Beata Ana Maria Taigi

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





A contemplativa da luta entre a Luz e as Trevas

A Beata Anna Taigi (1769-1837) foi uma alma a quem Deus revelou a luta entre a Revolução e a Contra-Revolução, da qual a fez participar através de um especial devotamento ao Papado.

Em 29 de maio de 1769, na poética Siena, num lar popular rico de tradições cristãs, veio ao mundo uma menina sobre a qual pesariam os destinos da Igreja.

Ao invés da tranquilidade e das consolações decorrentes de uma vida ordeira e laboriosa, ela teve em troca cruzes de extraordinário valor sobrenatural.

O infortúnio financeiro levou seus pais a se mudarem para Roma em busca de melhor sorte. Mas eles logo morreram, deixando Ana Maria órfã numa cidade “estrangeira”, pois Roma e Siena pertenciam na época a países diferentes.

Sem saber ler nem escrever, a jovem foi trabalhar no palácio da nobre família Maccarani, onde conheceu seu futuro marido, Domenico Taigi, pajem no palácio dos príncipes Chigi, na cêntrica Piazza Colonna – hoje sede do primeiro ministro da Itália.

Domenico era trabalhador e sério, mas deu-lhe muita ocasião para praticar a paciência. Tiveram sete filhos, três dos quais morreram em sua primeira infância.

Ana Maria Gesualda Giannetti de Taigi (29/05/1769 – 09/06/1837) foi uma excelente dona de casa, dedicada a todos, apesar de seus exíguos recursos.

Muito piedosa, ingressou na Ordem Terceira da Ordem da Santíssima Trindade – os trinitários – com sede na igreja de San Carlo alle Quattro Fontane.

O sol misterioso

Desde a sua adolescência, Ana Maria foi aquinhoada por Deus com um favor único: o de ter sempre presente diante de seu olho esquerdo um sol, qualificado de “místico”, mas muito voltado para as realidades temporais.

O Pe. Bouffier S.J. nos fala desse sol misterioso onde Deus quis lhe mostrar “os fios secretos dos movimentos do mundo”:
O livro do Pe. Bouffier SJ. Fala-se muito da beata,
mas muitos poucos livros lhe foram dedicados.
E com razão: Deus falou por meio dela coisas graves demais.
“Era uma maravilha ouvir uma boca tão apagada narrar com serena candura as agitações das sociedades, as convulsões dos povos, a derrubada das dinastias, e até nesses grandes acontecimentos da História, os detalhes íntimos e escondidos dos corações que só o olhar de Deus pode penetrar. (...)

“Sob essa luz ela via o estado das consciências, a situação das diversas nações da terra, as revoluções, as guerras, os planos dos governos, as maquinações das sociedades secretas, as armadilhas montadas pelos demônios, os crimes, os pecados, as superstições dos idólatras, os flagelos que Deus havia preparado para punir as prevaricações humanas”.

O sol lhe apareceu pela primeira vez por volta de 1790, quando ela se flagelava em seu pequeno oratório doméstico.

E nunca se afastou de sua vista, acompanhando-a por toda parte, dia e noite, até a sua morte, acontecida 47 anos depois.

Quando viu esse sol pela primeira vez, Ana Maria foi tomada de temor. Consultou então seu confessor, que lhe ordenou pedir uma explicação a Deus. Assim o fez, tendo recebido esta resposta:
“Este é um espelho que Eu te mostro, para que conheças o bem e o mal que é praticado”.

O confessor lhe preceituou então que pedisse a Deus para retirar esse dom, concedendo-o às virgens dos claustros. Ela obedeceu, mas Deus lhe respondeu que Ele era livre para fazer o que bem entendesse, e que o confessor deveria tão-só cumprir bem o seu dever, e nada mais.

Inicialmente o sol místico apareceu com a cor do fogo, mas com os anos ficou cada vez mais brilhante, tendo a Beata comparado-o a sete sois simultâneos. O tamanho era do sol natural acrescido de raios.

Ele ficava a uma distancia de doze palmos de seu olho e a três palmos acima de sua cabeça, conservando sempre essa posição – esclarece o Pe. Bouffier S.J. (op. cit., p. 199).

Fato singular, com um olho doente e quase cego ela via esse sol, o qual alimentava seu dom de profecia e presciência, atraindo grandes dignitários eclesiásticos e civis de Roma, que acudiam à sua pequena casa para pedir orações e fazer consultas.

O corpo da Beata Ana Maria Taigi tal como está exposto na igreja de São Crisógono, Roma


Mons. Natali, o anotador das visões

Certa noite bateu à porta de sua humilde casa um jovem sacerdote, que não tendo onde dormir perguntou-lhe se não haveria um cantinho onde pernoitar. Ele vinha recomendado por São Vicente Maria Strambi, confessor da Beata.

Ana Maria tinha um quartinho, que cedeu generosamente ao sacerdote. Ele haveria de ficar com ela por volta de 30 anos!

Já muito aflita pelas dificuldades materiais do lar, a bem-aventurada elevou uma confiante queixa a Deus: “Já está tão difícil, e agora mais este!”

Deus lhe fez conhecer seu desígnio sobre esse sacerdote. De fidalga família, ele fora a Roma sonhando fazer carreira eclesiástica, mas recusou todos os convites para entrar em sociedades condenadas pela Igreja, tendo por isso sido expulso das residências eclesiásticas onde morou.

Em atenção a esse nobre gesto, Deus o encaminhou para a casinha da Beata. Ele deveria ser o anotador de suas visões.

Mais tarde, foi uma das mais importantes testemunhas em seu processo de beatificação. Seu nome era Mons. Raffaele Natali.

Mons. Natali anotava às pressas o que a Beata via no sol místico, com a intenção de reescrever tudo com vagar e boa caligrafia.

E as mais de quatro mil páginas manuscritas pelo bom sacerdote ficaram realmente para serem reescritas, com algumas exceções. Elas constituem o tesouro mais precioso da vida desse eclesiástico, por nos permitirem conhecer um dos personagens mais importantes da primeira metade do século XIX: a beata Ana Maria Taigi!

Elas foram cuidadosamente analisadas no processo de beatificação, sobretudo pelo fato de não serem redigidas diretamente por ela e incluírem anotações pessoais do religioso.

Pesadas todas as minudências e ouvido o “advogado do diabo”, a conclusão oficial foi: “Estes escritos podem ser considerados como trabalho da Venerável Serva de Deus” (Proc. Apost. fol. 921).




Visões da Beata Ana Maria Taigi
concordam com La Salette


Beata Ana Maria Taigi
Após apontar para a decadência moral e o progresso da Revolução anti-crista, no mundo em geral e do clero em particular, Nossa Senhora fez anunciou em La Salette grandes castigos purificadores da terra.

Esses anúncios não são exclusivos de La Salette.

No mesmo século XIX, poucas décadas antes do acontecimento de La Salette, Deus revelou à Beata Ana Maria Taigi esses mesmos castigos.

A comparação é especialmente sugestiva porque não houve contato de nenhuma espécie entre a Beata e os videntes de La Salette.

Uma das provas documentais mais sérias sobre as visões da Beata Ana Maria Taigi é o testemunho juramentado e entregue ao Vaticano pelo seu confessor e confidente. O documento faz parte do processo de beatificação da vidente romana.

Mons. Natali introduz a narração dizendo:

“Quase todas as almas heróicas que resplandeceram em Roma na primeira metade do século XIX, desde o Venerável Pallotti, até o Beato Del Bufalo, desde o Venerável Clausi até a Venerável Canori-Mora, profetizaram que depois da tempestade que no seu tempo se formava sobre a Igreja, depois das perseguições, que afligiam então ao Papado, teria chegado o triunfo do Catolicismo, triunfo luminoso, solene e completo.

Mons. Natali anotou as visões em milhares de folhas
Mas, quando haveria de se verificar esse triunfo? A qual época histórica está reservado saudar esse grandioso acontecimento que tantos fiéis da humanidade toda há muito tempo aguardam? Eis o misterioso enigma, sobre o qual a Beata Taigi veio deitar, se não me engano, um raio de luz que conforta e tranqüiliza.”

Eis quanto Mons. refere textualmente a respeito dessa profecia:

“Desde os tempos de S.S. o Papa Pio VII, quer dizer no ano 1818, a Serva de Deus descreveu para mim a revolução de Roma e tudo o que aconteceu, e a seguir falou-me muitas vezes, aliás, de um modo muito mais espantoso, dizendo que tinha sido mitigada pelas orações de muitas almas caras a Deus, que se ofereceram a Ele em satisfação da Justiça Divina.

“Porém, ela disse-me que a iniqüidade haveria de avançar triunfante e muitos que se acreditava serem bons teriam tirado a máscara, e que o Senhor queria descobrir a cizânia e que depois Ele teria sabido o que fazer dela.

“Que as coisas estariam de tal maneira convulsionadas que o homem já não seria capaz de as pôr em ordem, mas que Seu braço onipotente haveria de remediar tudo.

“Ela me disse que o flagelo da terra tinha sido mitigado, mas não o do céu que era horrível espantoso e universal.

“Que o Senhor não o tinha dado a conhecer nem às almas por Ele mais amadas nesta terra.

“Que teria chegado inesperadamente e que os ímpios teriam sido destruídos.

“Que antes desse flagelo todas as almas que na sua época tinham fama de santidade deveriam estar todas sepultadas.

“Que numerosos milhões de homens deveriam morrer por obra do ferro, uma parte nas guerras, outra parte em conflitos, e outros milhões de morte imprevista ‒ entenda-se que por todo o mundo.

“Que, em conseqüência, nações inteiras haveriam de voltar à unidade da Igreja Católica, muitos turcos, gentios e hebreus hão de se converter de um modo que surpreenderá aos cristãos que ficarão admirados pelo fervor e observância que mostrarão com sua vida.

“Numa palavra, ela disse-me que o Senhor queria purgar o mundo e Sua Igreja, e para isso ele preparava uma nova safra de almas que, desconhecidas, apareceriam para realizar obras grandes e milagres surpreendentes.

“Ela me disse que depois de que o Senhor tivesse varrido a terra com guerras, revoluções e outras calamidades, haveria de começar o céu e então teria lugar o fim de dito flagelo com uma convulsão geral de fenômenos meteorológicos os mais espantosos e com grande mortalidade.

