Escritos proféticos de Don Bosco

Don Bosco viu e transmitiu impressionantes advertências
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs














Escritos proféticos

de São João Bosco SDB













O sonho das duas colunas de Don Bosco: a crise,
a morte do Papa, o novo Papa e o triunfo, à luz de La Salette

O sonho das duas colunas, basílica de Maria Ausiliatrice, Turim
Em 26 de maio de 1862 São João Bosco tinha prometido a seus jovens que lhes narraria algo muito agradável nos últimos dias do mês.

Em 30 de maio, pois, de noite contou-lhes uma parábola ou sonho segundo ele quis denominá-la.

Eis aqui suas palavras:

“Quero-lhes contar um sonho. É certo que o que sonha não raciocina; contudo, eu que contaria a Vós até meus pecados se não temesse que saíssem fugindo assustados, ou que caísse a casa, este o vou contar para seu bem espiritual. Este sonho o tive faz alguns dias.

“Figurem-se que estão comigo junto à praia, ou melhor, sobre um escolho isolado, do qual não veem mais terra que a que têm debaixo dos pés.

“Em toda aquela vasta superfície líquida via-se uma multidão incontável de naves dispostas em ordem de batalha, cujas proas terminavam em um afiado esporão de ferro em forma de lança que fere e transpassa todo aquilo contra o qual arremete.

“Estas naves estão armadas de canhões, carregadas de fuzis e de armas de diferentes classes; de material incendiário e também de livros, e dirigem-se contra outra nave muito maior e mais alta, tentando cravar-lhe o esporão, incendiá-la ou ao menos fazer-lhe o maior dano possível.

“A esta majestosa nave, provida de tudo, fazem escolta numerosas navezinhas que dela recebiam as ordens, realizando as oportunas manobras para defender-se da frota inimiga. O vento lhes era adverso e a agitação do mar parece favorecer aos inimigos.

“Em meio da imensidão do mar levantam-se, sobre as ondas, duas robustas colunas, muito altas, pouco distantes a uma da outra.

“Sobre uma delas está a estátua da Virgem Imaculada, a cujos pés vê-se um amplo cartaz com esta inscrição: Auxilium Christianorum. (Auxilio dos Cristãos)

“Sobre a outra coluna, que é muito mais alta e mais grossa, há uma Hóstia de tamanho proporcionado ao pedestal e debaixo dela outro cartaz com estas palavras: Salus credentium. (Salvação dos crentes)

Detalhe do quadro do sonho, basílica de Maria Ausiliatrice, Turim
“O comandante supremo da nave maior, que é o Romano Pontífice, ao perceber o furor dos inimigos e a situação difícil em que se encontram seus fieis, pensa em convocar a seu redor aos pilotos das naves ajudantes para celebrar conselho e decidir a conduta a seguir.

“Todos os pilotos sobem à nave capitaneada e congregam-se ao redor do Papa. Celebram conselho; mas ao ver que o vento aumenta cada vez mais e que a tempestade é cada vez mais violenta, são enviados a tomar novamente o mando de suas respectivas naves.

“Restabelecida por um momento a calma, O Papa reúne pela segunda vez aos pilotos, enquanto a nave capitã continua seu curso; mas a borrasca torna-se novamente espantosa.

“O Pontífice empunha o leme e todos seus esforços vão encaminhados a dirigir a nave para o espaço existente entre aquelas duas colunas, de cuja parte superior pendem numerosas âncoras e grosas argolas unidas a robustas cadeias.

“As naves inimigas dispõem-se todas a assaltá-la, fazendo o possível por deter sua marcha e por afundá-la. Umas com os escritos, outras com os livros, outras com materiais incendiários dos que contam em grande abundância, materiais que tentam arrojar a bordo; outras com os canhões, com os fuzis, com os esporões: o combate torna-se cada vez mais encarniçado.

“As proas inimigas chocam-se contra ela violentamente, mas seus esforços e seu ímpeto resultam inúteis. Em vão reatam o ataque e gastam energias e munições: a gigantesca nave prossegue segura e serena seu caminho.

“Às vezes acontece que por efeito dos ataques de que lhe são objeto, mostra em seus flancos uma larga e profunda fenda; mas logo que produzido o dano, sopra um vento suave das duas colunas e as vias de água fecham-se e as fendas desaparecem.

“Disparam enquanto isso os canhões dos assaltantes, e ao fazê-lo arrebentam, rompem-se os fuzis, o mesmo que as demais armas e esporões. Muitas naves destroem-se e afundam no mar.

O novo Pontífice guia a nave até as duas colunas, Maria Ausiliatrice, Turim
“Então, os inimigos, acesos de furor começam a lutar empregando a armas curtas, as mãos, os punhos, as injúrias, as blasfêmias, maldições, e assim continua o combate.

“Quando eis aqui que o Papa cai ferido gravemente. Imediatamente os que lhe acompanham vão a ajudar-lhe e o levantam.

“O Pontífice é ferido uma segunda vez, cai novamente e morre. Um grito de vitória e de alegria ressoa entre os inimigos; sobre as cobertas de suas naves reina um júbilo inexprimível.

“Mas apenas morto o Pontífice, outro ocupa o posto vacante. Os pilotos reunidos o escolheram imediatamente; de sorte que a notícia da morte do Papa chega com o da eleição de seu sucessor. Os inimigos começam a desanimar-se.

“O novo Pontífice, vencendo e superando todos os obstáculos, guia a nave em volta das duas colunas, e ao chegar ao espaço compreendido entre ambas, a amarra com uma cadeia que pende da proa uma âncora da coluna que ostenta a Hóstia; e com outra cadeia que pende da popa a sujeita da parte oposta a outra âncora pendurada da coluna que serve de pedestal à Virgem Imaculada. Então produz-se uma grande confusão.

“Todas as naves que até aquele momento tinham lutado contra a embarcação capitaneada pelo Papa, dão-se à fuga, dispersam-se, chocam entre si e destroem-se mutuamente. Umas ao afundar-se procuram afundar às demais.

“Outras navezinhas que combateram valorosamente às ordens do Papa, são as primeiras em chegar às colunas onde ficam amarradas.

“Outras naves, que por medo ao combate retiraram-se e que se encontram muito distantes, continuam observando prudentemente os acontecimentos, até que, ao desaparecer nos abismos do mar os restos das naves destruídas, remam rapidamente em volta das duas colunas, e chegando às quais se amarram aos ganchos de ferro pendentes das mesmas e ali permanecem tranquilas e seguras, em companhia da nave capitã ocupada pelo Papa. No mar reina uma calma absoluta.”

