. 18).

Um outro médico de Marselha confessou que malgrado ele fosse ateu ele tinha que dizer que Deus existe pois, naturalmente, a carmelita palestina não podia viver. (id. ibid).

Examinado o corpo após a morte, a cicatriz media por volta de dez centímetros, tinha um centímetro de profundidade, na parte dianteira do pescoço, a pele estava toda branca e muito fininha no local. (id. ibid).

Entretanto, foi após o martírio e o milagre que a Santa cumpriu sua maravilhosa e épica missão.

Enquanto publicávamos os posts anteriores (ver a lista de links em destaque ao lado) fomos avisados da existência de um velho mas autorizado livro sobre a Santa, escrito pelo capelão do Carmelo de Belém, e publicado há quase um século.

Inesperadamente nos foi possível localizar um exemplar da edição original. Pela sua clareza e importância, publicamos a continuação as páginas sobre suas visões do futuro, que já está sendo nosso presente.

O paralelismo e a coincidência com o que o Segredo de La Salette prenuncia para nossos dias é de furar os olhos. Por isso nos abstemos de comentários.

A continuação, a tradução literal das páginas da biografia da Santa palestina pelo padre francês Denis Buzy S.C.J., capelão do Carmelo de Belém:

Surpreendente centralidade da França no futuro


Os acontecimentos cumpriram, de modo impactante, suas previsões também em relação à França, país que ela amava com a ternura e o fervor de uma síria e de uma palestina.

Fica-se surpreso diante do papel de destaque da França em suas preocupações e dos termos inflamados com que falava dela em seus êxtases.

Nas suas visões, a França era a Roseira, assim como a Santa Igreja era a Oliveira. A Roseira, dizia ela, estava doente: não estava morta e o Jardineiro se preparava para podá-la vigorosamente, para lhe comunicar uma vida nova. E ela já via a Roseira se dilatar numa multidão incontável de belas rosas perfumadas...

O livro do Pe. Denis Buzy S.C.J.
O livro do Pe. Denis Buzy S.C.J.
Poderíamos reunir facilmente em um fascículo, todas as suas profecias relativas à França. Eis algumas das mais notáveis.

Ela dizia no dia 16 de fevereiro de 1874: “Ontem, eu me sentia diante de Deus e rezava por nossa Mãe a Santa Igreja e pela França. Eis o que eu vi e ouvi.

“Sim, eu farei minhas delícias no seio da França; ela voltará a ser a rainha de todos os reinos. Mas, antes, é preciso que passe pela peneira; é necessário que a França se sinta reduzida a nada para que Eu esteja à frente de seus exércitos, para que todas as nações digam entre si, de geração em geração: Verdadeiramente, é o Altíssimo que está à frente da França. Todas as gerações exclamarão com uma só boca, com uma mesma voz, no mesmo tom, até os ímpios...”

Universal guerra vindoura e vitória da Igreja


Todas as profecias desenvolvem este tema geral: a provação, sobretudo por meio de uma guerra sangrenta, a vitória e as consequências do triunfo.

Em numerosas ocasiões após 1873, ela anunciou uma guerra que faria derramar “rios de sangue”.

Num êxtase do mês de maio de 1873, ela perguntava: “Quando acabará essa guerra?”

Após um tempo de silêncio, transmitia a terrível resposta: “Ah! será longa, porque é necessário que todo o mundo passe por ela, pequenos e grandes: nós estamos corrompidos!” Quanta pena aparecia nessas últimas palavras: Nós estamos corrompidos!

Esse êxtase particularmente doloroso parecia pôr-lhe sob os olhos os esforços de dois exércitos imensos que se encarniçavam um contra o outro...

Ela via por vezes duas cisternas, uma já cheia de sangue e a outra ainda vazia, mas tão grande que o sangue de 3/4 da humanidade parecia que não conseguiria enchê-la; e a voz lhe dizia: “Tu vedes, é preciso que essa cisterna seja preenchida para acalmar a Justiça de Deus...”