Corpo admiravelmente conservado da Beata, igreja de S. Crisógono, Roma
“A Serva de Deus me disse várias vezes que o Senhor lhe fez ver no misterioso Sol o triunfo universal da nova Igreja de tal maneira grande e surpreendente que ela não podia descrevê-lo.”

E conclui Mons. Natali:

“Diante deste vaticínio a primeira vista fica-se perturbado: nele há sem dúvida pontos obscuros que só poderão ser esclarecidos pelos eventos futuros.

“Mas, nele discernem-se predições que, feitas desde o ano 1818, acabaram se realizando na história, fato que induz a prestar fé ao vaticínio na sua totalidade. Aqui se fala de dois castigos e flagelos, um vindo por parte da terra e um outro por parte do céu; mas, acrescenta-se logo que as orações das almas boas podem mitigá-lo”.

(Fonte: Testemunho de Mons. Raffaele Natali no processo de beatificação (Proc. Ord. fol. 695-696), apud Mons. Carlo Salotti, “La Beata Anna Maria Taigi secondo la storia e la critica”, Libreria Editrice Religiosa, Roma, 1922, 423 ps., pp. 340-342).

Video da urna com o corpo da Beata Ana Maria Taigi

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Roma (igreja de São Crisógono, no bairro de Trastevere). Urna com os restos mortais da Beata Ana Maria Taigi (* 29-5-1769 + 9-6-1837), da Ordem terceira dos Trinitários, mãe de família exemplar, de condição social modesta, favorecida com dons sobrenaturais, inclusive com previsões sobre o futuro da Cristandade. Era consultada por Cardeais e Príncipes, ao mesmo tempo que cuidava de seus afazeres domésticos e ajudava os pobres e doentes.





Mensagens e intercessão pelos Papas


Os Papas que reinaram durante a vida da Beata mantiveram uma especial relação com ela.

Eles viam nela um humilde instrumento da Providência para tirar o Papado de encruzilhadas que poderiam tê-lo levado a débâcles deploráveis.

Especialmente diante da prepotência napoleônica e das insídias das sociedades anticatólicas secretas que tramavam contra a Igreja – inclusive com a participação de eclesiásticos muito altos e aparentemente insuspeitos.

No processo de beatificação, lemos que “Ana Maria viu no misterioso sol a eleição de todos os Papas desde Pio VII; ela predisse todos os fatos e acontecimentos que deveriam acontecer sob o seu pontificado muito tempo antes de os fatos se cumprirem” (Proc. Fol. 342).

Ela também interveio com orações, sacrifícios e conselhos pela salvação eterna dos Papas, e até pelas suas vidas postas em risco.

Para cumprir essa missão, Deus lhe revelou os pontos fracos desses Papas pelos quais oferecer sacrifícios reparadores e obter graças de emenda e arrependimento. E, outras vezes, até para abrir os olhos de muitos ingênuos a respeito da realidade.

Da mesma maneira intercedeu por cardeais, prelados, príncipes, princesas e almas eleitas.

Numa lista autógrafa dos “filhos espirituais” da beata, Mons. Natali inclui: Cardeal Pedicini; Cardeal Ercolani; Cardeal Cesarj; Cardeal Barberini; Cardeal Fesch [N.R.: tio político e tutor de Napoleão Bonaparte]; Cardeal Vic; D. Guerrieri; D. Cherubini Luigetto; D. Bandini; D. Marco Caricchia; Duquesa de Luca e Infanta de Espanha Maria Luísa de Bourbon e Parma; Duquesa de Saxônia [N.R.: filha da anterior]; Princesa Barberini; Madame Letizia [N.R.: ou Madame Mère, mãe de Napoleão]. A lista das “relações espirituais” inclui São Vincenzo Maria Strambi (Manuscritos, Série IV A-Nº 4).


Certa feita, no ano de 1831, Mons. Natali fez muitos elogios do Cardeal Giustiniani, seu parente. Ele próprio anotou a resposta do Céu:

“Se ele tivesse sido bom, não teria sofrido tanta dor quando foi excluído do Papado. Ah aquela cadeira! Quantos a procuram com todos os seus desejos! Melhor seria que ficassem longe dela, porque os verdadeiros Santos tremeram e muitos renunciaram a ela para se salvar. Aquela Sé... a quantos enviou para a casa do diabo!” (Vol. VIII, págs. 670-671).

Numa outra ocasião, Mons. Natali cruzou com Mons. Marazzani, que ia a São Pedro para receber o capelo cardinalício.

Pio VI
Ocorreu-lhe pedir à Beata que olhasse a cerimônia no sol místico. Ela deu um rápido olhar e disse: “Hoje grande pompa, dentro de um mês, no túmulo”. O cardeal foi enterrado um mês depois (Bouffier, op.cit, p. 222).

Pio VI morre de remorso

Um dos casos mais lancinantes diz respeito ao Papa Pio VI (1774-1799). Este Pontífice adotou uma linha diplomática mole e concessiva – hoje se diria “dialogante” – com a Revolução Francesa, condenando apenas certos de seus excessos.

No fim, apesar de idoso e doente, a soldadesca revolucionária francesa o sequestrou, fazendo-o atravessar os Alpes em condições que deveriam provocar a sua morte.

Em virtude dos maus tratos, o Pontífice faleceu em 1799, na pequena cidade de Valence, na França.

Em 31 de março de 1819, Mons. Natali registrou:

“[Nos primeiros tempos lhe foi dito] que o Papa [Pio VI] estava com os olhos vendados por castigo de Deus.

Falecimento de Pio VI em Valence, Franca, vítima dos maus tratos.
Biblioteca Nacional de Portugal
“Depois que o Senhor lhe tirasse a venda, percebendo estar entre tantos fogos opostos, teria morrido, cheio de remorso ao considerar seu infeliz estado e o de toda a Igreja.

“Sua morte seria precipitada pelos seus inimigos não muito depois de andar errante.

“E não morreria em sua Sé nem em sua cama” (Vol. IV, pág. 391).

Pio VII: precisou purgar muitas faltas

Quando Deus pedia sofrimentos específicos à Beata por um Sumo Pontífice, os demônios a atacavam com sanha redobrada. Na iminência da morte de S.S. Pio VII [1799-1823], por exemplo, Ana Maria foi avisada:

“Chegou a hora de o Papa meu Vigário vir render-me as contas. Já está a caminho. Prepara-te para penas e tormentos no momento de sua morte” (Vol. VI, pág. 172 ).

Esse Pontífice estava muito bem informado sobre a Beata, a quem era muito agradecido pelos favores dela recebidos.

Pio VII
O Cardeal Carlo Maria Pedicini, que chegou a ser Camerlengo da Igreja, testemunhou no processo de beatificação ter consultado Pio VII se devia continuar a ir à casa da Beata. Sorrindo, o Pontífice respondeu que continuasse a ir como antes à casa de Ana Maria, “porque ele [o Papa] a conhecia bem”.

O mesmo Cardeal Pedicini testemunhou que toda vez que visitava a casa dela, o Papa queria saber notícias dela e exortava-a a rezar pelas suas intenções na hora de lhe enviar a bênção (Proc. Apost. fol. 362, apud. Bouffier, op.cit.).

O Cardeal Pedicini foi diretor espiritual de Ana Maria durante 20 anos e contribuiu para a abertura da sua causa de beatificação.

Nos primeiros meses de 1823, quando se falava da possível morte desse Pontífice, Mons. Natali anotou:

“Desgraças maiores e mais horríveis acontecerão com a morte de meu Vigário. Mas não é para já [a morte], é charlatanice. Ele deve sofrer e, com o sofrimento, conquistará a glória. Deve ser purgado, e é necessário que Eu [Deus] o purifique. Melhor seria que não morresse, porque à morte desse homem, ai! Pobre Roma! Pobres habitantes! Quando chegar sua hora, por Mim já designada, então acabará o sofrimento para ele, mas crescerá para o mundo”.

Em agosto de 1823, quando os médicos garantiam que Pio VII passava bem, Deus ordenou-lhe por meio de Ana Maria, que fizessem levar os sacramentos a seu leito:
“Meu Vigário está mal, vai sofrer muito pelos seus pecados... vai morrer logo”. “Foi Ana Maria quem advertiu que se apressasse para dar os últimos sacramentos a Pio VII (...) porque ele não demoraria a morrer, e o fato verificou-se logo” escreve Bouffier (op.cit., p. 245).








Intercede pelos Papas e Deus lhe revela conspirações e molezas na condução do Papado

B. Ana Maria Taigi, detalhe de seu corpo incorrupto. Igreja de S. Crisogono, Roma. ©PauloRCampos
B. Ana Maria Taigi, detalhe de seus restos mortais expostos na igreja de São Crisogono, Roma


A Beata salva a vida
de Leão XII

A Beata também prestou inestimáveis serviços ao Papa Leão XII (1823-1829), de cujo Prefeito da Casa Pontifícia, Cardeal Benedetto Barberini, Mons. Natali era secretário.

O Cardeal acertava a agenda dos atendimentos pontifícios com Leão XII, ditando-a depois para Mons. Natali, que na mesma noite a lia para a Beata.

Certa vez, enquanto o fazia, a Beata fixou o olhar no sol místico e alertou Mons. Natali para que não admitisse alguns estrangeiros.

Feitas as averiguações, prendeu-se um sectário anticlerical que ocultava em suas roupas armas para assassinar o Papa.

Menino Jesus com a coroa dos Papas, ou Tiara,
que pertenceu à Beata Taigi
Leão XII concebeu tão grande confiança em Mons. Natali, que lhe entregou doravante o cuidado de suas audiências, recomendando-lhe nunca deixar de apresentar as listas à Beata.

Certa madrugada Deus pediu a Ana Maria para rezar por Leão XII, porque ele ia partir para a eternidade. Ela ouviu estas palavras:

“Levanta-te e reza pelo meu Vigário, que está a ponto de ser chamado a render contas diante de meu tribunal” (Bouffier, pp. 246-247).

