segunda-feira, 31 de julho de 2017

Beato carmelita: convergência ecumênica
prepara a religião universal do Anticristo

Para o santo e clarividente carmelita, uma confusão imprudente entre as religiões, favorece o ambiente para o Anticristo instaurar sua ditatorial religião universal. Foto: encontro ecumênico de Assis, em 27 de outubro de 1986
Para o santo e clarividente carmelita, uma confusão imprudente entre as religiões,
favorece o ambiente para o Anticristo instaurar sua ditatorial religião universal.
Foto: encontro ecumênico de Assis, em 27 de outubro de 1986
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Continuação do post anterior: A marcha alucinada do mundo e a rede de intercomunicação global





O império ou república universal planetária, que o bem-aventurado Palau via se formar segundo planos luciferinos anticristãos, deverá ter como consequência e pilar fundamental o afloramento de uma religião universal.

Há hoje um ecumenismo imprudente que parece caminhar para esse fim.

“Oficialmente não haverá outra religião senão a do Estado. Um só Deus, uma só religião.

“E esse Deus será o Anticristo, e essa religião, a anticristã”, escreveu (“Incendio de barracas en Barcelona”, El Ermitaño Nº 170, 8-2-1872).

Nela deverão se amalgamar todas as crenças, numa convergência caótica favorecida e até estimulada pelas transformações globalizantes que acontecerão na esfera temporal.

Tudo isso sem muitas preocupações pela verdade ou pelo erro, pelo que é moral ou imoral, no ambiente consagrado pela expressão “ditadura do relativismo”.

Mas, previa o B. Palau, essa confluência de todos com todos não trará a verdadeira paz.

Pelo contrario, disfarçada de conhecimento e compreensão recíproca entre religiões, seitas e filosofias, essa enxurrada ecumenista, na prática, espalhará a confusão e a inevitável discórdia da humanidade para atingir um paroxismo que beirará no desespero:

“Unidos pelo vapor e pela eletricidade num mesmo vagão, ficarão o cristão, o mouro, o judeu, o protestante, o cismático, o missionário, a monja, o frade, a prostituta.

“Postos lado a lado todos os programas religiosos de todas as nações, na religião será inevitável outro choque, mais terrível sem comparação que o político.

“Essa guerra religiosa jogará o pai contra o filho, um vizinho contra outro, um povo contra outro povo e uma nação contra outra.

“Completar-se-á a dissolução social no orbe inteiro a partir do seio da família, e chegará até o trono do rei nos palácios” (id. ibid.).

Em encontro ecumênico, ídolo de Buda sobre o sacrário do altar. Assis, 27 de outubro de 1986.
Em encontro ecumênico, ídolo de Buda sobre o sacrário do altar. Assis, 27 de outubro de 1986.
O bem-aventurado discerniu o fundo satânico dessa religião universal num convite lançado pelo espiritismo:

“Essa seita acaba de fazer um convite geral a todas as religiões por ordem dos espíritos superiores, para que todas, inclusive o catolicismo, se unam e constituam uma só religião sob a direção dela.

“Podemos chegar mais longe? O que é que é isto? Aonde iremos a parar?” (“Plan del espiritismo”, El Ermitaño, Nº 29, 20-5-1869).

Um século antes da perfuração do túnel debaixo do Canal da Mancha, o bem-aventurado comentou um projeto de unir a Grã-Bretanha ao Continente:

“Pensa-se criar uma ponte gigantesca entre Calais e Douvres, que porá a Inglaterra em comunicação com o continente.

“Segundo o plano apresentado pelo engenheiro francês M. Boutet, a ponte se apoiará sobre vinte e nove arcos, e se tem completa segurança de colocar os pilares correspondentes, rodeados além do mais de cabos, que em vez de serem um perigo, servirão de abrigo para os buques nas terríveis tempestades do estreito.

“No Istmo de Suez será inaugurado um canal que põe em comunicação as águas do Mediterrâneo com o mar das Índias, em outubro do ano em curso.

“Damos estas noticias porque os fatos a que se referem desenvolvem e explicam as profecias relativas ao império universal, primeiro sobre a terra do Anticristo, e depois de Cristo e de sua Igreja.

“Pela monstruosa ponte teremos a Inglaterra unida às demais nações da Europa, e pelo canal de Suez o presidente da república federal comunicará com as quatro partes do globo” (“Monarquía democrática”, El Ermitaño, Nº 32, 10-6-1869).

Na inauguração do Canal de Suez, o bem-aventurado registrou outro indício premonitório dessa religião universal:

A inauguração do Canal de Suez foi comemorada com leviana euforia. Pareceu prenuncio de paz globalizada pela confluência comercial dos povos e o encontro das religiões. O Beato previa um gigantesco desentendimento entre povos e crenças.
A inauguração do Canal de Suez foi comemorada com leviana euforia.
Pareceu prenuncio de paz globalizada
pela confluência comercial dos povos e o encontro das religiões.
O Beato previa um gigantesco desentendimento entre povos e crenças.
“O canal de Suez já foi aberto para a navegação de todas as nações. No momento de comunicar o Mediterrâneo com os mares da Índia, as águas foram abençoadas simultaneamente por um sacerdote católico, um pope grego, um pastor protestante, um armênio, um ulema e um budista” (“El Istmo de Suez”, El Ermitaño, Nº 58, 9-12-1869).