Manuscrito da santa palestina que nunca chegou a escreve direito em francês.
Manuscrito da santa palestina que nunca chegou a escrever direito em francês.
No dia 13 de maio de 1874, uma voz lhe disse: “Eu vos advirto, como já vos adverti dois meses antes das guerras que aconteceriam na França (a guerra de 1870). Mas aquela que eu vos anuncio será dez vezes mais terrível que a acontecida então na França”.

Dez vezes mais terrível! Quem ousaria garantir hoje que a voz não ficou aquém da verdade?

Ela voltou ainda a falar deste angustiante assunto no dia 14 de agosto de 1874:

“Vai ser uma massacre terrível. Caminhar-se-á com o sangue até os joelhos. Eu acredito que, nessa guerra que virá, todos os sacerdotes serão recrutados para combater... Não sei se será por este modo que os sacerdotes perecerão, pois deverão ficar muito poucos após a provação, e me parece que eles serão postos na linha de fogo, no local mais perigoso...” Hélas!

Ela previa o triunfo, como já dissemos. Havia até pronunciado com todas as letras o nome do inimigo que devia ser abatido.



Primeira capela dedicada a Santa Maria de Jesús Crucificado.
Ibillin, Galileia, 18 de abril 2015.






Não está longe a restauração da Síria cristã hoje martirizada


Santa Maria de Jesus Crucificado O.C.D., após sua profissão religiosa.
Santa Maria de Jesus Crucificado O.C.D.
após sua profissão religiosa.



Continuação do post anterior: Sobre as guerras futuras e a restauração da França

Pareceria um sonho de olhos abertos supor no dia de hoje que o catolicismo sírio de tal maneira martirizada pelo Exército Islâmico terá dentro de não muito uma inimaginável vitória.

Mais sonho ainda pareceria achar que essa recuperação para o catolicismo da Síria se estenderia a toda a Terra Santa, inclusive Belém e Nazaré onde Santa Maria de Jesus Crucificado viveu os últimos anos de sua breve vida. No século XIX, a Palestina onde nasceu a santa carmelita fazia parte da Síria.

Mais louco ainda pareceria aquele que dizer que a Síria restaurada voltaria a fazer parte de novo da França, ou melhor dito do Reino Franco de Jerusalém, que nasceu e foi extinto no tempo das Cruzadas.

E definitivamente demente pareceria aquele que dissesse que o Carmelo de Belém ficará incólume no meio dessa transformação não isenta de espantosos lances bélicos pelo fato de nele estar conservado o corpo da santa palestina.



Entretanto, esses são algumas das mensagens celestes transmitidas por Santa Maria de Jesus Crucificado, cujas profecias menores se cumpriram de modo estonteante.


A restauração da França deixará o mundo pasmo


Lemos nas suas notas da primeira sexta-feira de março de 1874: Sóror Maria de Jesus Crucificado “entendeu que a França seria a rainha dos reinos e triunfaria sobre vários [países], em particular, se nós entendemos bem, sobre a Prússia e a Alemanha, mas só quando ela tiver sido suficientemente humilhada”.

As palavras seguintes são ainda mais explícitas.

Em 1878, ela dizia ao padre Prosper Chirou, capelão do Carmelo: “Haverá um mau governo na França. Os religiosos serão expulsos. Será necessário percorrer léguas para se confessar. Os alemães voltarão à França, mas serão esmagados. Será forçoso reconhecer: o dedo de Deus está aí e a França tornar-se-á mais brilhante do que nunca”.

“Quando as carmelitas de Belém falavam na recriação de sua amada e longínqua França, o olhar da irmãzinha se iluminava, e ela exclamava: ‘Sim, sim, a França triunfará logo; logo será a rainha dos reinos. Ela fez bem demais com suas missões para que Deus a abandone”.

Ela dizia ainda, num êxtase do dia 16 de julho de 1876: “Ó, cara Roseira [a França], tu fazes a alegria de meu coração! Nela se construirá um grande salão para o Mestre, e o Senhor disse: Eu virei habitar ali com minha luz, com o sol brilhando como no dia. Mas, antes disso, queimar-se-ão os espinhos. Oh! Como será bela a Roseira!”