Nosso Senhor confidenciou à Beata os pontos fracos desse Papa, por cuja emenda ela devia se sacrificar:

“Este não é aquele por quem o mundo clama e que vai trazer a consolação ao mundo” (Vol. VII, págs. 286-287).

E em 1824: “Acreditas que meu Vigário na terra cumpre plenamente a minha vontade? Não e não. Ele tem uma venda posta e não quer tirá-la. Mesquinho! Logo o tirarei da terra e depois irá penar. (...) Quem tem o poder e não o faz valer é estúpido e ignorante...

“Ele faz o regozijo dos mal-intencionados e é atraiçoado pela cor negra, violeta e vermelha. Divaga dia e noite. Seria melhor que cumprisse seu dever.

“Suas ideias são muitas, seus desejos são grandes, seus projetos são grandes, mas vai realizá-los? Não e não, porque não é minha vontade. Em verdade, ele se engana. (...)

Leão XII: Papa de 1823 a 1829
Leão XII: Papa de 1823 a 1829
“Ah, se pudesse ver as tramas urdidas, acreditas tu que ele se jogaria num sepulcro e com grandes lágrimas invocaria a minha Mãe do Céu!” (Vol. VII, págs. 324-326).

E ainda em 1828: “Meu Vigário instalou a traça no armário das roupas. (...) Não é ele quem age. É o Sinédrio péssimo que ele tem em volta que o levou a fazer muitas coisas mal feitas. Muitas e a mais não poder. (...) Se Eu não os tivesse detido, oh, quantas outras teriam feito! (...) Dizem que tal coisa ou tal outra é vontade de Deus. Não. (...) Pelo contrário, de tudo o que fizeram e estão fazendo, nada é segundo a minha vontade” (Vol. VII, págs. 414-415).

Fugaz pontificado de Pio VIII

Em 7 de março de 1829, enquanto Roma fazia hipóteses sobre o resultado do conclave que elegeu S.S. Pio VIII (1829-1830), Deus desvendava à Beata:

“não há verdade em tudo quanto se diz, não há nada de novo. Tudo é rumor falacioso (...) Mas, os que aspiram a ser Papa, um por um, entre eles se dilaceram, se enganam, arrancam os cabelos uns aos outros. Ah que bela eleição! Que belas disposições para escolher meu Vigário!... Sim, verdadeiramente até agora só há uma disposição angélica! Ou antes, Eu diria, diabólica” (Vol. VII, pág. 441).

Papa Pio VIII (1829 - 1831)
Papa Pio VIII (1829 - 1831)
O pontificado de Pio VIII foi muito curto. Quando Ana Maria soube que o Papa passava mal, começou a fazer fervorosas orações por ele, que morreu poucos meses depois (Bouffier, pp. 247-248).

Menos de uma semana antes da morte de Pio VIII, em 24 de novembro de 1830, Deus voltou a falar desse Pontífice a Ana Maria:

“Eu deixei correr a eleição desse homem para castigar e vituperar muitas e muitas de suas ações. Mas deste em nada te deves preocupar, porque corre para a eternidade. (...) Mais uma vez, deixo correr para castigar os homens locupletados, embusteiros, balões cheios de vento.

“Olha para aqueles pobres homens que andam pela cidade ganhando um pouco de pão com as suas marionetes. Assim é este na minha presença e também diante dos homens, porque não é ele quem manda. E quem comanda na realidade... Oh pobre miserável! Avaro! Melhor seria que fosse a uma gruta para acabar seus dias, porque o balão encheu demais” (Vol. VIII, págs. 598-601).





A Revolução anticristã fora e dentro da Igreja

Mãos da Beata Ana Maria Taigi na urna em que repousa seu corpo.
Igreja de São Crisogono, Roma
Gregório XVI: revoluções e insídias internas e externas

Tendo falecido Pio VIII, em Roma se especulava quem seria o seu sucessor. Em 7 de dezembro de 1830, Mons. Natali anotou as seguintes palavras a respeito, recebidas da Beata:

“Meus servos! ... Ah meus servos! ... Ah! ... São servos, escravos, acorrentados, enamorados do mundo, não são meus. (...) Esta é a pedra de toque para reconhecer meus servos: eles são calcados, rebaixados, humilhados.

“Há algo disto nesses outros? São orgulhosos, todas as suas coisas dão certo. Nada lhes sai ao contrário porque são ajudados por Satanás.

“Outrora eram descobertos com facilidade porque a Igreja era boa, cheia de santa caridade, de santo zelo e tinha minhas luzes, mas vai encontrar isso agora na Igreja!

“Por acaso, hei de dar-lhes minhas luzes quando estão apaixonados por mulheres ou por interesses? (...) Isto acontece entre sacerdotes, bispos, membros da Cúria, prelados, cardeais, numa palavra: todos.

“Como hei de dar as minhas luzes a pessoas que, em vez de promover santos retiros e orações, em vez de impetrar continuamente para que o Céu aplaque a sua Ira, comem, bebem, jogam, além de outras coisas?

“Esses são servos da Igreja?... Ah!... as almas caem no inferno como uma chuva de neve” (Vol. VIII, págs. 607-611).
S.S. Gregório XVI padeceu
por causa de conspirações e revoluções
Quando o Conclave se reuniu, “Ana Maria viu de novo aparecer no sol os sinais da eleição do cardeal Cappellari [N.R.: S.S. Gregório XVI] (...) ; ela viu ao mesmo tempo a revolução que estava se adensando, e tudo o que aconteceria no pontificado” (Bouffier, op.cit., pág. 248).

Escreve ainda o Pe. Bouffier S.J.:

“Após a eleição de Gregório XVI, a revolução estourou nos Estados Pontifícios. Ana Maria viu os planos sanguinários das sociedades secretas, sobretudo contra os ministros do santuário; não se saberia contar todas as orações, sacrifícios, penitências que ela ofereceu então a Deus.

“Deus (...) lhe revelou que Sua justiça se abateria sobre ela [a Beata], por causa de tantos pecados que tinham sido cometidos e cometem-se nessa cidade, tendo ela se resignado com a vontade divina para que a Igreja e os Estados Pontifícios fossem preservados de tão grandes males. (...)

“Ana Maria falava frequentemente da perseguição pela qual a Igreja ainda deveria passar e de uma infeliz época na qual seria desmascarada uma multidão de gente tida como digna de estima.

“Certa vez, ela perguntou a Deus quem resistiria a essa terrível prova. E foi-lhe respondido: ‘Aqueles a quem concederei o espírito de humildade’. (...)

“Aprouve também a Deus revelar-lhe que, após atravessar dolorosas provações, a Igreja obteria um triunfo tão esplendoroso que os homens ficariam estupefatos, que nações inteiras voltariam à unidade da Igreja Católica de Roma e que a terra mudaria de face” (op.cit., pp. 251-252).

Porém, antes desse triunfo glorioso, a Igreja haveria de passar por momentos dificílimos que já vinham se acumulando havia séculos, desde o início da Revolução no declínio da Idade Média.

S.S. Gregório XVI
Em 21 de outubro de 1831, Mons. Natali anotou as seguintes palavras transmitidas à Beata: “Trata-se de uma corrente tão longa, tão complicada, horrível e espantosa, que mente humana alguma pode imaginá-la.

“Vê tu com os próprios olhos, dá uma olhada e considera uma por uma as colunas que sustentam a Igreja! A coluna central está pernibamba; as outras, olha um pouco ...”

E Mons. Natali acrescenta: “Nesse momento, ela ouviu serem nomeados um por um todos os Cardeais, especialmente aqueles que exercem cargos, todos os prelados. Foram-lhe postas de manifesto todas as suas faltas, tanto do ponto de vista do comportamento espiritual quanto do temporal” (Vol. IX, págs. 28-30).

E em setembro de 1831, Deus advertiu: “Ah, filha! Paraíso, Paraíso!... Não acredites que nestes tempos os Pontífices possam ir direta e tão rapidamente ao Paraíso.

“É bom que saibas que houve Pontífices no passado que foram verdadeiramente bons. Mas, Eu te digo que ainda estão para entrar no Paraíso. Que ainda estão purgando!

“(...) fala-se muito apressadamente: ‘Como era bom! Fez isto e aquilo, e certamente foi para o Paraíso!’ Se pudessem ver onde eles estão e quanto penam!” (Vol. IX, págs. 32-34).




Beato Pio IX é objeto predileto de seus sacrifícios e orações

Vitral representando uma visão da Beata Ana Maria Taigi
Vitral representando uma visão da Beata Ana Maria Taigi
Na perturbada encruzilhada da história eclesiástica do início do século XIX, Deus mostrou à Beata a vinda futura de um Papa de seu agrado. Por isso mesmo esse Papa padeceria a sublevação dos maus, que o perseguiriam de palavra e de fato, cobrindo-o de injustos impropérios e suscitando atentados e guerras contra ele.

Ana Maria rezava por esse Papa e lhe havia sido revelado até o nome de família quando ele ainda era jovem eclesiástico. Porém, estava proibida de pronunciá-lo, pois o demônio e seus sequazes atentariam contra ele. Mons. Natali também tinha ciência desse Papa que haveria de vir e que ele sim conheceu pessoalmente.

O escuro panorama de Roma dissipar-se-ia e a luz voltaria a refulgir quando viesse o Papa que Deus estava preparando.

Entretanto, a ascensão desse bem-aventurado Pontífice não se faria sem oposições, nem sem a maledicência dos inimigos da Igreja. Essa hostilidade dos ambientes anti-católicos seria, aliás, um dos sinais de identificação:


“Quando vier meu próximo Vigário, ah quantas coisas horríveis, espantosas, ouvireis e vereis! No dia da bela luz, quão poucos se encontrarão! Quão poucos a verão! Porque Eu já tenho absolutamente todos os novos fundamentos para o triunfo da Santa Mãe Igreja. Porque todos esses senhores zelosos que existem em grande número serão exterminados e não serão mais encontrados” (Vol. VIII, págs. 598-601).

O Beato Pio IX foi objeto de especiais orações da beata Taigi
O cônego Raimondo Pigliacelli, da Basílica de Santa Maria Maggiore, testemunhou no processo, sob juramento, que “ouvi como a Serva de Deus preanunciava que viriam tempos difíceis; e interrogada qual seria o Pontífice que reinaria naqueles dias, ela respondeu: ‘o Pontífice será um que agora não é Cardeal, sequer está em Roma’”.