"Preparam-se dias difíceis para a Igreja" (Don Bosco)
Ao chegar a este ponto do relato, Don Bosco perguntou a São Miguel Rúa:

— O que pensas desta narração?

São Miguel Rúa respondeu:

— Parece-me que a nave do Papa é a Igreja da qual ele é a Cabeça: as outras naves representam aos homens e o mar ao mundo. Os que defendem à embarcação do Pontífice são os fieis à Santa Se; os outros, seus inimigos, que com toda sorte de armas tentam aniquilá-la. As duas colunas salvadoras parece-me que são a devoção a Maria Santíssima e ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

São Miguel Rúa não fez referência ao Papa cansado e morto e São João Bosco nada disse tampouco sobre este particular. Somente acrescentou:

— Hás dito bem. Somente terei que corrigir uma expressão. As naves dos inimigos são as perseguições. Preparam-se dias difíceis para a Igreja. O que até agora aconteceu (na história da Igreja) é quase nada em comparação ao que tem de acontecer.

“Os inimigos da Igreja estão representados pelas naves que tentam afundar a nave principal e aniquilá-la se pudessem. Só ficam dois meios para salvar-se dentro de tanto desconcerto! Devoção a Maria.

“Frequentação dos Sacramentos: Comunhão frequente, empregando todos os recursos para praticá-la nós e para fazê-la praticar a outros sempre e em todo momento. Boa noite!

As conjecturas que fizeram os jovens sobre este sonho foram muitíssimas, especialmente no referente ao Papa; mas Don Bosco não acrescentou nenhuma outra explicação.

Quarenta e oito anos depois — em 1907 — um antigo aluno, cônego Don João Maria Bourlot recordava perfeitamente as palavras de Don Bosco.

Temos que concluir dizendo que muitos consideraram este sonho como uma verdadeira visão ou profecia, embora (São) João Bosco ao narrá-lo parece que não se propôs outra coisa que, induzir aos jovens a rezar pela Igreja e pelo Sumo Pontífice inculcando-lhes ao mesmo tempo a devoção ao Santíssimo Sacramento e a Maria Santíssima.

Vídeo: quadro do sonho das duas colunas na Basílica de Maria Auxiliadora, Turim




(Fonte: PIETRO ZERBINO (a.c. di), I sogni di Don Bosco, Leumann: LDC, 1995/2a ristampa, pp 53-55).
Tradução de
Os Sonhos de São João Bosco)




São João Bosco anuncia a Pio IX:
um Papa abandonará Roma em ruínas, mas voltará

A queda de Roma, Thomas Cole (1801 – 1848). New-York Historical Society.
A queda de Roma, Thomas Cole (1801 – 1848). New-York Historical Society.
No Segredo de La Salette, Nossa Senhora anunciou um histórico castigo proximamente vindouro sobre a cidade de Roma, com sanguinária perseguição do clero, apostasias inclusive de bispos e destruição de igrejas e conventos.

Entre o 24 de maio e o 24 junho de 1873, São João Bosco escreveu uma carta profética ao bem-aventurado Papa Pio IX, então felizmente reinante em meio a tempestades temíveis suscitadas pelos inimigos da Igreja, internos e externos.

A semelhança de certos aspectos da profecia do grande santo italiano com a previsão de Nossa Senhora em La Salette se patenteia nos termos em que está redigida a carta:

“Era uma noite escura, os homens já não podiam distinguir qual fosse o caminho a ser seguido para voltar sobre os próprios passos, quando apareceu no céu uma luz fortíssima que iluminava as passadas dos viajantes como se fosse pleno dia.

Naquele momento, viu-se uma multidão de homens, mulheres, velhos, crianças, monges, monjas e sacerdotes, tendo à frente o Santo Padre, sair do Vaticano ordenando-se como se fosse uma procissão.

Mas sobreveio um temporal furioso que, obscurecendo um pouco essa claridade, parecia travar uma batalha entre luz e trevas.

Nesse meio tempo, chegou-se a uma pequena praça coberta de mortos e feridos, vários dos quais pediam conforto com fortes gritos.

A fila da procissão foi rareando bastante.

Beato Papa Pio IX recebeu a carta profética de Don Bosco
Beato Papa Pio IX recebeu a carta profética de Don Bosco
Depois de ter caminhado por um tempo correspondente a duzentos nasceres do sol, cada um percebeu que não estava mais em Roma.

O desconcerto tomou conta de todos e todos se reuniram em volta do Santo Padre para proteger sua pessoa e assisti-lo em suas necessidades.

Naquele momento apareceram dois anjos portando um estandarte que foram apresentar ao Santo Padre, dizendo:

– Recebe a bandeira d'Aquele que combate e dispersa os exércitos mais fortes da Terra. Os teus inimigos desapareceram, os teus filhos invocam teu retorno com lágrimas e suspiros.

Levantando-se o olhar para o estandarte, via-se escrito, de um lado, Regina sine labe concepta (N.T.: Rainha concebida sem pecado original) e, do outro, Auxilium Christianorum (N.T.: Auxílio dos Cristãos).

O Pontífice pegou com alegria o estandarte, mas, vendo o pequeno número de pessoas que haviam sobrado à sua volta, mostrou-se muito aflito. Os dois anjos acrescentaram:

– Vai logo consolar os teus filhos. Escreve aos teus irmãos dispersos nas várias partes do mundo que é necessário fazer uma reforma dos costumes dos homens. Isso não poderá ser alcançado senão distribuindo aos povos o pão da Palavra Divina.

'Catequizai as crianças, pregai o desapego das coisas terrenas. Chegou o momento em que os pobres evangelizarão os povos, concluíram os dois anjos. Os levitas serão procurados entre a enxada, a pá e o martelo, para que se cumpram as palavras de Davi: “Deus levantou o pobre da terra para colocá-lo no trono dos príncipes de teu povo”.'

São João Bosco escrevendo
São João Bosco escrevendo
Após ouvir tudo isso, o Santo Padre moveu-se e as fileiras da procissão começaram a engrossar. Quando, por fim, pôs os pés na Cidade Santa, começou a chorar pela desolação em que estavam os habitantes, muitos dos quais haviam morrido.

Retornando a São Pedro, cantou o Te Deum, e lhe respondeu um coro de Anjos cantando Gloria in excelsis Deo et in terra pax hominibus bonae voluntatis.

Concluído o cântico, cessou totalmente a escuridão e abriu-se um sol claríssimo.