O túmulo de Santa Maria de Jesus Crucificado no Carmelo de Belém
O túmulo de Santa Maria de Jesus Crucificado
no Carmelo de Belém
“Semeiam-se na terra da Roseira muitos espinhos, porque há muitos pequenos vermes que sugam a seiva das plantas boas. E o Senhor disse: se há plantas boas, enfiai-as num buraco e escondei-as. Plantai espinheiros, e como há muitos mosquitos, eles virão pousar nos espinhos. E então será tocado fogo e todos serão queimados...

“E a amada pequena Roseira, que parecia estar no ponto de morrer? Aguardai mais um pouco, e vós vereis como será bela! Mas isso vai demorar: será necessário ainda um pouco de tempo...”

A Síria retornará à área católica sob a égide da França


Certas vezes, ela reunia em suas previsões as lembranças de sua pequena pátria síria junto com as de sua grande pátria de adoção.

Em 4 de julho de 1875, ela prestava assim contas de seu êxtase do dia anterior, quando ouviu um personagem desconhecido lhe dizer:

“Consola-te, virá um dia futuro – e está longe – em que a França se tornará rainha. Mas, antes disso, é necessário que ela padeça muitas humilhações, maiores ainda do que todas as que já teve. Depois disso, o Senhor triunfará e estará à frente desse reino”.

“Virá um tempo, que parece longínquo, muito remoto aos olhos do homem – mas aos olhos de Deus não está longe – em que a França será rainha também. Ela governará a Síria...”

E no dia seguinte ao 5 de julho, ela dizia em êxtase, radiante de alegria: “Oh! O que regozija meu coração, é que a Síria pertencerá à França”.

Santa Maria de Jesus Crucificado: o Carmelo de Belém devia ter ares de fortaleza.
Santa Maria de Jesus Crucificado:
o Carmelo de Belém devia ter ares de fortaleza.

O Carmelo de Belém, fortaleza inexpugnável em meio às guerras


Para terminar esta lista demasiado longa de profecias, lembremos aquela que ela pronunciou num esplendoroso êxtase no dia 25 de maio de 1876:

“O Senhor me fez muitas promessas; minha alma está contente, meu coração derrete. Eu não saberia o que fazer para Lhe agradar... O Senhor me prometeu: a nós nada acontecerá...”

Depois, como se outra voz falasse pela sua boca, acrescentou: “Onde estará teu corpo, tudo será protegido; a casa-mãe será resguardada”.

Nas visões dessa época, a casa-mãe é sempre o Carmelo de Belém, em alusão ao Carmelo de Nazaré, cuja fundação estava projetada.

No dia 31 de agosto do mesmo ano, ela disse ainda, prestando conta dos êxtases dos dias precedentes: “Eu vi nuvens, tempestades, chuvas de toda espécie de coisas caindo sobre a Terra, mas nada fazia mal a esta casa”.

Essas predições se realizaram completamente no decurso da última guerra [N.T.: I Guerra Mundial]. Enquanto todos os conventos de Belém, sem exceção, foram ocupados e pilhados pelo inimigo, só o Carmelo de Belém foi respeitado e permaneceu sempre nas mãos de algumas carmelitas, que não foram expulsas.

A Divina Providência, com visíveis intervenções, sempre frustrou as tentativas de ocupação estrangeira. Durante esse período de quatro anos, pode-se dizer que houve um contínuo milagre de preservação, tanto mais surpreendente quanto a residência contígua dos padres do Sagrado Coração foi horrivelmente saqueada e serviu durante toda a guerra de casa de refúgio dos regimentos turcos, austríacos e alemães.

O que Deus protege, bem protegido está.

(Fonte: Pe. Denis Buzy, S.C.J., capelão do Carmelo de Belém, Terra Santa. “Vida de Sóror Maria de Jesus Crucificado, religiosa carmelita conversa, morta em odor de santidade no Carmelo de Belém, 1846-1878”, Librairie Saint-Paul, Bar-le-Duc – Paris, 1922, 294 páginas. Imprimatur: Aloysius, episcopus Capharnaum, vigário-geral de Jerusalém. Com carta de aprovação do Patriarca de Jerusalém e do Cardeal arcebispo de Lyon). (páginas 230-235)





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