Numerosos testemunhos no processo de beatificação – entre os quais Mons. Natali – declararam ter ouvido várias vezes a Beata se referir ao então “cônego Mastai, que se encontrava no Chile, adido junto à Nunciatura Apostólica; além do mais, disse-me que eu o conheceria e teria ficado muitas vezes perto dele” (Proc. Ordin. fol. 362-363).

Tratava-se de Mons. Giovanni Maria Mastai-Ferretti (1792-1878), posteriormente arcebispo de Spoleto e bispo de Imola.

Foi coroado Papa em 21 de Junho de 1846 e reinou até 7 de Fevereiro de 1878, perfazendo o pontificado mais longo da História após São Pedro.

É o imortal Beato Pio IX que a Beata não chegou a conhecer, mas por cuja vinda ofereceu terríveis provações e dores espirituais.

Padecimentos da Beata

Os soldados do Papa defenderam heroicamente o Estado Pontifício.
Vitória de Mentana sobre tropas de Garibaldi. (Royer Lionel Noel)
Tudo tem um preço e os bens obtidos pela Beata para tantas almas enfureciam o demônio. Mons. Natali, que vivia em sua casa, testemunha que

“ela era de tal maneira oprimida e infestada pelos demônios durante a noite, que sem uma ajuda extraordinária do Senhor um espírito mais robusto teria sucumbido.

“Lembro-me que nos primeiros cinco anos em que morei em sua casa, eram de tal maneira frequentes os fantasmas, os rumores, as aparições monstruosas de espíritos malignos que assolavam toda a casa, que me senti obrigado a dormir vestido sobre um sofá, para ir lhe aspergir água benta; e naquelas circunstâncias eu experimentei a grande virtude desse sacramental contra os demônios.

“Eu confesso minha fraqueza: se o Senhor não me sustentasse especialmente, eu fui muitas vezes tentado a deixar essa casa, embora lembrasse que meu bispo [S. Vincenzo Maria Strambi] me dissera que jamais a deixasse.

“E quando se aproximava o fim da tarde, eu ficava pensando na noite e parecia-me cair sobre mim um peso insuportável” (Proc. Ordin. fol. 379-380).

Beato Pio IX: a monarquia pontifícia
era o alvo dos conspiradores contra a Igreja
E acrescentou: “Isto acontecia especialmente quando a Beata havia operado ou estava para operar uma conversão. É natural que os espíritos malignos, vendo uma débil mulherzinha lhes arrancar a presa que já possuíam, se desafogassem com assanhamento contra ela, agredindo-a na paz do lar e nos tranquilos silêncios da noite. (...)

“Cada conversão de pecador obtida pela nossa Beata excitava a raiva dos demônios, (...) que não se limitaram a assaltar sua casa, mas investiam pessoalmente contra a Serva de Deus tentando até lhe tirar a vida.

“Por isso, ela via frequentemente seu quarto cheio de monstruosos demônios, os quais diziam entre si que era preciso acabar com essa mulher e que já era hora de destroçá-la.

“A Beata ouvia tudo, e depois via aqueles sinistros seres infernais se aproximarem, um pegando seu pescoço, outro [demônio] oprimindo-a de outro modo, um outro [demônio] ainda afligindo-a de um outro [modo].

“Mas ela estava convencida de que Deus não permitiria o triunfo desses espíritos perversos e resistia com uma paciência invicta, e, armada com a fé, repelia os assaltantes” (Proc. Ordin. fol. 833, 1157-1158, apud Salotti, op. cit, págs. 245/246).




A enigmática morte de um Papa

Estátua de bronze de São Pedro revestido de paramentos, na basílica vaticana. Arnolfo di Cambio, século XIII. A estátua é revestida na festa dos Santos Pedro e Paulo, dia 29 de junho, padroeiros da cidade de Roma.
Estátua de bronze de São Pedro revestido de paramentos, na basílica vaticana.
Arnolfo di Cambio, século XIII. A estátua é revestida na festa dos
Santos Pedro e Paulo, dia 29 de junho, padroeiros da cidade de Roma.
A Beata Anna Maria Taigi teve um vínculo todo especial com os Papas sob cujo pontificado ela viveu.

Deus quis que ela oferecesse sacrifícios especiais por eles, e confidenciou-lhe aspectos relevantes das pessoas desses Sumos Pontífices e de seus respectivos pontificados.

É notável a gratidão de alguns deles, que concederam por sua vez à beata insignes favores e sinais de predileção.

Entre os beneficiados pelos sacrifícios e orações da Beata Taigi está ainda o Beato Pio IX, eleito em 1846. Contudo ela não alcançou o seu pontificado, pois veio a falecer em 1837.

Tendo-lhe sido mostrado que o então jovem monsenhor Mastai-Ferretti viria a ser Papa e que o inferno engendraria ardis contra o seu advento ao pontificado, a Beata Taigi ofereceu ardorosas preces por ele.

Para o hagiógrafo Pe. Guido Pettinati a Beata foi escolhida pela Providência Divina, segundo revelação pessoal, “para converter almas e consolar pessoas de todas as condições: sacerdotes, religiosos, bispos, cardeais e a meu próprio Vicário”.

E ainda “Deus concedeu à Taigi poder ver no misterioso sol, as eleições dos Sumos Pontífices, suas obras, os movimentos políticos que aconteciam durante seu pontificado, as conjuras das seitas secretas, o destino dos falecidos, as necessidades de todos aqueles que passavam por graves necessidades corporais e espirituais” (Pe. Guido Pettinati SSP, “I Santi canonizzati del giorno”, vol. 6, Udine. Ed. Segno, 1991, pp. 118-125).

Entre as incontáveis visões e vinculações com tantos Papas, chama a atenção a revelação relativa a um pontífice vindouro, o qual, entretanto, pelos detalhes fornecidos pela visão, não nos foi possível identificar.

Pois até o presente nenhum pontífice preencheu as condições referidas na visão.

Com efeito, a visão anuncia a data exata do falecimento desse Papa: na festa de Santo Estêvão, dia 26 de dezembro, quer dizer, um dia após Natal.

Mas, procurando conscienciosa e repetidamente nas biografias dos Papas, constatamos que nenhum Sumo Pontífice morreu nesse dia.

As visões particulares, sobretudo quando versam sobre fatos vindouros nesta Terra, nada têm de fatalistas, pois os homens a que se referem podem corrigir o caminho a qualquer momento.

Porém, Mons. Natali “testemunhou que jamais foi achada a mais mínima falta de exatidão nas respostas” da Beata tiradas do sol místico (Pe. Pettinati, op. cit.).

Então, o que achar?

Não temos resposta. Mas o fato é interessante para se avaliar o valor das visões desta alma privilegiada. Por isso reproduzimos, sem comentários, a visão relativa a esse ignoto Pontífice.

A igreja dos Santos Bartolomeu e Alessandro, ou Madonna della Pietà,
em Piazza Colonna, Roma, onde a Beata ouviu o anúncio
Em 12 de novembro de 1819, o confidente da Beata Taigi, Mons. Raffaele Natali anotou uma visão por ela recebida na igreja comumente conhecida como Madonna della Pietà (Nossa Senhora da Piedade).

Seu nome canônico é igreja dos Santos Bartolomeu e Alexandre. Este pequeno templo está localizado na Praça Colonna, no centro de Roma, foi restaurado em anos recentes e está aberto ao público em horários restritos. Conferir aqui o site da igreja.

A Beata Taigi ia com frequência a essa igreja, que ficava muito perto de sua casa. Naquele 12 de novembro, após receber a Sagrada Comunhão, ela relatou o seguinte a Mons. Natali:

“No dia de Santo Estêvão, o Papa verá o fim de seus dias.

“Será estrangulado por obra dos diabos.

“Ele vai ser achado morto e dirão: Mas, como!... está morto?...

“Sim morreu, mas estrangulado pelas mãos dos demônios.

“Durante três horas contínuas ele combaterá, e se lhe afigurará um inferno. Assim morrerá ....

“No dia de Natal tudo estará sossegado. Na noite em que começa Santo Estêvão ... Já anda errante e, depois daquele dia, não podereis sair”.

Mons. Natali acrescenta ao lado, como que querendo dissipar eventuais dúvidas diante de tão incomum revelação:

“Ela não pensava nesse assunto. Seu espírito estava repousado e tranquilo. Gemidos da alma. Não estava confusa, mas tinha a mente bem despejada”.

As reticências são do original.

Pio VII reinou de 1800 a 1823. Quadro de Jacques-Louis David,1805.  Pio VII era o Papa no tempo do anúncio. Tudo parece indicar que não se referia a ele.
Pio VII reinou de 1800 a 1823. Quadro de Jacques-Louis David,1805.
Pio VII era o Papa no tempo do anúncio.
Tudo parece indicar que não se referia a ele.
Em 1819, ano da visão, reinava o Papa Pio VII, sobre cujo falecimento (em 20-8-1823) e estreitas relações com a Beata, inclusive no momento da morte, tratamos acima. Ver subtítulo: “Mensagens e intercessão pelos Papas”.

Manifestamente, a visão não se refere a ele.

O texto em italiano:

[Nota: a anotação em italiano está assim:] “Il giorno di S. Stefano verrà finito i giorni suoi il Papa. Sarà strozzato per parte dei diavoli, Lo troveranno morto e diranno Come!.. è morto? ... Si è morto ma strozzato per mano de’diavoli. 3 ore continue combatterà e per lui un inferno gli si rappresentarà. Così morirà ..... Il giorno di Natale sarà tutto quieto; la notte che entra S. Stefano.... Ramingo già è e poi quel giorno no potrete uscire”.

[Nota : Mons. Natali acrescenta ao lado:]

“Non pensava a tal soggetto. Quieta era di spirito e tranquilla, proteste fatte dall'anima; non confusa, ma era di mente ben chiara”.




