segunda-feira, 9 de julho de 2012

Santa Hildegarda profetizou a vinda do Anticristo como resultado de uma revolta universal na Igreja e na sociedade

Santa Hildegarda, abadessa de Bingen
Santa Hildegarda, abadessa de Bingen, profetisa do Novo Testamento
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Santa Hildegarda profetizou muitas coisas: descreveu a situação do tempo dela e fez profecias até o Anticristo, e isto tudo documentado com milagres.

A Providência quis que ela profetizasse porque se os homens tivessem tomado a sério o anúncio da Revolução, esta podia não ter vindo.

O profeta adverte para evitar o castigo, para evitar o precipício. Ele é a voz da Providência afastando do desvio, e ao mesmo tempo anunciando o castigo se os desvios não forem evitados.

Então ela profetizou até o Anticristo. Aqui vem então a explicação do igualitarismo, que é uma das fontes da Revolução anticristã, junto com a sensualidade.

O orgulho naturalmente produz o igualitarismo.

E Santa Hildegarda fala de prelados. Mas prelado na linguagem da Idade Média, e que se conservou até certo ponto na linguagem eclesiástica, prelado não era só eclesiástico.

Etimologicamente, a palavra prelado quer dizer aquele que está na frente, que foi selecionados, o principal.

Os prelados espirituais são os principais dentre o clero, como os bispos e cardeais. Os prelados temporais são os principais dentre a sociedade civil, portanto os nobres e alguns elementos da alta burguesia.

Então, Santa Hildegarda fala do espírito igualitário voltado contra todas as desigualdades eclesiásticas e civis.

Ela denuncia que haveria de vir a revolta protestante contra as desigualdades eclesiásticas e a Revolução Francesa contra as desigualdades civis.

“A santa anunciava uma época difícil, cujos primeiros sinais já se manifestavam”, escreve o Pe. Rohrbacher.

Santa Hildegarda, profetisa do Novo Testamento, anteviu uma Revolução universal
Santa Hildegarda, profetisa do Novo Testamento,
anteviu uma Revolução universal
Evidentemente é toda uma Revolução que ela descreve com estas características: “os vales queixam-se das montanhas, as montanhas tombam sobre os vales”.

É, portanto, uma crise completa, porque se as montanhas e os vales estão em revolta e as montanhas ruem, é um abalo universal. Precisamente como há o abalo universal na Revolução.

Continua: “Porque os súditos não sentem mais o temor de Deus, estão como que impacientes para subir aos cumes das montanhas, para acusarem os prelados, ao invés de acusarem os próprios pecados”.

É a revolta dos que estão embaixo. Porque eles não têm mais temor de Deus, não gostam de estar embaixo e querem ser os maiores.

Esta é a razão profundamente religiosa e moral da Revolução. É uma diminuição do temor de Deus, que produz o espírito de revolta igualitária.

Depois continua: “Dizem: sou mais adequado do que eles para superior”. Não é bem Revolução Francesa? O sufrágio universal, o povo que diz: nós mandamos melhor do que os nobres. Vamos organizar eleições. Não são mais os nobres que governam, mas é todo o mundo, o Zé Padeiro, o Zé Carniceiro, tem sua opinião a fazer para as eleições.

Bem: “Denigram... - quer dizer, falam mal de tudo quanto os superiores fazem - “por inveja” e por igualitarismo: “por ódio à superioridade”. Quer dizer: ódio à desigualdade enquanto desigualdade. Não pode ser mais claro.

“Assemelham-se a um insensato que, invés de limpar suas roupas sujas, nada faz a não ser observar de que cor é a roupa do próximo”. Quer dizer, as pessoas do povo têm uma má vida, e em vez de se corrigir começam a apontar a má vida dos que estão em cima.

Depois continua: “As próprias montanhas” – isto é, os prelados, quer dizer, os nobres, os clérigos e os burgueses –, “em lugar de elevarem continuamente a comunicações íntimas com Deus, a fim de cada vez mais se transformarem na luz do mundo, descuidam-se e obscurecem-se”. É o entibiamento da nobreza e do clero.

A nobreza e o clero devem ter um espírito elevado. O próprio do nobre é ser uma tocha de sublimidade em todos os ambientes onde ele está. Elevar os costumes, elevar a arte, elevar o ambiente, com vistas a Deus, com uma finalidade fundamentalmente religiosa.

Mas Santa Hildegarda denuncia seu entibiamento de um modo bem expresso: “descuidam-se de se elevar, e se obscurecem”.

Santa Hildegarda de Bingen
Santa Hildegarda de Bingen
O mau católico descuida de elevar seu pensamento. Ele gosta de conversar banalidades, estrada, futebol, mas das coisas elevadas não gosta. Nessa recusa começa o obscurecimento na alma. A luz da graça vai se apagando. E isto Santa Hildegarda denuncia.