As cidades, as vilas, os campos tinham sua população bastante diminuída. A terra estava pisada como se tivesse passado um furacão, um temporal, o granizo, e as pessoas iam umas ao encontro das outras dizendo com a alma comovida: Est Deus in Israel. (Há Deus em Israel)

Do início do exílio até o Te Deum, o sol levantou-se duzentas vezes. Todo o tempo que passou durante a realização desses fatos corresponde a quatrocentos amanheceres”.

O terceiro segredo de Fátima, o Beato Palau e o sonho das duas colunas do próprio São João Bosco, acenam perspectivas semelhantes e desfechos análogos.


FONTES

1) Archivio Salesiano Centrale, Roma, (AS S132 Sogni 1). Fotocopia del manoscritto di Don Gioacchino Berto segretario, con postille marginali autografe di San Giovanni Bosco, descritto e trascritto da Don Angelo Amadei nel vol. X delle Memorie Biografiche.

2) P. Giovanni Battista Lemoyne S.D.B., “Memorie Biografiche del Venerabile Don Giovanni Bosco”, Tipografia S.A.I.D. “Buona Stampa”, Torino, 1917, volume IX. (Appendice “B”, pp. 999-1000).

3) Cecilia Romero, “I sogni di Don Bosco – edizione critica”, Elle Di Ci, Leumann (Torino), 1978, pp. 27-32).




São João Bosco insiste em outra carta a Pio IX:
o Papa perseguido sairá de Roma

Turim, 10 de março 1861

Beatíssimo Padre,

Aproveito a oportunidade favorável de que um zeloso cooperador do jornal “L'Armonia” vai a Roma para dirigir duas palavras a Vossa Santidade.

Quantas coisas um pobre sacerdote quereria dizer ao chefe da Cristandade! Reduzamos tudo à máxima brevidade.

Eu direi, entretanto, que após muitos distúrbios, no momento presente estamos em paz, fato que me permite trabalhar livremente em favor de meus jovens e pela impressão das “Leituras Católicas”.

De um ano para cá, nossas escolas cresceram ao quádruplo. Atualmente, na nossa casa temos perto de quinhentos jovens, que dão boas esperanças e se preparam para o estado eclesiástico.

Nosso clero até agora se mantém corajosamente firme; mas aproximam-se grandes provações, e se o Senhor não nos fortificar com sua graça eu temo algum naufrágio.

Promessas, ameaças, pressões são os três inimigos que nos têm atacado; mas agora se avizinha o tempo da perseguição.

Os fiéis são fervorosos; mas a cada dia um grande número passa da tibieza para um indiferentismo apático, que é a maior praga do catolicismo em nossos países.

São João Bosco
Porém, os tímidos baniram todo medo e mostram-se intrépidos em todo lugar onde seja necessário se revelar cristão.

Pese a tudo, Beatíssimo Padre, fique tranquilo, porque aqui no Piemonte há um grande número de filhinhos unidos com o espírito do Senhor.

Eles estão inteiramente prontos, se Deus quiser, a dar suas vidas e seus bens pela religião santíssima da qual Vós sois a cabeça visível sobre a [terra], enquanto Deus vos assiste desde o Céu.

O fato que mais aflige nosso espírito são os desastres que acabrunham a Igreja universal.

Coragem, Beatíssimo Padre, nós temos rezado e ainda hoje redobramos nossas orações pela conservação de Vossa sagrada pessoa.

Um garotinho que há já alguns anos dá claros sinais [de] receber especiais luzes do Senhor, pronunciou várias vezes estas palavras:

‘Quantas tribulações contristarão o paterno coração de Pio IX. A Virgem Imaculada estende ao Santo Padre um grande maço de rosas, mas ele deve pegá-las pela parte onde há espinhos agudíssimos’.

Uma outra pessoa é da opinião de que se o Senhor não muda seus desígnios. Vossa Santidade deverá mais uma vez abandonar Roma, o que será um grande bem em meio a tanto mal; pois povos inteiros acorrerão para venerá-la; milhões de homens abraçarão o catolicismo, movidos unicamente pela fortaleza nas tribulações do Vigário de Jesus Cristo, que por este meio iluminará muitas almas redimidas pelo próprio Salvador nosso.

Beato Pio IX
Em suma, aproximam-se acontecimentos espantosos, talvez inauditos na história das nações; mas Vossa Santidade obterá o mais glorioso triunfo sobre tudo e, após conflitos extremamente sanguinários, voltará a ser o dono tranquilo de seus Estados, acolhido pelo amor de seus povos, abençoado pelos Reis e pelas nações.

Mas, e esses que reinam, esses que os acompanham e que são a causa de tantos males?

Esses que são a causa desses males, ou que poderiam impedi-los e não os impedem, esses estão nas mãos de Deus como uma vara da qual Ele se serve para punir os delitos dos homens; depois a vara será feita em pedaços e jogada ao fogo.

De qualquer modo, nós temos rezado e rezamos sempre a Deus misericordioso a fim de que conserve e proteja Seu Vigário; e conceda a paz à Sua Igreja. Vã é hoje qualquer esperança nos homens; só Deus pode nos ajudar.

Vós, Beatíssimo Padre, me tendes feito muitos favores; agora aos outros acrescente este de compartilhar o modo certamente confidencial com que vos tenho escrito. Atribuí tudo à grande bondade de vosso coração e ao grande afeto que nutro por vossa venerada pessoa.

Dignai-vos conceder, sobre mim e sobre meus rapazes, vossa santa bênção apostólica enquanto eu me prostro humildemente

D. V. B.

Afetuosíssimo filho

Sac. Bosco Gioanni

(Fonte: SCRITTI EDITI E INEDITI, Vol. VI - ESPITOLARIO, Vol. I, pp. 440-442, Libreria Ateneo Salesiano - LAS, Roma, 1991.)



Quartos onde viveu e morreu Don Bosco






São João Bosco ao Beato Pio IX:
flagelos que virão sobre a Itália, a França e a Igreja

Sonho de São João Bosco comunicado ao Papa Beato Pio IX
Sonho de São João Bosco comunicado ao Papa Beato Pio IX
Em 5 de janeiro 1870 São João Bosco redigiu uma carta profética endereçada ao Papa reinante, o Beato Pio IX, que foi entregue em 12 de fevereiro de 1870.

Esta carta vai no mesmo sentido daquela que reproduzimos em post anterior: São João Bosco profetiza para o Beato Pio IX: um Papa abandona Roma em ruínas, mas percebe que deve retornar

No dia 6 de janeiro de 1870, festa da Epifania ou dos Reis Magos, se reuniu a segunda Sessão do Concílio Vaticano I.