Triste estado do clero e do povo atrai um castigo corretivo

Busto da Beata Ana Maria Taigi
Busto da Beata Ana Maria Taigi
Em numerosas ocasiões, Deus desvendou a dor que Lhe produzia a decadência moral e disciplinar do clero. Por exemplo, em 6 de janeiro de 1817, na igreja da Propaganda Fide (capela dos Reis Magos), ela ouviu:

“Todos os sacerdotes deveriam andar de batina. Considera-se com muita superficialidade o que quer dizer sacerdote. Se eles levassem em consideração o que na realidade é um sacerdote e o que quer dizer sacerdote, viveriam como anjos e não como animais. (...)

“Olha, minha filha, como andavam outrora, e contempla-os, observa-os. Assim Eu andava com todos os meus Apóstolos e discípulos. Olha um pouco agora de que maneira se conduzem em meio ao século.

“Sacerdotes, Prelados, Bispos e Cardeais e [N.T.: aqui há três palavras meticulosamente riscadas]. Os abusos são grandes, mas hão de acabar logo” (vol. II, pp. 510-511).

Esta decadência na classe sagrada aconteceu por contaminação da decadência geral dos costumes que infeccionava toda a sociedade e naturalmente entrava por osmose nos ambientes eclesiásticos.

Um exemplo típico que podemos citar entre muitos outros aconteceu em 31 de Agosto de 1816, segundo os registros do anotador. Na oportunidade, Deus queixou-se mais uma vez da leviandade do povo romano:

“Oh Roma, Roma, habitantes iníquos, que desconheceis o bem que Eu vos fiz. Vou tomando nota de vossa incorrespondência. Mas, quando Meu Pai der a ordem, tudo acabará!...

“Sabei que agora as almas chovem como neve no inferno. Chorem e chorem todos amargamente, porque Roma não pode mais ser chamada de santa.

“Os homens vivem como animais. E não procuram senão comodidades e prazeres, e satisfazer plenamente a sua iniquidade. (...) Eu cobrarei vingança sobre eles e deveria aniquilá-los por causa de seus pecados.

“Contudo, Eu sou Pai amoroso e fico aguardando. Mas quando o tempo estiver esgotado, não haverá mais remédio. Com teus próprios olhos verás um dia aquelas almas que são premiadas nesta terra e que pela sua soberba [vão para o inferno].

“Quero fazer-te ver este lugar. Então, sim, minha filha, terás medo. Pedirás piedade e misericórdia para eles, mas não haverá piedade para muitos. Porque hão de penar para sempre.

“Sim! Verás como serão atormentados pelos diabos na proporção de seus pecados. Mas, o que mais me atormenta e mais me causa pena, é Eu ser de tal maneira mal recompensado por meus ministros. E aqueles que devem dar o bom exemplo cometem mais pecados que os leigos (...)

“Os homens são muito cruéis, não sabem distinguir o bem do mal porque vivem segundo seu capricho; (...) Pobre Igreja minha, e pobres tempos: em mãos de quem se encontram!

“Tocam minhas sagradas carnes; mas antes se sujaram com sangue humano. Depois vêm comungar. Estão em comércio com mulheres e depois vêm celebrar a Missa.

“Em festas, diversões, jogos e comilanças vão saciando bem seu corpo. E depois que estão bem satisfeitos vão para a Igreja me louvar. Olha bem, minha filha, que boa gente e qual é o prêmio que Eu posso lhes dar!” (Vol I, págs. 346-349).




Altos elogios aos bons nobres e severas repreensões aos maus

Altar com a urna da Beata Ana Maria Taigi.
Igreja de San Crisogono, Roma

A bem-aventurada Ana Maria manteve relações espirituais com membros ilustres da nobreza, bons e maus. Deus lhe fez ver que nesta classe ilustre tinha prediletos e também inimigos.

Em 18 de agosto de 1830, enquanto rezava por um augusto representante da nobreza romana, ouviu:

“Não rezes por essa alma porque é um precito. Não somente ele, mas toda a sua estirpe (...) embora na aparência pareça convertido, não o está em seu coração. (...)

“Estes são aqueles valorosos romanos, dos quais existe ainda um grande número. Em grande número são réus de morte por graves delitos. Mas há 20 deles para os quais já está assinada a condenação” (Vol. VIII, pág. 566).

Em 20 de maio de 1831, a propósito de outro nobre:

“Não vedes até onde chega a sua iniquidade após tantas graças recebidas? (...) ele comete um sem-número de pecados e depois pede para rezarem por ele, a fim de obter o que quer, e fazer o quer, o que bem entende.

“Isto jamais se viu e jamais se verá no mundo. Dize a teu confidente que escreva que não há alma pior, mais criminosa e orgulhosa do que ele desde que Meu Pai criou o mundo. Mas esse é um defeito e um grande pecado de toda a Nobreza, especialmente de toda sua família” (Vol. VIII, págs. 680-681).
Mas assim como havia péssimos nobres que pesavam de modo desfavorável ao bem na guerra deste contra o mal – luta esta que a Beata via se desenvolver ora simbolicamente, ora materialmente no “sol místico” – também havia outros que agiam pela causa da Cristandade vivendo no magnífico e virtuoso estilo da aristocracia católica.

A princesa Maria Luísa de Bourbon, duquesa de Lucca

Sua Alteza Maria Luisa de Bourbon,
duquesa soberana de Lucca,
com seu filho Carlo.
Goya, Museu do Prado, Madri.
Encontramos nas visões da Beata Taigi um exemplo acabado de virtude no exercício do governo soberano: o da princesa Maria Luísa de Bourbon (1782–1824).

Ela nasceu Infanta de Espanha, depois foi rainha consorte e regente de Etruria e, por fim, duquesa soberana de Lucca.

A princesa viveu certos períodos em Roma. Deus recomendou à Beata Taigi apelar a ela nas suas dificuldades materiais. Em 20 de janeiro de 1820, Mons. Natali registra:

“Vai, vai, mina filha a ver a Maria Luísa. Não temas, ela te receberá com muita clemência e consolar-te-á em tuas pequenas necessidades. Diz-lhe da minha parte que seja bondosa e que se resigne, pois virei consolá-la pronto” (Vol. VI, pág. 44).

A princesa concebeu tão grande admiração pela virtuosa filha do povo que chegava a enviar “espiões” para saber o percurso da Beata quando saía de casa, pois então mandava tocar sua carruagem e lacaios para encontrá-la ‘casualmente’ na rua a fim de puxar uma prosa.

Por ser de classe inferior, mas admiradora das legítimas desigualdades colocadas por Deus entre as criaturas, a beata conversava em pé com a princesa soberana sentada em sua rica carruagem.

Certa vez Sua Alteza – pois tinha direito a esse título – convidou-a a subir na carruagem, mas a Beata recusou, pois não ficava bem a mistura de classes sociais, sobretudo naqueles tempos de revoluções igualitárias.

A princesa morreu de câncer em Roma. Numa data não muito depois de 11 de março de 1824, Mons. Natali anota a revelação divina anunciando com estas palavras à Beata Taigi a entrada da princesa no Céu:
Deus revela a entrada principesca no Céu
da duquesa Maria Luisa. Anotação de Mons. Natali.

“Chegou tua cara e dileta ao repouso eterno. Concluíram suas penas e ganhou a felicidade eterna.

“Encontrou, sim, um Reino mais belo que o seu. Ela o foi construindo como um grande senhor que ao viajar manda farta equipagem para precedê-lo, de maneira que chegando encontra tudo preparado e faz-se uma festa grandiosa.

“Assim aconteceu com ela” (Vol. VII, pág. 303).

Na página desta anotação, o sacerdote desenha o escudo real da monarquia francesa restaurada pelos Bourbons.

O general Michaud de Beauretour e o czar da Rússia Alexandre I

Ana Maria auxiliou muitos nobres necessitados fazendo uso de seu misterioso sol. Mons. Salotti conta o caso do general franco-piemontês Alexandre Michaud de Beauretour (1771 – 1841), que combateu contra a Revolução Francesa e depois contra Napoleão, tendo chegado a ajudante-de-ordem do czar Alexandre I, da Rússia.

O general foi a Roma para se beneficiar das graças do jubileu de 1825. Lá, ele ouviu o boato de que o imperador falecera subitamente. Na embaixada russa ninguém sabia nada e os que falavam estavam errados.

A rainha Maria Teresa de Sardenha, viúva do rei Vittorio Emmanuele, garantiu-lhe que as últimas ‘cartas de Viena’ – cartas diplomáticas que transmitiam as mais confidenciais informações políticas – nada diziam.

Czar Alexandre I da Rússia
Czar Alexandre I da Rússia
Um amigo lhe falou da Beata e o general não perdeu um segundo para ir à casa da pobre mulher.

Com toda tranquilidade ela lhe confirmou a má notícia: o imperador de todas as Rússias estava morto. O general resistiu, mencionando os despachos da embaixada russa e o silêncio das ‘cartas de Viena’.

Ela disse sem hesitar: “Amanhã a embaixada russa receberá a notícia oficial”.

No dia seguinte, o general recolheu a trágica nova e voltou para ver a Beata.

Ela consolou-o dizendo que a alma do imperador Alexandre estava no Purgatório, pois ele morrera convertido ao catolicismo.

Ana Maria havia visto no “sol” a sua morte, as causas dela e a salvação de sua alma: foi misericordioso com o próximo, respeitou o Soberano Pontífice, Vigário de Jesus Cristo, e protegeu a Igreja Católica. (Salotti, op. cit., págs. 233-235).

Alexandre I derrotou três vezes Napoleão, e para os historiadores seu desaparecimento continua sendo um mistério. Não poucos acham que ele fingiu morrer para adotar a vida penitencial de um ermitão.





Napoleão, flagelo enviado por Deus. Seu lugar na eternidade

O sol místico da Beata Taigi, num quadro de época
O sol místico da Beata Taigi, num quadro de época


Durante a vida da Beata, as guerras napoleônicas representaram o pior flagelo anticristão voltado contra as monarquias legítimas e, portanto, contra o Papado e a Igreja Católica.

Ana Maria teve muitas visões a respeito. Após a derrota definitiva e o exílio de Napoleão na ilha de Santa Helena, a mãe do déspota, Letícia Bonaparte, mais conhecida como Madame Mère, e seu meio irmão, o Cardeal Joseph Fesch – que cuidou de Napoleão e dos irmãos após ficarem órfãos de pai – se refugiaram em Roma.


