segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Santa Teresa de Jesus e os Apóstolos dos Últimos Tempos

Santa Teresa de Jesus, em 1615
Peter Paul Rubens (1577-1640) Kunsthistorisches Museum, Viena
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Em La Salette, Nossa Senhora confiou à vidente Melania uma Regra para os Apóstolos dos Últimos Tempos, — Ordem ou Instituto que Nossa Senhora Ela própria suscitaria e animaria nos momentos de calamidade que Ela anunciava.

Dificilmente algum santo falou com tanta força, propriedade e pormenor sobre estes Apóstolos dos Últimos Tempos quanto São Luis Maria Grignion de Montfort.

CLIQUE AQUI PARA VER O QUE ESCREVEU SÃO LUIS MARIA.

Mais sobre os Apóstolos dos Últimos Tempos e La Salette

São Luís Maria não foi o único santo ou alma privilegiada com luzes proféticas que falou desses Apóstolos futuros. No “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, ele mesmo cita outros santos que o precederam nessa visão profética.

A grande Santa Teresa de Jesus OCD (1515 — 1582), ou Santa Teresa de Ávila, Doutora da Igreja, também foi agraciada com visões sobrenaturais sobre essa Ordem vindoura.

Acresce que a Santa fornece alguns elementos que não estão presentes nas demais visões ou reflexões proféticas.

Santa Teresa escreveu o que ela viu a respeito no “Livro da Vida”, (Capítulo 40, nº 12, págs. 186-187).

“12. Estando certa vez em oração com muito recolhimento e suavidade e quietude, pareceu-me estar rodeada de anjos e muito perto de Deus. Comecei a suplicar à Sua Majestade pela Igreja. Foi-me então dado a entender o grande proveito que produziria uma ordem nos derradeiros tempos e a fortaleza com que os seus membros haveriam de sustentar a fé”.

“13. Estava certa vez rezando perto do Santíssimo Sacramento, quando apareceu diante de mim um santo cuja Ordem esteve algo decaída. Tinha nas mãos um livro grande; abriu-o e me disse que lesse umas letras que eram grandes e muito legíveis, e diziam assim: “Nos tempos vindouros florescerá esta Ordem; haverá muitos mártires”.

Queda dos anjos rebeldes Pieter Bruegel o velho (1525-1569) Royal Museums of Fine Arts, Bruxelas, detalhe.
Queda dos anjos rebeldes
Pieter Bruegel o velho (1525-1569)
Royal Museums of Fine Arts, Bruxelas, detalhe.
“14. Numa outra vez, estando nas Matinas no coro, se apresentaram e se puseram diante de mim seis ou sete, me parece que seriam dessa mesma Ordem, com espadas nas mãos.

“Acredito que isso dava a entender que vão defender a fé; porque outra vez, estando em oração, meu espírito foi arrebatado e me pareceu estar num grande campo onde combatiam muitos, e estes dessa Ordem pelejavam com grande fervor.

“Tinham os rostos formosos e muitos acessos, e deitavam muitos por terra derrotados, e a outros matavam. Me parecia que esta batalha era contra os hereges.”

“15. A este glorioso santo eu vi algumas vezes e me falou algumas coisas, e ele me agradeceu a oração que faço pela sua Ordem e me prometeu de me recomendar ante o Senhor.

“Não digo as Ordens. Se o Senhor for servido se sabendo, Ele as fará conhecer, para que as outras não sofram agravio. Porém, cada Ordem deveria procurar, e cada membro delas por si próprios, para que o Senhor torna-se tão ditosa sua Ordem para a em tão grande necessidade como a que agora padece a Igreja, lhe serviam desse modo. Ditosas as vidas que nisto se extinguirem!”

A prestigiosa editora espanhola que citamos como fonte bibliográfica traz uma densa nota sobre a originalidade destas visões.

De fato, Santa Teresa insiste em que os Apóstolos dos Últimos Tempos pertencerão, ou terão uma relação especial com uma instituição religiosa que existia ou que segue existindo, embora tenha passado por uma decadência.

Obviamente, algumas ordens religiosas acharam que a visão se referia a elas, notadamente os dominicanos e os jesuítas que, naquela época, passavam por um grande momento.

A BAC, porém cita ao historiador Pe. Jerónimo de San José (Historia del Carmen Descalzo, l. 1, c. 21, n. 5, p. 214-215) segundo o qual as visões não podem se aplicar nem aos jesuítas nem aos dominicanos.

De fato, essas ínclitas instituições não tinham passado pela decadência – pelo menos até aquele momento – referido pela Santa.

Para o mencionado historiador, as visões só podiam se referir à Ordem do Carmo. Essa sim havia passado por provações e decadências que a deixaram ao borde da extinção.

Queda dos anjos rebeldes Pieter Bruegel o velho (1525-1569) Royal Museums of Fine Arts, Bruxelas, detalhe.
Queda dos anjos rebeldes
Pieter Bruegel o velho (1525-1569)
Royal Museums of Fine Arts, Bruxelas, detalhe.
Mas há um outro dado histórico referido pelo Pe. Jerónimo de San José: “estas conjecturas bastam para ter como certo o que dissemos; porém um testemunho e uma palavra ainda mais certa da verdade, tiramos da mesma Santa, que ainda em vida declarou que se tratava da Ordem do Carmo reformada.

“E isto ela disse com tanta segurança e afirmatividade, que a um religioso filho seu que lhe perguntou, chamado frei Angel de San Gabriel, ela respondeu com simplicidade e amor de mãe: “Bobo, de quem haveria de se entender senão da nossa Ordem?”

“Este testemunho correu sempre na Ordem como coisa aceita sem controvérsia, confirmada pelas pessoas que o ouviram da boca da Santa, como testemunha o muito venerável bispo de Tarazona D. Fr. Diego de Yepes” (III 17).

É de se notar que quando Santa Teresa escreveu estas visões, ainda nem tinha pensado da reforma da rama masculina dos carmelitas, se tratando pois de um anúncio profético. (Cf Tomás de la Cruz, Pleito sobre visiones, Epehmerides Carmelit. 8 (1957), p. 3-43. (apud Libro de la Vida, p.215).

Nesta perspectiva, os Apóstolos dos Últimos Tempos se inseririam na gloriosa linhagem espiritual do Carmo.

Seriam eles sacerdotes dessa Ordem? O fato de portarem armas e matarem inimigos em combate não condiz com a interdição eclesiástica ao uso e porte de armas.

Mas poderia ser algo assim como uma Ordem Terceira. Por certo, é um problema que merece serena observação, reflexão e meditação.

(Fonte: Santa Teresa de Jesús O.C.D., “Libro de la Vida” apud Obras Completas, BAC nº 212, Madrid, 1979, 6ª Ed. revisada, 1184 páginas).