Nela, os padres conciliares fizeram, um por um a começar pelo Sumo Pontífice, a solene profissão de fé que prescreve o ritual.

Na véspera daquela histórica cerimônia, don Bosco viu num sonho o que segue.

 O próprio Santo escreveu aquilo que viu e ouviu. Trata-se do sonho 75:

“Só Deus pode tudo, conhece tudo, vê tudo. Para Deus não há passado nem futuro; mas para Ele todas as coisas estão presentes como num único ponto.

Massacres de Paris, 10 de agosto de 1792
Johann Zoffany (1733-1810)
“Diante de Deus não há coisa escondida, nem em face d'Ele se contam as distâncias de lugar ou de pessoas. Só Ele na sua infinita misericórdia e pela sua glória pode manifestar as coisas futuras aos homens.

“Na vigília da Epifania do ano em curso de 1870 desapareceram todos os objetos materiais de meu quarto e me encontrei considerando coisas sobrenaturais.

“Foi coisa de breves instantes, mas deu para ver muito. Embora se tratasse de formas ou aparências sensíveis, entretanto não se pode senão com grande dificuldade comunicar aos outros com sinais externas e sensíveis.

“Não obstante isso, se pode ter uma ideia com base no seguinte. Eis a palavra de Deus adequada às palavras do homem:

‘Do Sul vem a guerra, do Norte vem a paz. As leis da França não reconhecem mais o Criador, e o Criador se fará reconhecer e visitará esse país três vezes com o açoite da fúria.

‘Na primeira derrubará sua soberba com as derrotas, com o saque e com a destruição das colheitas, dos animais e dos homens.

Castigo sobre Paris

‘Na segunda, a grande prostituta da Babilónia, aquela que os bons chamam, suspirando, de ‘o prostíbulo da Europa’, será privada da cabeça e entregue à desordem.

‘Paris, Paris! Ao invés de te armares em nome do Senhor, te rodeias de casas de imoralidade.

A grande prostituta da Babilônia
Ottheinrich-Bibel, Bayerische Staatsbibliothek,
Cgm 8010, Folio300r_Rev17
‘Elas serão por ti própria destruídas. O teu ídolo, o Panteão, será transformado em cinzas, para que se torne verdadeiro que mentita est iniquitas sibi. [N.T.: Ps 26:12, “a iniquidade se enganou a si mesma”]

‘Teus inimigos te cobrirão de angústias, de fome, de pavor e da abominação das nações.

‘Mas, ai de ti se não reconheces a mão que te golpeia! Eu quero punir a imoralidade, o abandono e o desprezo de minha lei, diz o Senhor.

‘Na terceira, cairás na mão do estrangeiro: teus inimigos verão desde longe teus palácios em chamas, tuas casas transformadas em amontoados de ruínas banhadas pela sangue de teus filhos que não existem mais.


O grande guerreiro do Norte

‘Mas eis um grande guerreiro do Norte. Ele carrega um estandarte na sua mão direita, onde está escrito: ‘Mão irresistível do Senhor’

‘Naquele momento, o venerável Velho do Lácio foi ao seu encontro agitando uma tocha flamejante.

‘Então o estandarte se dilatou e, de negro que era, tornou-se branco como a neve.

‘No meio do estandarte apareceu escrito, em caracteres de ouro, o nome de quem tudo pode.

Juízo Final, Hans Memling (1430-1494), detalhe
‘O guerreiro, com os seus, fez uma profunda reverência para o Velho e apertaram-se as mãos.

O mundo revoltar-se-á contra o bom Papa Pio IX

‘Agora a voz do céu é para o Pastor dos Pastores:

'Tu estás na grande conferência com os teus assessores, mas o inimigo do bem não tem um instante de repouso.

‘Ele estuda e pratica todas as artes contra ti.

‘Semeará a discórdia entre os teus assessores, criará inimigos entre teus filhos'.

‘As potências do mundo vomitarão fogo e gostariam que as palavras fossem sufocadas na garganta dos guardiões da minha lei.

‘Isso não acontecerá.

‘Estarão agindo mal e fazendo mal a si mesmos.

‘Acelera: se as dificuldades não se resolverem, que sejam eliminadas.

‘Se estiveres em angústias, não pares, mas continua até que seja cortada a cabeça da hidra do erro.

‘Esse golpe fará tremer a terra e o inferno; mas o mundo estará seguro e todos os bons ficarão exultantes.

‘Reúne em torno de ti ainda que apenas dois assistentes, mas seja aonde fores, continua e termina a obra que te foi confiada.

Don Bosco viu e transmitiu impressionantes advertências
‘Os dias correm velozes, os teus anos avançam no número estabelecido, mas a grande Rainha intervirá sempre para te ajudar e no futuro, do mesmo modo que nos tempos passados, será sempre magnum et singulare in Ecclesia praesidium. [N.T.: grande e especial protetora da Igreja]

O castigo de Roma e do clero prevaricador

‘Mas a ti, Itália, terra de bênçãos, quem te mergulhou na desolação?...

‘Não apontes os inimigos, mas os teus amigos.

‘Não ouves que teus filhos pedem o pão da fé e não se encontra quem o distribua?

Que farei? Baterei nos pastores, dispersarei o rebanho para que os sentados na cadeira de Moisés procurem bons pastos e o rebanho, docilmente, ouça e se alimente.

‘Mas sobre o rebanho e sobre os pastores pesará minha mão.

‘A carestia, a peste e a guerra farão com que as mães chorem o sangue dos filhos e dos maridos mortos em terra inimiga.

‘E de ti, Roma, que será? Roma ingrata, Roma efeminada, Roma soberba.

‘Tu chegaste a tal ponto que não procuras outra coisa, nem nada mais admiras em teu soberano senão o luxo, esquecendo que tua e sua glória está sobre o Gólgota.

‘Agora ele está velho, caduco, inerme, despido, entretanto com a palavra que é sua serva faz estremecer o mundo todo.

Torre de Babel, Peter Bruegel o velho (1525 -1569), detalhe
‘Roma! Eu te visitarei quatro vezes.

‘Na primeira golpearei as tuas terras e os seus habitantes.

‘Na segunda, levarei a destruição e o extermínio até os teus muros. Não abres ainda os olhos?

‘Virei a terceira vez e derrubarei as defesas e os defensores e o comando do Pai será substituído pelo reino do terror, do medo e da desolação.

‘Mas os meus sábios fogem. A minha lei continua sendo pisada.

‘Por isso farei a quarta visita. Ai de ti se minha lei ainda for uma palavra vã para ti!