Lá mantiveram relações pessoais e espirituais com a beata Ana Maria. Este relacionamento, entretanto, nada afetou o juízo da Beata sobre o tétrico tufão anticristão capitaneado por Napoleão.

Em 31 de março de 1819, Mons. Natali deixou consignado que nas primeiras revelações a Beata fora advertida de que “Napoleão se teria misturado com a família de muitos soberanos com a oculta cumplicidade dos maus” (Vol. IV, pág. 391).

Napoleão serviu como flagelo de Deus.
Construiu seu império sobre milhões de mortos.
Detalhe da batalha de Eylau
Em diversas ocasiões, Deus lhe explicou por que permitiu esse tufão revolucionário:

“Dizei-me: com qual objetivo eu enviei Napoleão? Ele foi ministro de meu furor para punir as iniquidades dos ímpios e humilhar os soberbos. Um ímpio destruiu outros ímpios” (documento inédito, Série III, C, pág. 371, apud Salotti, pág. 223).

“Ela viu – depôs a princesa Barberini – no misterioso sol a derrota do exército francês do Norte diante de Moscou no próprio momento em que acontecia.

“Ela descreveu para mim toda a derrota de Napoleão, fornecendo-me todos os detalhes bem antes que a notícia pudesse chegar.

“Ela viu também sua morte em Santa Helena, seu leito, suas disposições, seu túmulo, as cerimônias de seu funeral, a sorte deste príncipe no tempo e na eternidade” (Testemunho da princesa Barberini no processo, apud Bouffier, p. 241).

Em 24 de julho de 1821, ela contou a seu anotador que antes mesmo de o imperador revolucionário falecer, fora dado a ela ver a cadeira que estava reservada para ele no inferno,

“feita inteiramente de pontas afiadas como diamantes, toda ela consumida por um fogo que ardia violentamente. Ouviu que nenhuma alma entre as mais amadas por Deus no Céu podia revogar o decreto.

“Além do mais, prossegue Mons. Natali, disse-me que no dia em que [Napoleão] morreu, ela viu no sol místico muitos combates e sombras inexplicáveis, e um feíssimo bode selvagem.

Napoleão montou seu trono sobre as ruínas dos tronos legítimos.
Mas, a beata Taigi viu seu trono eterno no inferno.
Jean-Auguste-Dominique Ingres (1780 – 1867).
Musée de l'Armée, Hôtel des Invalides, Paris.
“Que aquela época foi de uma tristeza e de um combate grandíssimo para todas as almas, e que ela se sentiu de tal maneira opressa que não se lembrava de nada comparável.

“Na manhã do dia seguinte à chegada da notícia, logo após comungar, ela ouviu na Missa as seguintes palavras, pronunciadas em tom suave e agradável: eis que acabaram os anos, os dias e os momentos daquele que havia posto o mundo em revolução.

“De que lhe servem agora todos os seus ornamentos de pedras preciosas, prata e ouro que roubou? O sangue dos pobres clama por vingança e clamará até o dia do Juízo Final.

“E ele, lá embaixo, sofrerá a pena, e toda a sua estirpe vai se reunir com ele. Porque aqueles que no mundo gozaram prazeres e contentamentos é necessário que os paguem na outra vida com cruéis tormentos” (Vol. V, págs. 803-805).

Fenômenos constantes no “Sol” místico

Além de fatos específicos envolvendo pessoas e eventos facilmente reconhecíveis, um número muito maior de sinais de lutas entre o bem e o mal no mundo se lhe afiguravam continuamente no sol místico, a maioria dos quais ela própria não sabia interpretar.

Por exemplo, em 21 de março de 1831, ela viu nesse sol uma chuva escura relativamente habitual, a qual “cresceu como se fosse um dilúvio, com grande concentração de trevas que caíam como flocos de neve. (...)

“Na noite do 27, viu cair um grande número de trevas mais densas, crescendo a ponto de não ser ver mais nenhum objeto” (...)

“na Quinta-feira Santa viu (...) um grande torrente de sangue, bem larga e extensa, acompanhada por três ou quatro grandes chagas sanguíneas e feias que unidas encobriam a metade do Sol.

Exemplo de como se encontram as anotações de Mons. Natali
“Visão quase semelhante à dos primeiros dias do carnaval apontando a conjura sanguinária que deveria explodir em Roma, mas que foi descoberta e esconjurada pela intercessão da Santíssima Virgem.

“Na tarde de quarta-feira, ela viu duas belas Cruzes latinas luminosas na extremidade do Sol, (...)

“na tarde de quinta-feira 7 de abril (...) trevas, manobras, corre-corres, motins, confusões, três pontos e outras visões horríveis e espantosas como nos dias que precederam o desvendamento da revolução.

“Por isso, a piedosa mãe acha que não somente não acabaram os esforços dos ímpios, mas que eles tentam outros mais ousados (...)

“Conversando sobre a França, viu o Sol se abrir pelo meio e aparecer uma figura geográfica com o plano de uma cidade totalmente negra escuríssima, enlutada.

“Ela me disse que algum grande fato revolucionário devia ter acontecido, e ela via, aparecendo junto, mapas menores como de castelos, grandes correrias e movimentações” (Vol. VIII, págs. 684-694).




Visões de eventos futuros

Chão de porfírio e malaquita, na igreja de San Crisogono,
onde repousam os restos da beata.
"A divindade residia nela de uma maneira especial" (Cardeal Pedicini)
Os mais sisudos historiadores, críticos e analistas engajados no exigente processo de beatificação – que se debruçaram sobre os quatro milheiros de folhas de anotações de Mons. Natali e sobre os depoimentos de cardeais, príncipes, bispos, sacerdotes e populares – falam com frequência em “milhares” de casos nos quais os dons proféticos da beata Taigi se manifestaram.

Só tendo espaço para mencionar os citados acima, resumimos esse conjunto assombroso com o juízo daquele que foi durante 20 anos seu diretor espiritual, o Cardeal Carlo Maria Pedicini:

“Não há a menor dúvida de que a divindade residia nela de uma maneira especial. Com efeito, em virtude desse dom extraordinário e ainda desconhecido, a Serva de Deus participava do conhecimento certeiro que Deus tem de todas as coisas, na medida em que a alma de uma transmissora possa possuí-la.


“Esse dom é próprio do Paraíso, um dom do qual só os bem-aventurados que lá se encontram usufruem, da maneira beatífica mais absoluta. É certo que Deus havia estabelecido sua sede no coração de sua serva. E Ele lhe confiava seus maiores secretos”.


Com esse dom, a beata Ana Maria profetizou durante décadas, causando pasmo as suas confirmações, jamais desmentidas pelos fatos, segundo consta na Positio, o documento que postula canonicamente a sua beatificação.

Mas ela falou não apenas de seu presente; de modo também abundante, falou do futuro, que talvez já esteja sendo o nosso presente.

Os restos mortais da beata Taigi
Deus lhe mostrava o desfecho a que deviam conduzir os costumes que se degradavam no clero e no povo e as conjurações anticatólicas que se agigantavam em antros ocultos.

Deus mostra o fim das iniquidades

Deus lhe revelava esses cenários do porvir não sem antes lhe fazer uma demonstração lógica e arrazoada das causas humanas e sobrenaturais que o preparavam. Para isso, analisava fatos que a Beata assistia em sua vida cotidiana, a partir dos quais apontava os desdobramentos vindouros.

Como resumir em estreitas linhas esses panoramas tremendos e grandiosos que podem nos atingir? O próprio Deus recorria a um termo muito anotado por Mons. Natali: a “definitiva”.

Com esta palavra, Ele se referia instantemente ao desfecho vindouro da luta entre o bem e o mal.

A “definitiva” encerraria a atual fase histórica da guerra do Céu e do inferno, das almas boas e ruins, do próprio Deus e de seus anjos contra as potências infernais e seus acólitos terrenos.

Na “definitiva”, Deus poria fim a tanto caos, embates e profanações. E reergueria a Igreja a um grau de glória na terra como nunca antes se viu.

Mas a “definitiva” seria complexa e terrível. Nela se revelariam os pensamentos que jazem no fundo dos corações.

Esses desvendamentos surpreenderiam até os bons, pela maldade escondida inclusive em pessoas tidas como insuspeitas. Também os méritos dos bons, humilhados e postos de lado, resplandeceriam para surpresa do mundo que os menosprezava.


Entre 13 e 17 de novembro de 1816, Mons. Natali registrou:

“Ah, minha filha, se naquele momento funesto e tremendo pudessem vir à tua casa príncipes, Cardeais e outros grandes personagens! Fariam bem porfiando em fazê-lo.

“Mas, não. Quem gozou e se cevou bem, chorará, e quem chorou gozará e rirá. (...) O castigo não veio, mas há de vir. Deus quer nos punir por causa de nossos pecados.

“Essa será a última descoberta na qual vai se separar o trigo do joio. Dizei, pois, que tudo o que foi visto não foi nada, (...) a terra vai tremer e o Céu vai ficar ensanguentado” (Vol. II, págs. 500-501).

Falando a respeito de S.S. Pio VII e das tribulações de seu Pontificado, Deus se estendeu sobre o tremendo evento futuro:

“Tudo o que aconteceu não é nada. Antes bem, não é mais do que um sopro. Ah o que vai ser a definitiva! (...) Ah, então sim, chorarão.

“Pobre Igreja! Pobres igrejas! Oh como estão mal cuidadas! Oh como estão mal administradas! E por quem! Ai! Para dizer toda a verdade, eu quero destruí-las todas, convertê-las em ruínas, não deixar pedra sobre pedra. Que da antiga igreja não fique sequer um sinal. (...)

“Dentro de todas elas há relíquias de meus santos. Mas, como são tratadas? (...) Destruirei!... Estou para destruir Roma. Mas não ainda, por causa de tantas almas minhas que ali estão.

Cristo Apocalipse, Notre Dame de Paris
Cristo Apocalipse, Notre Dame de Paris
“Mas ai, mísera Roma! Como acabará! Em que mãos vai cair! Os bons virão comigo e os perversos acabarão seus dias amargamente e depois [sofrerão] eternamente, para sempre” (Vol. VII, págs. 265-266).

