segunda-feira, 25 de junho de 2012

Santa Hildegarda, profetisa da Revolução e da Contra-Revolução

Santa Hildegarda de Bingen O.S.B., chamada "a Sibila do Reno"
Santa Hildegarda de Bingen O.S.B., (1098 – 1179), chamada "a Sibila do Reno"
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






De Santa Hildegarda O.S.B. (1098 – 1179), virgem, escreveu o Pe. Réné François Rohrbacher, na sua famosa “Vida dos Santos”, (Editora das Américas, São Paulo, Volume XVI, pp. 246-255):

“Nasceu no Condado de Spanhein, Diocese de Maicus, no ano de 1098, de pais nobres e virtuosos. Com a idade de oito anos, foi levada ao Mosteiro de Disimberg, ou do monte de Santo Disibode, e colocada sob a direção da bem-aventurada Jutta Hurclitt, irmã do conde de Spanhein.

“Dos 8 anos aos 15, viu sobrenaturalmente muitas coisas, das quais falava com simplicidade com suas companheiras, que ficavam maravilhadas, assim como todos que disso tiveram conhecimento. Indagavam qual poderia ser a origem das visões.

“A própria Hildegarda observou surpresa, enquanto via interiormente na sua alma, ao mesmo tempo enxergava as coisas exteriores com os olhos do corpo como de costume, o que jamais ouvira dizer houvesse acontecido a qualquer outra pessoa.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Como saber se uma aparição ou revelação é autêntica e de acordo com a Igreja Católica?

As visões, "sonhos" e revelações de São João Bosco  foram analisados e aprovados pela Santa Sé.  Mas, antes disso houve gente que contestava sua veracidade.  Como agir em caso semelhante ou que parece análogo?
As visões, "sonhos" e revelações de São João Bosco
foram analisados e aprovados pela Santa Sé.
Mas, antes disso houve gente que contestava sua veracidade.
Como agir em caso semelhante ou que parece análogo?
Com frequência nosso blog recebe informações relativas a aparições, revelações e outros fenómenos místicos que estariam acontecendo em nossos dias.

De fato, uma simples busca na Internet apresenta dezenas senão centenas de milhares de sites sobre revelações ou aparições, suspeitas na sua imensa maioria.

De modo não menos frequente recebemos consultas sobre nossa opinião a respeito desta ou daquela aparição, revelação e/ou vidente, ou assemelhado.

A equipe que trabalha no blog é composta exclusivamente de leigos católicos que agem a título pessoal. Por isso nunca emitimos juízos, a não ser que a Igreja Católica se tenha pronunciado sobre o fato. Nesse caso pretendemos agir apenas como eco da Igreja.

Também na publicação de documentos procuramos exclusivamente aqueles que preencham todos os requisitos de autenticidade, só aceitando e de modo inflexível àqueles que passaram pelo crivo da autoridade eclesiástica.

Isto implica em pôr de lado muitos documentos, aguardando por vezes muitos anos algum pronunciamento da autoridade competente.

“O discernimento nas aparições e revelações”

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Prenúncio do triunfo de Fátima quase cinco séculos antes das aparições – 4

Prenúncio do triunfo de Fátima quase cinco séculos antes das aparições
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Continuação do post anterior

No século XIX, nova visão confirma o anúncio


Mas também estes outros manuscritos caíram no esquecimento. Em boa parte devido às perseguições religiosas, que por duas vezes fecharam o convento das dominicanas de Alba.

E assim transcorreram mais dois séculos. Até que em 1855 (No original, ora consta 1885, ora 1855) a então Abadessa Benedita Deogratias Ghibellini “recebeu a revelação, de uma alma santa, do conteúdo daquela crônica desaparecida e o confiou verbalmente à sua sucessora, com a obrigação de transmiti-la, sempre em segredo e não publicamente, até que se tenha verificado cada coisa”. (Documento 3)

Em 22 de maio de 1923, a Priora Madre Stefana Mattei comunicou o segredo a Soror Lúcia Mantello. Esta fez um breve estágio nas dominicanas antes de se tornar religiosa salesiana.