‘Acontecerão prevaricações de sábios e de ignorantes. O teu sangue e o sangue de teus filhos lavarão as manchas feitas por ti à lei do teu Deus.

‘A guerra, a peste e a fome são flagelos com os quais serão castigadas a soberba e a malícia dos homens.

‘Onde estão, ó ricos, vossas grandezas, vossas mansões, vossos palácios? Tornaram-se o lixo das praças e das ruas.

‘E vós, ó sacerdotes, por que não correis a chorar, entre o vestíbulo e o altar, invocando a suspensão dos flagelos?

‘Por que não tomais o escudo da fé e subis aos telhados, vais ás casas, às ruas, às praças, a todos os lugares, mesmo os inacessíveis, para levar a semente da minha palavra?

‘Ignorais que essa é a terrível espada de dois gumes que abate os meus inimigos, que rompe a ira de Deus e dos homens?

Por fim, Nossa Senhora triunfará

"Mas a Augusta Rainha dos Céus está presente"
‘Esses fatos ocorrerão inexoravelmente, um após o outro.

‘Os fatos se sucedem de forma lenta demais.

‘Mas a Augusta Rainha dos Céus está presente.

‘A potência do Senhor está em suas mãos. Dispersa como a neblina os seus inimigos. Reveste novamente o Velho Venerável com todas os seus antigos paramentos.

‘Ocorrerá ainda um furacão violento.

‘Consumada a iniquidade, o pecado terá fim e antes que se passem dois plenilúnios no mês das flores, o arco-íris da paz aparecerá sobre a Terra.

‘O grande Ministro verá a esposa de seu rei vestida para festa.

‘Em todo o mundo aparecerá um sol tão luminoso como não o foi jamais, desde as chamas do Cenáculo até hoje, nem jamais será visto até o último dos dias”.

FONTES
1) Archivio Salesiano Centrale, Roma, (AS S132 Sogni 1). Fotocopia del manoscritto di Don Gioacchino Berto segretario, con postille marginali autografe di San Giovanni Bosco, descritto e trascritto da Don Angelo Amadei nel vol. X delle Memorie Biografiche.
2) P. Giovanni Battista Lemoyne S.D.B., “Memorie Biografiche del Venerabile Don Giovanni Bosco”, Tipografia S.A.I.D. “Buona Stampa”, Torino, 1917, volume IX. (Appendice “B”, pp. 999-1000).
3) Cecilia Romero, “I sogni di Don Bosco – edizione critica”, Elle Di Ci, Leumann (Torino), 1978, pp. 27-32).




Don Bosco: o sonho do cavalo vermelho (1862):
a ‘democracia sectária’?, ou o comunismo?

O cavalo vermelho do Apocalipse.
Ottheinrich-Bibel, Bayerische Staatsbibliothek, Cgm 8010
Don Bosco teve vários sonhos proféticos. Temos citado no nosso blog alguns deles. Um dos mais conhecidos é o do "cavalo vermelho" de que fala o Apocalipse capítulo VI, versículo IV.

Don Bosco viu em sonho esse cavalo simbólico avançar sobre o mundo contemporâneo.

O que simbolizava esse cavalo? Na abalizada edição das "Memorie Biografiche" (volume 7, capítulo 22) vemos que os companheiros do Santo o interpretaram como um símbolo da "democracia sectária" que hostilizava a obra salesiana.

Nada de mais normal, a "democracia sectária" que se espraiava pela Itália no século XIX era filha da Revolução Francesa.

Aliás, poderia se falar que hoje também sobrevive essa mesma "democracia sectária". Ela tem os mesmos objetivos e métodos anticristãos mas apela a argumentos como o "laicismo", a "ideologia de gênero", etc.

Porém, alguns interpretaram - e com fundamento - que o "cavalo vermelho" é também símbolo do comunismo que já produzia seus péssimos efeitos no tempo de Don Bosco.

Na perspectiva da mensagem de La Salette, as duas interpretações têm procedência, pois o comunismo é o filho criminoso da Revolução Francesa. 

E o "cavalo vermelho" do Apocalipse pode significar os dois, ou um ou outro, pois os dois promoveram perseguições sangrentas contra a Igreja, um na continuidade do outro.

A discussão não está encerrada. Apresentamos a nossos leitores, o texto completo de dito sonho segundo a abalizada edição das Memorie Biografiche, para que cada um possa formar sua opinião.

Eis o sono, acompanhado dos comentários dos companheiros do grande Santo italiano:

As crônicas do mês de julho [N.R. : 1862] relatam novas maravilhas sobre Don Bosco.

Dom Ruffino escreveu na sua crônica: 1 de julho. Don Bosco disse a alguns que o rodeavam depois do almoço:
Don Bosco

— Este mês teremos que assistir a um funeral.

Em diversas ocasiões repetiu o mesmo uma e outra vez, mas sempre ante um reduzido número de ouvintes.

Estas confidências despertavam nos clérigos uma grande curiosidade, de forma que, nas horas de recreio, quando as ocupações o permitiam, rodeavam-no com a esperança de ouvir de seus lábios alguma novidade, e uma delas foi, como o compreenderam mais tarde, a intenção de Don Bosco de fundar um instituto para atender às meninas. Com efeito, assim o consignaram por escrito Dom Bonetti e Dom César Chiala.

Em 6 de julho o bom pai narrou a alguns de seus filhos o seguinte sonho que teve na noite de 5 a 6 do dito mês. Estavam presentes Francesia, Savio, (Beato) Miguel Rúa, Cerrutti, Fusero, Bonetti o Cavalheiro Oreglia, Anfossi, Durando, Provera e algum outro.

Esta noite — começou Don Bosco — tive um sonho singular. Sonhei que me encontrava com a marquesa Barolo e que passeávamos por uma praça situada diante de uma planície muito extensa. Via os jovens do Oratório correr, saltar, jogar alegremente. Eu queria dar a direita à marquesa, mas ela disse-me:

— Não; fique onde está.

Depois começou a falar de meus jovens e dizia-me:

— É tão boa coisa que se ocupe dos jovens! Mas deixe-me a mim o cuidado das jovens; assim iremos de acordo. Eu repliquei-lhe:

Os quatro cavalos do Apocalipse.
Livro composto por Beatus de Facundus
para os reis Ferdinando I e Sancha de Castela
— Mas, me diga: Nosso Senhor Jesus Cristo veio ao mundo para redimir somente aos jovenzinhos ou também às jovenzinhas?

— Sei — replicou — que nosso Senhor redimiu a todos: meninos e meninas.