E num 5 de junho, Mons. Natali anotou mais uma severa advertência: “Minha filha, não estás contente por sofrer para satisfazer minha Justiça? Pois bem, Eu sou muito ofendido pelos meus ministros. Eles deveriam ser anjos e, em vez de anjos, são cloacas do inferno” (Vol. I, p. 201).

E em 13 de setembro de 1831: “Naquela hora, dos cristãos fingidos não ficará nenhum, e então muitos pedirão piedade e misericórdia, mas já não haverá mais tempo (...).

“Não se pode medir quanto tenham avançado as iniquidades, tanto do homem quanto da mulher. Os demônios, soezes, riem e festejam, porque não têm necessidade de tentações.

“Não, porque de modo suficiente a malícia e a iniquidade, tanto do homem quanto da mulher, superam em muitos graus a do demônio, pelas obscenidades que se cometem, de todos os gêneros, pelos dois sexos” (Vol. IX, págs. 2-3).







Castigos especiais aos católicos fingidamente observantes

Este rosto contemplou durante décadas a luta entre o bem e o mal refletida num sol místico.
Detalhe da urna-relicário com os restos da beata Taigi na igreja de São Crisogono em Roma
A beata Ana Maria frequentava muitas igrejas, mas sua vida era a de uma dona de casa vivendo num ambiente popular.

Deus tirava exemplos das pregações que ouvia e dos costumes de todas as classes sociais para lhe fazer entender o que viria.

Deus insistia para ela que a promoção de uma piedade mole e adocicada que progredia sem cessar naqueles dias preparava a perdição de inúmeras almas.

Em 10 de setembro de 1820:

“Este é o tempo em que os falsos filósofos se ostentam. Entre eles falam pérolas, mas não causam impressão alguma nos povos porque não querem acreditar na verdade. (...) são falsos filósofos, cheios de soberba e orgulho. Desses o mundo está cheio.

“E para esses há um inferno especial. Se alguém professa a verdade, é ofuscado por estes [falsos filósofos] e o povo fica perplexo, porque a miserável humanidade prefere o doce antes que o amargo” (Vol. VI, pág. 85).

“Assim dirás a teu confidente que diga a esta gente que, chove almas no inferno como a neve. E (as almas) de quem? De batizados.


“São cristãos de nome, são animais de fato, vivem como animais. Antes bem, pior que os animais. Como se (podem) salvar cheios de ódio, cheios de pecados? Depois se dirá que são cristãos, mas...” (Vol. IX, pág. 85).
Em quatro milheiros de folhas como esta,
Mons Natali anotou a luta entre o bem e o mal no mundo
que a beata Taigi contemplava continuadamente

No terceiro domingo de Páscoa de 1817, na igreja do Santíssimo Crucifixo de Campo Vaccino, São Pietro in Carcere, ouviu:

“Não te espante o fedor continuo que sentes sob as tuas narinas, porque é o mau odor da corrupção do mundo presente. (...) Tu o sabes porque Eu te disse muitas vezes e volto a repeti-lo: “chove almas no inferno como neve e ainda não acabou” (Vol. III, págs. 43-44).

Em 1828: “O respeito humano leva ao inferno muitos confessores com todos os seus penitentes. Para não dar um remédio amargo ou o mais mínimo desgosto, morrem tantas almas e vão para a casa do diabo.

“(...) de quem é a culpa? (...) Sabes de quem é? (...) Quando esses estarão diante de meu Tribunal, o que será deles? (...) Por esta razão, chove almas no inferno como a neve. (...) Vedes quantas ruínas há no mundo? Esta é a causa” (Vol. VII, pág. 433-437).

Em 6 de novembro de 1819: “Olha os tormentos espantosos dos eclesiásticos torturados pelos demônios. (...) Por que se consagraram a Deus quando não procuravam senão a ambição, o orgulho e a vaidade?

“As portas [do inferno] estão abertas. Lúcifer se regozija e seus companheiros festejam... Deixa, deixa, que essas portas Eu as fecharei, a voragem ficará cheia e poucos ficarão” (Vol IV, págs. 555-557).

Depois de 14 de abril de 1830:
Roupas e objetos pessoais da beata.
Igreja de São Crisogono, Roma.
“A paz esteja convosco, meus filhos, por toda parte deveis dizer que não só não há paz, mas que os diabos dançam dia e noite, e tecem grandes tramas, apanham em suas redes muitos peixes, cordeiros e ovelhas e as levam à perdição em grandes quantidades, eles se abeberaram com o fel e com o sangue humano. (...)

“Eu te falei para não seguir os santos modernos, mas aferrar-te aos antigos, porque os santos modernos sendo todos ou quase todos falsos, te teriam estragado” (Vol. VIII, págs. 519-521).

Em 1832: “São lobos rapaces, lobos que devoraram muitas ovelhas sugando-lhes o sangue uma por uma. Se soubessem o que está preparado para eles irremediavelmente!

“É mais fácil que eu ouça o clamor de um herege do que de um desses lobos, tantas vezes lobos quanto são as ovelhas que esses lobos malditos devoraram” (Vol. IX, pág. 97-100).

Sinais do dia de Deus

Muitas almas santas elevavam já naqueles tempos orações a Deus pedindo a restauração da Igreja. Basta mencionar como exemplo São Luiz Maria Grignion de Montfort e sua “Oração Abrasada”. Porém, o Céu como que não atendeu às instantes impetrações dessas almas boas. Por quê?

Em 29 de julho de 1832, Nosso Senhor forneceu uma explicação à Beata:

“Há muito tempo que a Torre de Babel está instalada em Roma, e há muitos anos que deveria ter caído. E se não caiu, é porque muitas almas sacrificaram sua vida rogando a Meu Pai para que protelasse o momento de pôr fogo a este estado do mundo.

“Eu, sem embargo, que via que era a ruína de muitas almas boas que sofrem por esta causa, apesar de tudo Eu devia fazer a vontade de Meu Pai. Posto que esta desordem do mundo todo é um caos, não há mente humana que possa imaginá-la” (Vol. IX, pág. 85).

Outras almas boas, considerando a degringolada da sociedade cristã, se perguntavam quando Deus interviria. E até especulavam sobre os sinais que precederiam essa solene intervenção. Mas, o dia de Deus não se conhece.

Na segunda-feira de Carnaval de 1833, por exemplo, Nosso Senhor lhe disse:

São Miguel Arcanjo, Castel Sant'Angelo, Vaticano
“Não se conhece qual é a hora em que Meu Pai quererá dar a ordem ao anjo exterminador.

“Ele aparecerá ameaçando de improviso (...) sabes? O anjo exterminador que com uma mão toca a trombeta e com a espada (...) Ai! quando acontecer aquele momento, todo o mundo ficará envolvido na conflagração” (Vol. IX, pág. 207).

Os sinais precursores revelados à Beata pouco têm a ver com as suposições da prudência mundana. Em 9 de novembro de 1820, o sacerdote registrou:

“Quando vires um dia feliz, tranquilo e de grande contentamento, então armazena alimentos: pão, vinho, azeite. Dinheiro não faltará. (...) Roma iníqua, Roma cruel, verás o fim da iniquidade” (Vol. VI, pág. 96).

A confusão das ideias é um dos sinais que mais se encontram nos registros de Mons. Natali.

Em 8 de junho de 1829, ele anota:
“Agora reinam os maus costumes, a política, o respeito humano, a simulação. Há um escândalo geral por toda parte. Este é o maior e mais forte castigo que caiu sobre todo o mundo: a confusão das ideias. Muitas vezes te disse que antes do fim passaríamos pela Torre de Babel. Mas o fim virá quando Eu achar por bem” (Vol. VII, pág. 468).

E em 1828: “Lembra, minha filha, que eu te falei que está instalada a Torre de Babel” (Vol. VII, págs. 375-376).

Em 31 de março de 1819, escreve Mons. Natali:
a Beata “me disse que um dia que não saberia apontar, durante os primeiros anos [das revelações], ela ouviu que o mundo ficaria reduzido a um tal estado que os poucos sacerdotes que restassem seriam constrangidos a viverem escondidos nos esgotos levando o Santíssimo Sacramento no peito” (Vol. IV, pág. 391).




Visão de conjunto dos grandes eventos futuros (nosso presente?)

Chuva de fogo e besta do Apocalipse.  Ottheinrich-Bibel, Bayerische Staatsbibliothek, Cgm 8010, Folio296r.
Chuva de fogo e besta do Apocalipse.
Ottheinrich-Bibel, Bayerische Staatsbibliothek, Cgm 8010, Folio296r.
“Desde os tempos de S.S. o Papa Pio VII – depôs Mons. Natali no processo de beatificação –, quer dizer, no ano 1818, a Serva de Deus descreveu para mim a revolução de Roma e tudo o que aconteceu, e a seguir falou-me muitas vezes – aliás, de um modo muito mais espantoso, dizendo que tinha sido mitigada pelas orações de muitas almas caras a Deus, que se ofereceram a Ele em satisfação da Justiça Divina.

“Porém, ela disse-me que a iniquidade haveria de avançar triunfante, e muitos que se acreditava serem bons teriam tirado a máscara, e que o Senhor queria descobrir a cizânia e depois Ele teria sabido o que fazer dela.

“Que as coisas estariam de tal maneira convulsionadas que o homem já não seria capaz de as pôr em ordem, mas que Seu braço onipotente haveria de remediar tudo.

“Ela me disse que o flagelo da terra tinha sido mitigado, mas não o do céu, que era horrível, espantoso e universal.

Vaticano sob a neve em recente e inusual nevasca
Vaticano sob a neve em recente e inusual nevasca
“Que o Senhor não o tinha dado a conhecer nem sequer às almas por Ele mais amadas nesta terra. Que teria chegado inesperadamente e que os ímpios teriam sido destruídos.

“Que antes desse flagelo todas as almas que na sua época tinham fama de santidade deveriam estar todas sepultadas.

“Que numerosos milhões de homens deveriam morrer por obra do ferro, uma parte nas guerras, outra parte em conflitos, e outros milhões de morte imprevista – entenda-se que por todo o mundo.

“Que, em consequência, nações inteiras haveriam de voltar à unidade da Igreja Católica, muitos turcos, gentios e hebreus hão de se converter de um modo que surpreenderá aos cristãos, que ficarão admirados pelo fervor e a observância que mostrarão com suas vidas.