Ela não teve em mãos os antigos documentos, e apenas transcreveu esta outra revelação transmitida por cada abadessa à sua sucessora, e que fazia referência às crônicas que estavam desaparecidas.

Nos apontamentos esquemáticos de soror Lúcia, lê-se:

“Uma antiquíssima crônica do Mosteiro narrava a visão de Soror Filipina dei Storgi [...]. Soror Filipina moribunda (16 outubro 1454) tem uma visão (a Beata e as freiras estão presentes) [...]. Personagens da visão: Nossa Senhora do Rosário, São Domingos, Santa Catarina de Siena, o Beato Umberto, o abade Guilherme de Sabóia-Acaia: todos vêm ao encontro. Depois, após uma interrupção, um olhar no futuro: [...] Umberto II no exílio em Portugal; [...] Nossa Senhora de Fátima salvará a humanidade [...]. Amém!” (Documento 3)

Quando os documentos de séculos anteriores foram reencontrados, a concordância entre eles serviu de preciosa prova recíproca da autenticidade de ambas as revelações.

Confirmações posteriores do triunfo da Virgem

Os documentos que aqui analisamos dão uma ideia da imensidade do plano que a Providência tem a respeito de Fátima. Iniciou esse plano por ocasião da fundação do Reino de Portugal, e o foi preparando ao longo dos séculos.

Prenúncio do triunfo de Fátima quase cinco séculos antes das apariçõesAlém do mais, foi comunicando-o a certas almas muito queridas por Maria Santíssima. Elas ficaram como testemunhas, para nos reconfortar neste tempo do auge da tribulação.

E nos dizem, através de uma narração providencial, que no final, contra todas as aparências em sentido contrário, o maligno será derrotado e Nossa Senhora triunfará!

Hoje, o “monstro do Oriente, tribulação da humanidade”, revelado a Soror Filipina, desencadeia suas mais “terríveis guerras”.

Com efeito, no Ocidente os “erros da Rússia” causam revoluções, lutas de classe, invasões de toda espécie; e a onda de imoralidade e irreligião que devasta as sociedades, a família, a cultura e até a ordem eclesiástica.

O mesmo Islã, que na região de Fátima fora esmagado, volta agora com furor redobrado pela ação do vírus revolucionário.

Porém, quanto mais iminente parece a instauração do caos final, contra toda verossimilhança humana e natural dar-se-á a vitória do Imaculado Coração de Maria, conforme a promessa de Nossa Senhora em Fátima, em 1917.

Dela participarão os homens que, tocados pela graça, fizerem penitência e tenham uma grande conversão.

Admirável entrelaçamento de fatos históricos

Catedral de Alba, cidade das visões
Catedral de Alba, cidade das visões
A história do príncipe Felipe de Sabóia-Acaia e de sua filha soror Filipina fala-nos da beleza e da grandeza de duas formas de penitência. Uma, a do pecador. Outra, a do inocente.

Os dois trilharam a via da penitência, em meio aos acontecimentos mais inverossímeis. No fim, os inverossímeis, aceitos com coração contrito e humilhado, deram num superior acerto.

Os fatos históricos ligados ao local escolhido por Nossa Senhora apresentam-nos um ideal de devoção a Ela e de excelência de Civilização Cristã, sob o signo da Cruz e da espada. Fátima é terra de eleição da Virgem Santíssima e, por isso mesmo, terra de cruzada.

Tendo esse panorama histórico como fundo de quadro, compreende-se que a penitência e a conversão colocarão a humanidade arrependida na trilha dos séculos de fé e de heroísmo em que Fátima nasceu.

Ou seja, uma época na qual um São Bernardo pregava as excelsitudes de Maria e exortava ardentemente à cruzada; em que um D. Afonso Henriques, nobres e templários conduziam à vitória o estandarte da Cruz, derrotando a então soberba islâmica.

E mais tarde seus sucessores, atravessando os oceanos, aportaram com o estandarte da Cruz, estampado nas velas de suas embarcações, em lugares distantes como o Brasil, cujo primeiro nome foi Terra de Santa Cruz.