— Pois bem; eu devo procurar que seu sangue não se derramou inutilmente, tanto para as jovens como para os jovens.

Enquanto estávamos ocupados nesta conversação, eis que entre meus jovens que estavam na praça começou a reinar um estranho silêncio. Deixaram todos seus entretenimentos e deram-se à fuga, alguns para uma parte, alguns para outra, cheios de espanto.

A marquesa e eu detivemos o passo e ficamos durante uns momentos imóveis.

Procurando a causa daquele terror demos uns passos para frente.

Levanto um pouco a vista e eis que ao fundo da planície vejo descer até a terra um cavalo grande... imensamente grande...

O sangue gelou-se nas veias.

— Seria como esta habitação? —, perguntou Francesia.

— Oh, muito maior! — replicou Don Bosco

— Seria grande e alto como três ou quatro vezes maior que este local, e maior que o palácio Madama (este palácio é um dos grandes palácios da cidade de Turim).

Em resumidas contas, era uma besta descomunal.

Enquanto eu queria fugir temendo a iminência de uma catástrofe, a marquesa Barolo perdeu o sentido e caiu ao chão.

Eu quase não podia manter-me de pé, tanto tremiam os meus joelhos.

Corri a esconder-me detrás de uma casa que havia a muita distância, mas de lá alijaram-me dizendo:

— Saia, saia; aqui não tem que vir!

Enquanto isso eu dizia a mim mesmo:

A "democracia sectária" promoveu perseguições contra a Igreja.  Na foto: expulsão dos religiosos de clausura da França
A "democracia sectária" promoveu perseguições contra a Igreja.
Na foto: expulsão dos religiosos de clausura da França
— Quem sabe que diabo será este cavalo! Não fugirei, adiantarei-me-ei para examiná-lo mais de perto. E embora tremesse dos pés à cabeça, armei-me de valor, voltei atrás e aproximei-me.

— Ah! Que horror! Aquelas orelhas rígidas! Aquele focinho descomunal!

Às vezes parecia-me ver muita gente em cima dele; outras vezes, que tinha asas, de forma que exclamei:

— Mas isto é um demônio!

Enquanto o contemplava, como estava em companhia de alguns, perguntei a um dos presntes:

— O que quer dizer este enorme cavalo?

O tal respondeu-me:

— Este é o cavalo vermelho: Equus rufus, do Apocalipse.

Depois despertei e encontrei-me na cama muito assustado e durante toda a manhã, enquanto dizia Missa; no confessionário tinha diante de mim a (memória) daquele animal.

Agora desejo que alguém averigue se este "equus rufus", é verdadeiramente nomeado nas Sagradas Escrituras, e qual é seu significado.

E encarregou a Durando que procurasse resolver o problema. (Beato) Dom Miguel Rúa fez observar que, realmente no Apocalipse, capítulo VI, versículo IV, fala-se do cavalo vermelho, símbolo da perseguição sangrenta contra a Igreja, como explica nas notas da Sagrada Escritura, Mons. Martini. Eis aqui as palavras textuais do livro sagrado:

Et cum aperuisset sigillum secundum, audivi secundum animal, dicens: Veni et vede.
Et exivit alius equus rufus: et qui sedebat super illum datum est ei ut sumeret pacem de térra, et ut invicem se interficiant et datus est ei gladius Magnus.

(tradução:) Quando abriu o segundo selo, ouvi o segundo animal clamar: Vem e vede!
Partiu então outro cavalo, vermelho. Ao que o montava foi dado tirar a paz da terra, de modo que os homens se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.

Profanações comunistas na Guerra Civil espanhola. Na realidade, a "democracia sectária" e o comunismo fazem parte de um mesmo processo e trabalham de mãos dadas contra a Igreja e a Civilização Cristã.
Profanações comunistas na Guerra Civil espanhola. Na realidade, a "democracia sectária" e o comunismo
fazem parte de um mesmo processo e trabalham de mãos dadas contra a Igreja e a Civilização Cristã.
No sonho de Don Bosco parece que o cavalo representava a democracia sectária, que procedendo furiosamente contra a Igreja avançava conspirando contra a ordem social, sem deter-se nem um só passo; impunha-se aos governos, nas escolas, nos municípios, nos tribunais, desejando realizar a obra destruidora começada com o apoio e cumplicidade das autoridades constituídas, em prejuízo da sociedade religiosa e de todo piedoso instituto e do direito de propriedade.

Don Bosco dizia:

— Seria necessário que todos os bons e nós em nossa pequenez procurássemos com zelo e entusiasmo pôr um freio a esta besta que irrompe em qualquer parte aloucadamente.

De que maneira? Pondo em guarda aos povos mediante o exercício da caridade e com a boa imprensa que contrarie as falsas doutrinas de semelhante monstro, orientando o pensamento dos povos e os corações para a Cátedra de Pedro.

Nela está o fundamento indubitável de toda autoridade que procede de Deus, a chave mestra que conserva toda ordem social; o código imutável dos deveres e dos direitos dos homens; a luz divina que dissipa os enganos das mais inflamadas paixões; aqui o fiel guardião e o defensor poderoso da moral evangélica e da lei natural; aqui a confirmação da sanção imutável dos prêmios eternos reservados a quem observa a lei do Senhor e as penas igualmente eternas para os transgressores da mesma.

Mas a Igreja, a Cátedra de São Pedro e o Papa, são uma mesma coisa. Portanto, para que estas verdades fossem acatadas por todos, Don Bosco queria que se fizesse toda sorte de esforços por desfazer as calúnias contra o Pontificado e que se desse a conhecer os imensos benefícios que Roma reporta à vida social e se procurasse avivar em todos os corações, sentimentos de gratidão, fidelidade e amor para com a Cátedra de Pedro.





Carta de São João Bosco ao imperador Francisco José:
“Minha ira está para estalar sobre a Terra”

No Segredo de La Salette Nossa Senhora considera que o futuro da Igreja e o futuro da ordem temporal estão intimamente ligados.

E Ela fala especialmente dos castigos que podem cair sobre as nações católicas mais amadas: a Itália e a França, se essas não ouvem sua voz.

Esses castigos virão também sobre as demais nações e sobre a própria Igreja, se não mostrarem arrependimento e não fizerem penitência.

Na carta a seguir de São João Bosco ao imperador da Áustria-Hungria - naquele tempo o maior chefe de Estado da Europa - encontramos a mesma percepção dessa interrelação.

São João Bosco prenuncia que tempos tempestuosos se avizinham para a Igreja e para as nações.