Bem, “daí a sombra e a perturbação que reina nas ordens superiores”; a inveja dos inferiores e a própria maldade dos inferiores resulta do relaxamento dos superiores. Isto é profundamente arquitetônico: se os pastores espirituais e temporais se descuidam, a grei cai.

“E porque vós, grande Pastor e Vigário de Cristo, deveis buscar luz para as montanhas e conter os vales”: quer dizer, é tarefa do papa chamar o clero, chamar a nobreza, reprimir, comunicar a luz e conter os vales. Em vez de fazer revolução social, em vez de estar falando de justiça social em termos imprudentes, conter a Revolução. Esta é que é a obra do Pastor.

E, então: “dai preceitos aos senhores e disciplinas aos súditos”.

O profeta Isaías diz: “O pai que poupa a vara a filho, odeia seu filho”. Conter é isto: é meter medo; depois vem o carinho, depois vem o apoio. Greves, revoltas, etc., primeiro fiquem quietos e acabem com a greve, e se ponham em paz. Depois eu vou atender, vou ver o que é que há. Mas nessa atmosfera, não! Assim não tem conversa.

“O Soberano Juiz recomenda-vos que condenais e repilais de junto de vós os tiranos importunos e ímpios, no temor de que, para vossa grande confusão, eles se imiscuam na vossa sociedade”.

Quer dizer, tiranos e ímpios devem ser expulsos de junto do Papa, “mas sede compassivo com as desgraças públicas e particulares, pois Deus não desdenha as chagas e as dores daqueles que O temem”. Quer dizer, o Papa que tenha zelo pela Igreja e pela sociedade civil, e não fique de braços cruzados.

Por que Deus quis que ela tivesse essas visões?

Porque o verdadeiro católico tem que ter uma Filosofia da História.

Ele deve saber que sua época é um elo entre o passado e o futuro, e interpretar os acontecimentos de sua época não como acontecendo só hoje, mas como nascidos de mil fatores do passado e gerando mil coisas no futuro.

É um processo, quer dizer, uma coisa que gera outra, que gera outra, que gera outra e outra. Então, para nós conhecermos este processo, veio esta revelação.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 16.9.66. Sem revisão do autor)



11 comentários:

  1. Parabéns pelo blog, que Deus continue te inspirando através do Espírito Santo. Já estou seguindo.

    Se quiser visite:
    http://diariodeumavocacionada.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Algumas profecias se contradizem em muitos pontos. Parecem forçadas.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Discordo. Se vc não mostra em que elas "se contradizem e parecem forçadas", então seu argumento é vão e falacioso.
      Ademais, é preciso distinguir as profecias da santa em si dos comentários do autor do artigo, pois este último parece interpretar de maneira particular o que não necessariamente seria a interpretação correta.
      Para mim, as profecias da santa em si estão em perfeita sintonia com que estamos vendo atualmente. Não só as deste artigo, mas outras profecias especialmente. Pax.

      Excluir
  3. Uma coisa é certa: devemos fazer a vontade de Deus em todos os momentos da nossa vida. Isso ajuda a construir um mundo melhor, mais justo, mais fraterno e melhor para todos.

    ResponderExcluir
  4. Deus e nossa senhora nos ajude, porque os seres humanos estão muito doentes....


    ResponderExcluir
  5. Mesmo! Temos de orar muito pela salvação do mundo, pela conversão dos pecadores.

    ResponderExcluir
  6. É preciso distinguir as profecias da santa em si dos comentários do autor do artigo, pois este último parece interpretar de maneira particular o que não necessariamente seria a interpretação correta.

    ResponderExcluir
  7. Na Divina Comédia de Dante o Anjo das Cinco Esferas é Marte, o Anjo do Martírio e do Extermínio, é na Quinta Esfera do Reino do Ceo onde fica a Morada de Marte e de seus filhos Pânico e Terror, e é onde fica a Morada dos Mártires também, dos sempre Monárquicos Cavaleiros de Cristo e São Bernardo.

    ResponderExcluir
  8. A linguagem atribuída à Abadessa Von Bingen, não parece à de alguém do século XIII. De quem é a tradução usada pelo autor dos comentários?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É do Pe. Réné François Rohrbacher, na sua famosa “Vida dos Santos”, Editora das Américas, São Paulo, Volume XVI, como está no início da série de posts em: Santa Hildegarda, profetisa da Revolução e da Contra-Revolução https://aparicaodelasalette.blogspot.com/2012/06/santa-hildegarda-profetisa-da-revolucao.html.

      Excluir