Fim



segunda-feira, 4 de junho de 2012

Prenúncio do triunfo de Fátima quase cinco séculos antes das aparições – 3

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Fátima e circunvizinhanças estavam profundamente impregnadas pela irradiação marial cisterciense e pelo espírito de cruzada templário, que emanavam dos dois grandes polos abaciais: Alcobaça e Tomar.

Tal irradiação redundou na construção de múltiplas fortalezas da Ordem do Templo e abadias, igrejas e capelas dedicadas a Nossa Senhora, em plena época de cruzadas.

“A luta contra o Islã – confirma o Cônego Barthas – continuou ao longo de todo o século XII. Vários dos belos feitos de armas que fizeram de Portugal o cavaleiro da Cruz contra o Crescente se desenrolaram na região que circunda Fátima”.( Cônego C. Barthas e Pe. G. da Fonseca SJ, Fatima, merveille inouïe, Fátima, Ed. Toulouse, 1943, p. 20)

Fátima estava localizada num cruzamento das rotas que ligavam os castelos de Leiria, Tomar, Santarém, Ourém e Porto de Mós, percorridas por reis, nobres e cavaleiros templários.

Uma velha tradição, ainda viva em 1917, contava que, passando o Beato Nun'Álvares Pereira por Fátima em 1385, seu cavalo “teria ajoelhado e, à vista disso, D. Nuno teria dito: 'aqui há de dar-se um grande milagre'“.(Pe. Luciano Coelho Cristino, Descobrir o passado, preservar o futuro, Ajefatima, 1999, p. 12.)

Na Serra de Fátima, o bem-aventurado condestável teria planejado a histórica batalha de Aljubarrota, que garantiu a independência de Portugal.

Na origem da cidade de Fátima figura um pequeno mosteiro erigido por cistercienses vindos de Alcobaça.

Daquele cenóbio só restam os fundamentos, que servem de base para a atual igreja paroquial, erigida no século XVIII.

As tradições locais também fazem numerosas referências a antigas capelas junto às quais moraram outrora ermitões com fama de santidade.

Além do mais, a rainha Mafalda incentivou a criação de numerosas abadias e igrejas em outras localidades do reino, várias das quais ainda existentes.

Qual delas teria sido “a igreja construída por Mafalda (ou Matilde) de Sabóia, irmã do Beato Umberto e primeira rainha de Portugal, em honra e por devoção à Santíssima Virgem, no lugar chamado 'Rocha de Fátima'“, que Felipe foi visitar, e de que falam os documentos?(documento 1)

É difícil dizê-lo. Ficamos aguardando esclarecimentos que as pesquisas históricas possam trazer.

Morte do Príncipe Felipe sem encontrar a filha

O fato é que o Príncipe Felipe, após anos de ausência, voltou para a sua terra natal. Apresentou-se primeiro ao bispo de Tarantasia, D. Eduardo de Saboia (+ 1395), seu tio. Depois iniciou a procura de sua filha, dissimulado sob pseudônimo.

Os anos passaram-se. As rugas surgidas na face, as roupas de mendigo, nada lembravam em Felipe o jovem e temido chefe de armas que outrora fora. Ninguém o reconheceu.

Hautecombe abadia e mausoleu dos duques da Saboia
Hautecombe: abadia e mausoleu dos duques da Saboia
E sua procura foi infrutífera, apesar de visitar casas de familiares. Entre elas a da sua sobrinha, a Bem-aventurada Margarida de Saboia-Acaia.

Margarida de Saboia-Acaia, foi filha de Amadeu I de Sabóia-Acaia, Senhor do Piemonte e irmão do Príncipe Felipe, a Bem-aventurada Margarida de Sabóia (21-6-1390 – 23-11-1474) casou-se com Teodoro II Paleologo, Marquês de Monferrato.

Viúva aos 28 anos, fundou o mosteiro de dominicanas de clausura de Santa Maria Madalena, em Alba.

Sendo venerada como santa, São Pio V aprovou em 1566 seu culto no mosteiro, e Clemente X estendeu-o a toda a Ordem Dominicana. Foi proclamada Beata em 1-9-1838.

Em dezembro de 2001, com aprovação da Congregação dos Santos, o seu corpo foi exumado, verificando-se estar incorrupto, sem sinais de embalsamamento.