Esses dias difíceis adviriam como castigo pelo abandono da prática da Lei de Deus.

O santo, então, comunica da parte de Deus ao imperador católico toda uma estratégia de ação política internacional, visando o bem da Igreja e da Cristandade.

Convida-o até a ser o braço armado de Deus Ele próprio: a "vara de Seu poder" e o "benfeitor da humanidade".

Infelizmente, o imperador Francisco José não ouviu a voz do Santo dotado de luzes proféticas e não executou o plano político de Deus.

Francisco José se aliou com a Prússia, país protestante com quem Deus lhe dissera de não se aliar.

A Prússia arrastrou o império Austro-Húngaro a uma derrota espantosa na I Guerra Mundial.

Francisco José morreu em 1916 em plena guerra.

Seu império foi dissolvido poucos anos depois.

Eis a carta de São João Bosco:

  
Ao Imperador da Áustria

O imperador da Áustria-Hungria Francisco José em 1874,
perto da data da carta de São João Bosco da parte de Deus.
Heinrich von Angeli, Museu do Hermitage, São Petersburgo.
24 de maio de 1873.

Isto diz o Senhor ao Imperador da Áustria:

“Cobra ânimo: zela por meus servos fiéis e por ti mesmo.

Minha ira está para estalar sobre todas as nações da Terra, porque se quer fazer olvidar minha lei e levar em triunfo os que a profanam, oprimir os que a observam.

Queres tu ser a vara de meu poder?

“Queres cumprir minhas vontades arcanas e tornar-te benfeitor da humanidade?

“Apoia-te nas nações do Norte, mas não na Prússia.

“Estreita relações com a Rússia, mas não faças nenhuma aliança com ela.

Associa-te à França católica. Atrás da França virá a Espanha.

“Formai um só espírito, uma só ação.

“Sumo segredo com os inimigos de meu santo nome. Com prudência e com energia vos tornareis invencíveis.

“Não acredites nas mentiras dos que te dizem o contrário.

Não pactues com os inimigos do Crucificado.

Espera e confia em mim, que sou Quem dá as vitórias aos exércitos, o salvador dos povos e dos soberanos”.

Amém. Amém.

FONTE:
Archivio Salesiano Centrale, Roma, (AS S132 Sogni 1). Fotocopia del manoscritto di Don Gioacchino Berto segretario, con postille marginali autografe di San Giovanni Bosco, descritto e trascritto da Don Angelo Amadei nel vol. X delle Memorie Biografiche. 




São João Bosco e a aparição de La Salette

São Pio X a Mons. Cecchini (bispo que presidiu os funerais de Mélanie): “E nossa santa?”. Foto colorida a posteriori
São Pio X a Mons. Cecchini (bispo que presidiu os funerais de Mélanie):
“E nossa santa?”.
Foto colorida a posteriori
Em posts anteriores tivemos ocasião de apresentar o testemunho de Santos que emitiram pareceres favoráveis à aparição de La Salette e, também da vidente Mélanie.

Entre eles sobressaem pela sua autoridade as atitudes do Beato Papa Pio IX contemporâneo da aparição, e São Pio X Papa de 1903 até 1914.

Veja mais: Opiniões favoráveis dos Papas São Pio X e Beato Pio IX sobre La Salette 

Também dedicamos um post especial ao depoimento de Santo Aníbal de Francia (1851-1927) que foi durante anos diretor espiritual da vidente Mélanie.

Leia mais: Santo Aníbal Di Francia: testemunha excepcional 

Consagramos este e o post subsequente a aprovações e manifestações de simpatia e devoção de outros santos canonizados pela Igreja, ou de almas de reconhecida virtude.

São João Bosco

Don Bosco: (Nossa Senhora) “fez isso para advertir
que a cólera de seu Divino Filho está acesa contra os homens”
São João Bosco (1815-1888) dispensa apresentação. Ele publicou um livro sobre a aparição de La Salette e seu bom efeito sobre os católicos.

Ele recomendou encarecidamente aos leitores levarem a sério as palavras de Nossa Senhora, no livro Aparição da Bem-aventurada Virgem na montanha de La Salette, junto com outros fatos prodigiosos recolhidos pelo sacerdote João Bosco (Apparizione della Beata Vergine sulla montagna di La Salette, con altri fatti prodigiosi raccolti JS pubblici documenti per Sacerdote Giovanni Bosco, 3ª edição, Tipografia e livraria do Oratório de São Francisco de Sales, Turim, 1875):

“Um fato certo e maravilhoso confirmado por milhares de pessoas que, todas elas, podem certificá-lo ainda hoje, é a aparição da Santa Virgem em 19 de setembro de 1846.

“Esta Mãe cheia de amor mostrou-se sob a forma de uma bela dama a duas crianças. [...] Ela revelou-se sobre uma montanha da cadeia dos Alpes, [...] pelo bem da França [...] e do mundo inteiro.

“Fez isso para advertir que a cólera de seu Divino Filho está acesa contra os homens, especialmente por três pecados: a blasfêmia, a profanação do domingo e dos dias de santo de guarda e a transgressão das leis da abstinência.

São João Bosco foi grande propagandista de La Salette
São João Bosco foi grande propagandista de La Salette
Fatos prodigiosos vieram confirmar esta aparição, registrados em documentos públicos ou atestados por pessoas cuja sinceridade e fé excluem toda possibilidade de dúvida sobre o caso.

“Esses fatos são preciosos para confirmar a adesão dos bons à Religião e para refutar aqueles que, talvez por ignorância, pretendem limitar o poder e a misericórdia de Deus, dizendo que já não é mais tempo de milagres.

“Jesus prometeu que na sua Igreja haveria milagres maiores que os que Ele próprio operou.

“Ele não limitou o número nem os tempos em que esses milagres seriam praticados, de maneira que, enquanto existir a Igreja, veremos sempre a mão do Senhor manifestando seu poder, através de fatos prodigiosos (...).

“Mas esses sinais sensíveis da onipotência divina são sempre presságio de fatos graves que manifestam, seja a misericórdia e a bondade de Deus, seja sua justiça e sua indignação.

“Tudo isso sempre para sua maior glória e para o maior bem das almas.

“Procedamos então de maneira que eles sejam para nós uma fonte de graças e bênçãos, contribuindo a excitar em nós uma fé viva, ativa, que nos leve a fazer o bem e a evitar o mal, a fim de nos tornarmos dignos da infinita misericórdia durante o tempo e na eternidade”.