Um século antes, o B. Palau discernia em gestos como esse – hoje repetitivamente banais – um ecumenismo imprudente, penetrado pelo espírito da Revolução.

A religião planetária se estava gestando. Mas seu fim último não era levar todas as almas para a única Igreja verdadeira.

Pelo contrario, urdia-se uma falsa convergência ecumênica que preparava para adorar Satanás como que habitando em alguma figura que se fará conhecer como único e sumo representante da Revolução.


Como é que conceitos como “ecumenismo” podem ser distorcidos a ponto de transmitir o oposto do que significam? A este respeito veja-se a obra do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira Baldeação ideológica inadvertida e diálogo, Editora Vera Cruz, 5ª ed. 1974.

“A palavra “ecumenismo” – explica o Prof. Corrêa de Oliveira – tem, de si, um sentido excelente.

“No entanto, ela é susceptível também de um significado irênico. Admitidas todas as religiões como “verdades” relativas, postas entre si num diálogo hegeliano, o ecumenismo toma o aspecto de uma marcha dialética de todas elas para uma religião única e universal, integrada sinteticamente pelos fragmentos de verdade presentes em cada uma, e despojada das escórias das contradições atualmente existentes.

“Visto assim, o ecumenismo é uma imensa preparação de todas as religiões, feita através do diálogo hegeliano, para, uma vez unificadas, entrarem em ulterior diálogo com a antítese comunista.” (op. cit., p. 101).

O império da Revolução e o Anticristo

Para o clarividente Beato Palau, a república federal universal que estava sendo preparada consistiria num estado de coisas edificado em desafiante abstração do Criador.

Contemplando a imensa – mas periclitante – Babel revolucionária, fruto de suas mãos, os homens seriam tomados de uma autossatisfação raiando na adoração.

Essa república universal sem fronteiras e sem autoridades respeitáveis seria a realização mais ousada do “Não servirei!” de Lúcifer, entoado por vozes humanas.

Surgiria um mundo que se levanta caprichosamente segundo leis dadas pelos homens a si próprios, desconhecendo a autoridade do Legislador Supremo.

Assim sendo, o bem-aventurado estava certo de que os tempos do Anticristo profetizados no Apocalipse estavam se tornando realidade já na sua época, mas que haveria de atingir sua plenitude proximamente:

“Aquilo que São João viu em visão profética [N.R.: Apocalipse] nós o olhamos com os nossos próprios olhos. Satanás, diz no capítulo XX, será desencadeado, sairá de seu cárcere e seduzirá as nações que vivem nas quatro partes do mundo Essa corrupção, sedução e apostasia é já um fato consumado” (“Antonia”, El Ermitaño, Nº 81, 26-5-1870).

O império ou república universal concretizaria o sonho do filho da perdição previsto por São Paulo na sua segunda epístola aos Tessalonicenses (II Tess, 1-12).

Veja o comentário de Santo Tomás de Aquino a essa epístola em: O Anticristo, segundo Santo Tomás de Aquino


Comentando essa epístola, o Beato Palau escreveu:

“No que se refere à vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo (...) antes deve vir a apostasia e deve se manifestar o homem da iniquidade, o filho da perdição, que se opõe e se insurge contra tudo o que se chama Deus ou é adorado, até se sentar no templo de Deus e se proclamar Deus a si próprio” (II Tes, II, 1-12).


Na encíclica E supremi apostolatus, de 4 de outubro de 1903, São Pio X ensina:

“Quem pesa estas coisas tem direito de temer que uma tal perversão dos espíritos seja o começo dos males anunciados para o fim dos tempos, e como que a sua tomada de contato com a terra, e que verdadeiramente o filho de perdição de que fala o Apóstolo (2 Tess 2,3) já tenha feito o seu advento entre nós, tamanha é a audácia e tamanha a sanha com que por toda parte se lança o ataque à religião, com que se investe contra os dogmas da fé, com que se tende obstinadamente a aniquilar toda a relação do homem com a Divindade!

“Em compensação, e é este, no dizer do mesmo Apóstolo, o caráter próprio do Anticristo, com uma temeridade sem nome o homem usurpou o lugar do Criador, elevando-se acima de tudo o que traz o nome de Deus.

“E isso a tal ponto que, impotente para extinguir completamente em si a noção de Deus, ele sacode entretanto o jugo da sua majestade, e dedica a si mesmo o mundo visível à guisa de templo, onde pretende receber as adorações dos seus semelhantes.

“Senta-se no templo de Deus, onde se mostra como se fosse o próprio Deus (2 Tess 2,2)”.

(San Pio X, Encíclica E supremi apostolatus, in Escritos Doctrinales, Ediciones Palabra, Madrid, 4ª ed., 1975, 557 págs., pp. 19-21).