Na última vez que esteve com ela, em dezembro de 1418, desvendou-lhe sua verdadeira identidade, narrou-lhe o milagre na hora da execução e a vida posterior. Por fim, confiou-lhe a sua mais preciosa relíquia – a medalha do Beato Umberto -, pedindo que a entregasse à sua filha, caso ela aparecesse.

“Uma vez feita esta extrema revelação – diz um dos documentos -, por disposição divina, ele expirou na noite seguinte na igreja de São Francisco, sobre o sepulcro do irmão Ludovico de Saboia, enquanto ansiava voltar ao túmulo do Beato Umberto em Altacomba [Hautecombe em francês]”.( documento 1)

Holocausto aceito e o prenúncio de Fátima

A Beata Margarida ficou com a medalha. A filha do Príncipe Felipe tinha, juntamente com sua genitora, desaparecido havia muito tempo.

Na realidade, ela entrara “junto com a mãe no mosteiro Santa Catarina de Alba, tomando o nome de Soror Filipina, pelo pai que ela acreditava morto”. (documento 3)

Anos depois, a Bem-aventurada Margarida foi a Alba. Ali fundou o mosteiro de Santa Maria Madalena. Certo dia, Soror Filipina pediu sua transferência para o novo mosteiro. Tinha para isso uma autorização do Papa Nicolau V, datada de 16 de janeiro de 1448.

“Um certo monstro do Oriente, tribulação da humanidade”,
que seria morto por Nossa Senhora do Santo Rosário de Fátima
Mas apenas na hora da morte confessou à abadessa ser sua prima.

Também foi só nesse momento que Soror Filipina tomou conhecimento, por meio da Beata Margarida, da virtuosa morte de seu pai, por cuja salvação oferecera sua vida religiosa, assim como da passagem dele por Fátima. E enlevada, recebeu a milagrosa medalha.

Soror Filipina passou toda a sua vida na ignorância da aceitação de seu sacrifício.

Na hora da morte, a admirável arquitetonia de sua vida se lhe apresentou de modo fulgurante.

Mais ainda, o Céu premiou-a com a visão do triunfo futuro de Nossa Senhora sobre “um certo monstro do Oriente, tribulação da humanidade”,[...] que seria morto por Nossa Senhora do Santo Rosário de Fátima, se todos os homens a tivessem invocado com grande penitência”.(documento 2)

Providencial conservação dos documentos

A história, entretanto, não termina aí. Como foi dito, em 1454 todos os presentes lavraram documento para a posteridade, narrando a portentosa visão de Soror Filipina.

Dois séculos depois, em 1638, o Padre Jacinto Baresio O.P. publicou uma história da nobre família Sabóia, a pedido da Duquesa de Mântua, Margarida de Sabóia-Gonzaga, então vice-rainha (regente) de Portugal.

Na hora de escrevê-lo, o Pe. Baresio analisou a crônica de Soror Filipina e julgou que o episódio da execução do príncipe Felipe poderia macular a reputação da dinastia. Então simplesmente queimou-a...

Porém, assim que ele partiu, a abadessa e as mais antigas religiosas do mosteiro, que tinham lido o original, reconstituíram seu conteúdo, rubricando cada uma o texto em sinal de autenticidade, em 7 de outubro de 1640.

Em 1655, uma religiosa que só anotou suas iniciais deixou mais um documento escrito, confirmando tudo quanto dizia o anterior, nos seguintes termos:

“Dizem as memórias escritas que lá, na Lusitânia, há uma igreja numa cidadinha que se chama Fátima, edificada por uma antepassada de nossa Santa Fundadora Margarida de Sabóia, Mafalda rainha de Portugal e filha de Amadeu terceiro de Sabóia, e que uma estátua da Virgem Santíssima falará sobre acontecimentos futuros muito graves, porque Satanás fará uma guerra terrível; porém perderá, porque a Virgem Santíssima Mãe de Deus e do Santíssimo Rosário de Fátima, 'mais forte que um exército em ordem de batalha', vencê-lo-á para sempre”.

A. D. 1655. São Domingos, te confio estas folhas.

Soror C. R. M.”( Documento 2)