“Numa palavra, ela disse-me que o Senhor queria purgar o mundo e Sua Igreja, e para isso Ele preparava uma nova safra de almas que, desconhecidas, apareceriam para realizar obras grandes e milagres surpreendentes.

Paris em ruínas. Concepção artística.
Paris em ruínas. Concepção artística.
“Ela me disse que depois de o Senhor ter varrido a terra com guerras, revoluções e outras calamidades, haveria de começar o céu, e então teria lugar o fim de dito flagelo com uma convulsão geral de fenômenos meteorológicos os mais espantosos e com grande mortalidade.

“A Serva de Deus me disse várias vezes que o Senhor lhe fez ver no misterioso Sol o triunfo universal da nova Igreja, de tal maneira grande e surpreendente que ela não podia descrevê-lo” (Proc. Ord. fol. 695-696, apud Mons. Carlo Salotti, pp. 340-342).

O triunfo da Igreja e o Restaurador

A purificação operada por Deus através de seus ministros angélicos e humanos, de instrumentos materiais e até por eventuais intervenções pessoais, terá um objetivo único: a restauração da Igreja Católica no grau de honra que lhe é devido e a recomposição da Civilização Cristã.

A Igreja triunfa sobre a Sinagoga de Satanás, Notre Dame de Paris
A Igreja triunfa sobre a Sinagoga de Satanás,
Notre Dame de Paris
Numa anotação de 18 de fevereiro de 1833, lemos uma das tantas e insofismáveis referências a esse triunfo universal da Igreja:

“Quando tome corpo a Igreja renovada, os poucos que restarão serão poucos, pouquíssimos e estarão extremamente surpreendidos e cheios de temor vendo tudo o que se fará por Deus, como se amará a Deus e o que se sofrerá por Deus. (...) A ti não cabe vê-lo” (Vol. IX, pág. 118).

Em 1828, encontramos o registro de uma visão que acena com a vinda de uma alma destinada a desempenhar um papel histórico de restaurador. Quem ou como seria ela? O texto não deixa margem a muitas suposições concretas:

“Viste? Observas? Contemplas? Eis a alma apostólica, eis o homem que luta pela vinha, eis aquele que é igual aos que tanto lutavam pela minha glória. Seus esforços, seus suores, suas obras serão premiadas no Paraíso com tanta glória que mente humana alguma jamais conseguirá imaginar.

“É tamanho o amor que Eu tenho por essa criatura, que ela só o conhecerá no Paraíso. Esse é um homem verdadeiramente zeloso. Esse não tem mancha alguma.

“Esse não tem finalidades humanas, não procura interesses e, desde a mais tenra juventude, jamais passou por ele o vício do cortesão” (Vol. VII, pág. 380).

Essa alma teria então um papel relevante nessa purificação da ordem humana.





Conselhos finais para o grande dia da “definitiva”,
o grande dia de Deus

O corpo da beata em sua urna. São Crisogono, Roma.
Deus lhe fez saber que ela não veria os grandes acontecimentos que ela, entretanto, profetizou.

A “definitiva” não era para o tempo da Beata que, portanto, sabia que não veria o triunfo de Deus contra todos os inimigos da Igreja.

Porém, obviamente, seus confidentes e amigos defendiam este ou aquele procedimento para melhor se prepararem.

Entretanto, foi Nossa Senhora quem ensinou à Beata a atitude certa para dispor seu espírito para a “definitiva”. Em 13 de setembro de 1831, assim lhe disse:

“agora não é tempo de milagres, porque a hora de a Igreja retornar ao seu primeiro estado ainda não chegou. Filhos meus, eis aqui vossa Mãe. Eu vos abençôo, abençoa-vos Meu Pai, mas sede bons, sede bons, sede bons.

“Sofrei com boa disposição por meu amor, até que venha o Espírito Santo para vos abrasar de amor e dar a definitiva a este mundo iníquo. Tereis chegado ao fim.

“Fica-vos pouco por padecer. Todos os reinos, cidades, povos, castelos, províncias, se encontrarão em penas, em problemas, em tribulações, em tormentos até a definitiva” (Vol. IX, págs. 152-155).

Segundo o Pe. Bouffier S.J., “Ana Maria falava amiúde” ao sacerdote seu confidente, “da perseguição pela qual a Igreja deveria passar, e da infeliz época em que se veria o desmascaramento de uma multidão de pessoas que se acreditava serem dignas de consideração.
O desmascaramento dos líderes católicos insinceros e a derrota dos ímpios
será pre-figura do desmascaramento e derrota do anti-Cristo.
Foto: o Anticristo aconselhado pelo demônio.
Luca Signorelli, basílica de Orvieto

“Certa vez ela perguntou a Deus quem resistiria a essa terrível prova. E lhe foi respondido: ‘aqueles a quem concederei o espírito de humildade’”.

Por isso Ana Maria estabeleceu em sua família o costume de após o terço da noite, rezar três Padre-Nossos, Aves e Gloria ao Pai, a fim de obter da misericórdia e bondade infinita da Santíssima Trindade a mitigação do flagelo que Sua justiça reserva para esses tempos calamitosos.

“Esse flagelo lhe foi manifestado numerosas vezes no misterioso sol.

Aprouve a Deus revelar-lhe também que após numerosas e dolorosas provações, a Igreja obteria um triunfo tão portentoso que os homens ficariam estupefatos; que nações inteiras voltariam à unidade na Igreja romana e que a Terra mudaria de aspecto” (Bouffier, op.cit.,págs. 251-252).

A Beata faleceu em Roma no dia 26 de novembro de 1837.

Sua causa de canonização foi introduzida em 8 de janeiro de 1863, sob o pontificado do Bem-aventurado Papa IX, pelo qual ela oferecera inúmeros padecimentos e orações.

Em 4 março de 1906, o Papa São Pio X aprovou o decreto de virtudes heroicas declarando-a Venerável.

Ana Maria Taigi foi beatificada no dia 30 de maio de 1920 por S.S. Bento XV. Segundo informou a agência ACIDigital: "o decreto de beatificação a aponta como: 'pródigo único nos fastos da Santidade'".

A Santa Sé fixou sua festa para o 10 de junho. Seu corpo está exposto em urna de cristal num altar da igreja de São Crisógono in Trastevere, na capital dos Papas, onde pode ser venerada pelos fiéis. Um muito discreto museu na igreja recolhe objetos e pertences ligados à vida da Beata.

FIM

Notas:
1 ) Pe. Gabriel Bouffier S.J., “La Vénérable Servante de Dieu Anna-Maria Taigi d'après les documents authentiques du procès de sa béatification”, Ambroise Bray, libraire-éditeur, Paris, 1865.
2 ) Todas as citações dos ditados da Beata anotados de Mons. Natali foram tiradas dos Manuscritos origináis conservados sob a classificação MS. 337ª no Arquivo de San Carlo alle Quattro Fontane dos padres trinitários de Roma. Eles são citados indicando o volume e a página respectiva.
3 ) Proc Apost. fol. 1537, apud Mons. Carlo Salotti, “La Beata Anna Maria Taigi secondo la storia e la critica”, Libreria Editrice Religiosa, Roma — Scuola tipografica italo-orientale « S. Nilo », Grottaferrata, 1922, 423 págs.

11 comentários:

  1. quee linda estorio ,convida a santidade

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    1. Sim, também fortalece nossa fé.

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  2. Essa história muda o modo da gente pensar e aumenta a fortaleza da alma contra o mal

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  3. Essa história muda o modo da gente pensar e fortalece a nossa alma contra o mal, faz pensar muito mais em Deus, dá vontade de fazer com que todos conheçam o outro lado da vida.

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  4. Faz nos pensar no quanto os sacerdotes ofendem Nosso Senhor com seus modernismos.

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  5. HÁ QUANTAS DÉCADAS DORME A NOSSA IGREJA CATÓLICA !!! POR QUE FOGEM DA CRUZ, QUE É A NOSSA SALVAÇÃO ??? POR QUE SE ACOVARDAM E DEIXAM OS FIÉIS CADA VEZ MAIS IGNORANTES ?? POR QUE NÃO REVELAM TANTAS MARAVILHAS IMPORTANTES PARA A SALVAÇÃO DO POVO DE DEUS ??? QUE DEUS TENHA MISERICÓRDIA DOS MAUS PASTORES. AMÉM !

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  6. Tu sofres? Pois eu ainda não. Ainda não tive coragem de sofrer por Nosso Senhor e sua Santa Igreja. Não me atirei no fogo de Seu Sagrado Coração, e nem lancei súplicas fervorosas ao Imaculado Coração de Maria. Não tive coragem de rezar com verdade para o Papa, especialmente nesse momento crítico do papado com Francisco. Vejo minha impiedade e vejo que estou entre aqueles que o Senhor abomina. Peço ao irmão que reze pela minha conversão!

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  7. Confidencio a vós meu desejo de ser Sacerdote, no auge dos meus 20 anos. Agora, após ler no artigo as palavras tão duras de nosso Deus, penso se sou digno disso; enquanto escrevo esta mensagem em pecado mortal. Não há doçura, não há moleza... não pode haver fraqueza em quem deseja seguir Jesus Cristo. Vejo que não levamos a vida espiritual a sério, grande parte por conta dos pastores da Igreja, que adocicaram, amoleceram e enfraqueceram o "discurso". Como rezar contra isso? Nem mesmo há força suficiente em mim...

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  8. Simplesmente impressionante. Estou arrepiado.
    Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós!

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  9. ISSO É ASSUSTADOR: ".... SERÃO POUCOS, POUQUÍSSIMOS QUE RESTARÃO....." SERÁ QUE SOMOS TÃO MAUS ASSIM, QUE A IMENSA MAIORIA IRÁ PARA O INFERNO? QUE NOSSA SENHORA NOS PROTEJA E QUE PEÇA POR NÓS E NOS ORIENTE, AMÉM.

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  10. Que Deus tenha misericórdia de nós... seu povo! Quantas almas se perderam e estão se perdendo!!! Realmente o número dos que se salvam é pouquíssimo! "Concedei-nos o convívio dos eleitos!"
    Senhor...

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