Para os espíritos superficiais, desinteressados face à existência e aos objetivos da Revolução, a instalação desse poder de atração universal terá algo de repentino.

Para dar uma ideia de um fato tão surpreendente, o B. Palau apelava para os exemplos das fulgurantes campanhas militares de Napoleão I e de Guilherme de Prússia.

O mundo ainda não conhecia as conquistas desconcertantes de que a guerra psicológica revolucionária é capaz, nem os bruscos surgimentos de líderes políticos e mudanças da opinião pública operadas pelos meios de comunicação social:

“O Anticristo vai nos pegar de surpresa – dizia.

“Hoje somos aquilo que somos, mas amanhã na hora de acordar ser-nos-á anunciado que um gênio guerreiro desfez as potências mais fortes do globo, e que tendo nós perdido a nacionalidade, estamos sob o seu domínio.

“No dia seguinte um decreto imperial anunciará a supressão do culto católico em todo o universo.

“Em outro dia serão publicadas as penas em que incorrem aqueles que não se rendam às leis do imperador” (“Roma”, El Ermitaño, Nº 12, 21-1-1869).

Continua no próximo post: Como será a pessoa do Anticristo


6 comentários:

  1. Extremamente interessantes as duas frases do Beato Palau que encerram este artigo.

    “No dia seguinte um decreto imperial anunciará a supressão do culto católico em todo o universo."

    “Em outro dia serão publicadas as penas em que incorrem aqueles que não se rendam às leis do imperador”

    Será que, com esse decreto que proibirá o culto católico, é que se iniciará a ABOMINAÇÃO DA DESOLAÇÃO??? Muitos católicos têm interpretado essa expressão "abominação da desolação" como a proibição da santa missa no final dos tempos, no reinado do Anticristo.
    Há um padre na internet que afirma que estão preparando uma espécie de imitação da missa que será rezada por católicos e protestantes e que essa imitação se chamará "santa memória". Seria isso é mais um sinal do que está por vir, isto é, a proibição da santa missa? Esta geração presenciará estes fatos ou será uma outra geração mais adiante? Quaisquer que sejam as datas, que Deus nos prepare para estes tempos difíceis em que estão por vir.

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  2. Tem um padre na internet que prega diariamente sobre a revolução que está se passando na Igreja diante dos nossos próprios olhos. Esse padre falou hoje novamente sobre o projeto de criar/inventar "a santa memória", e da possibilidade de invalidação as missas católicas por alguns motivos. Ele falou de um termo teológico protestante que desconheço - a consubstânciação - e que se um padre católico celebrasse uma missa com a mentalidade da consubstânciação e não com a da transusbstânciação, a missa se tornaria inválida. Falou muitas outras coisas interessante, mas como não tenho um conhecimento aprofundado do tema, faço esse comentário apenas como uma nota.

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  3. Vendo a foto de João Paulo II participando do Encontro Ecumênico de Assis, isso me faz lembrar de uma entrevista com o Pe. Malachi Martin em que ele falava que o Papa João Paulo II "estava muito empenhado com a Nova Ordem Mundial". Com essa expressão, obviamente, não quero dizer que João Paulo II estava do lado dos inimigos da Igreja, mas ela nos dá uma luz sobre o passado recente da Igreja; como as forças das trevas que trabalham para destruir a Igreja se tornaram tão fortes e poderosas em nosso tempo que foram capazes de influenciar um papa por mais santo que ele fosse. A respeito disso, o Olavo de Carvalho disse algo interessante também, mas num tom mais moderado. Ele disse que João Paulo II "pulava que nem um cabritinho diante da Nova Ordem Mundial", que às vezes ele cedia às propostas da Nova Ordem Mundial, às vezes resistia. (Vou ver se acho o link do vídeo em que o Olavo de Carvalho diz isso e partilho aqui)

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  4. Veja essa notícia!
    Scaraffia: ouvir também as mulheres para escolha dos bispos
    http://br.radiovaticana.va/news/2017/07/31/scaraffia_ouvir_tamb%C3%A9m_as_mulheres_na_escolha_dos_bispos/1328056

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  5. Meus amigos, João Paulo II não sabia que os maus iriam por simbolos pagãos dentro da igreja. Não lhe foi dito muitas coisas que foram planeadas nas suas costas.
    Bento 16, sabendo bem desses truques e o que tinha acontecido em Assiz, quando ele foi eleito Papa, ele impediu todas essas infracções dentro da nossa igreja.
    Therefore dont think JPII was a modernist, heretic lr anti pope.
    God bless

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    Respostas
    1. Por mais que João Paulo II tenha sido santo, isso não significa que ele não tenha cometido erros, que não tenha tomado decisões erradas; os santos também tiveram os seus condicionamentos humanos e limitações humanas, mesmo os papas que foram santos. A história tem colocado muitas luzes sobre o papado de João Paulo e, com o passar do tempo, muitas outras coisas serão melhor compreendidas. Esperamos também que a história ilumine os recentes acontecimentos da renúncia de Bento XVI e de seu papado tão atacado pelos inimigos da Igreja.
      God bless you too! God bless all of us!

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