Analogias entre o segredo de La Salette e as profecias de Don Bosco

Panorama dos incêndios comunistas durante a Comuna de Paris, 1871
Panorama dos incêndios comunistas durante a Comuna de Paris, 1871
“Paris será queimada”: estas palavras do segredo, obviamente causaram muita impressão na França. Mélanie as confirmou repetidamente, como vimos em post anterior.

“Paris e o Papa! Paris e o Papa! Oh, infeliz Paris!” era uma exclamação frequente dela.

Também em mais de uma ocasião advertiu a conhecidos de não irem à capital pois temia a proximidade do cumprimento da visão.

Na versão oficial de 1851, Mélanie escreveu: “Paris, esta cidade suja de toda espécie de crimes, perecerá infalivelmente”.

Mélanie não foi a única a transmitir essa advertência divina à Cidade Luz. Também o fez São João Bosco.

Na Epifania de 1870, o santo de Turim teve um sonho profético. Nele viu três castigos sucessivos caírem sobre Paris e quatro sobre Roma.

Ruínas do Ministério das Finanças, incendiado pelos revolucionários comunistas, Comuna de Paris 1871
Ruínas do Ministério das Finanças, incendiado pelos revolucionários comunistas, Comuna de Paris 1871
Numa carta entregue ao Beato Pio IX, Dom Bosco comunicou a visão nestes termos:

“Na vigília da Epifania deste ano de 1870, senti desaparecerem todos os objetos materiais do meu quarto e me encontrei na contemplação de coisas sobrenaturais. (...) Eis uma ideia do que vi, com a palavra de Deus acomodada à palavra do homem. (...)

“As leis da França já não reconhecem o Criador e o Criador, se dará a conhecer e a visitará três vezes com o açoite do seu furor.

“Na primeira, humilhará sua soberba com derrotas, com o saque, com a destruição de suas colheitas, de seus animais e de seus homens.

“Na segunda, a grande prostituta da Babilônia, aquela que os bons chamam gemendo o prostíbulo da Europa, será privada do seu chefe e tomada pela desordem.

Profanação da igreja de S.Germain l'Auxerrois por um "clube de mulheres"
Profanação da igreja de St.Germain l'Auxerrois por um "clube de mulheres"
“Paris... Paris...! Em vez de te armar com o nome do Senhor, tu te rodeias de casas de imoralidade. Estas serão destroçadas por ti mesma.

“Teu ídolo será reduzido a cinzas, para que se cumpra que “mentita est iniquitas sibi” [a iniquidade se enganou a si mesma]. Teus inimigos te cercarão e te trarão a fome, o terror e a abominação das nações.

“Mas, ai de ti se não reconheceres a mão que te golpeia! Quero castigar a imoralidade, o abandono, o desprezo da minha lei, diz o Senhor.

“Na terceira, cairás em mãos estrangeiras. Teus inimigos verão de longe teus palácios envoltos em chamas, tuas habitações convertidas num amontoado de ruínas, banhadas com o sangue dos teus valentes, que já não terão vida”.

De fato, Paris sofreu enormes destruições em 1871, em decorrência da revolução comunista da Commune, a invasão prussiana e a guerra civil entre comunistas (communards) e republicanos (versaillais). Também sofreu muito na I Guerra Mundial.

Na II Guerra Mundial Hitler preparou a destruição da capital francesa, mas não chegou a efetivá-la.

Porém, os termos usados por Mélanie na resposta ao engenheiro Dausse – “perecerá infalivelmente” – excluem uma aplicação do segredo de La Salette a qualquer um desses desastres históricos.

Massacres revolucionárias durante a Revolução Francesa
Massacres revolucionárias durante a Revolução Francesa
A imoralidade de Paris e – o que é mais grave – os erros que se espalham a partir delas, como os da Revolução Francesa ou os de maio de 1968, continuam hoje sua obra corruptora.

De fato, aludindo à Revolução Francesa e aos iníquos princípios que ela espalhou no mundo, Maximin escreveu na redação de 1851:

“A França corrompeu o universo, um dia será punida.

“A fé se extinguirá na França, três quartas partes da França não praticarão mais a Religião, ou quase nada.
A outra parte a praticará sem praticá-la bem”.

Em carta de 7 de janeiro de 1872, depois das devastações da Comuna de 1871, Maximin esclareceu que o castigo anunciado sobre Paris ainda não tinha chegado.




São João Bosco e São João Maria Vianney: propagandistas de La Salette

São João Bosco
São João Bosco (1815-1888) publicou um livro sobre a aparição de La Salette e seu bom efeito sobre os católicos. Nele escreveu:
“Um fato certo e maravilhoso confirmado por milhares de pessoas que, todas elas, podem certificá-lo ainda hoje, é a aparição da Santa Virgem em 19 de setembro de 1846. Esta Mãe cheia de amor mostrou-se sob a forma de uma bela dama a duas crianças. [...]

“Ela revelou-se sobre uma montanha da cadeia dos Alpes, [...] pelo bem da França [...] e do mundo inteiro. Fez isso para advertir que a cólera de seu Divino Filho está acesa contra os homens, especialmente por três pecados: a blasfêmia, a profanação do domingo e dos dias de santo de guarda e a transgressão das leis da abstinência.

“Fatos prodigiosos vieram confirmar esta aparição, registrados em documentos públicos ou atestados por pessoas cuja sinceridade e fé excluem toda possibilidade de dúvida sobre o caso.

“Esses fatos são preciosos para confirmar a adesão dos bons à Religião e para refutar aqueles que, talvez por ignorância, pretendem limitar o poder e a misericórdia de Deus, dizendo que já não é mais tempo de milagres.

“Jesus prometeu que na sua Igreja haveria milagres maiores que os que Ele próprio operou. Ele não limitou o número nem os tempos em que esses milagres seriam praticados, de maneira que, enquanto existir a Igreja, veremos sempre a mão do Senhor manifestando seu poder, através de fatos prodigiosos (...).

“Mas esses sinais sensíveis da onipotência divina são sempre presságio de fatos graves que manifestam, seja a misericórdia e a bondade de Deus, seja sua justiça e sua indignação. Tudo isso sempre para sua maior glória e para o maior bem das almas.

“Procedamos então de maneira que eles sejam para nós uma fonte de graças e bênçãos, contribuindo a excitar em nós uma fé viva, ativa, que nos leve a fazer o bem e a evitar o mal, a fim de nos tornarmos dignos da infinita misericórdia durante o tempo e na eternidade”.

São João Maria Vianney

O célebre Cura de Ars, São João Maria Vianney (1786-1859), foi ordenado sacerdote na catedral de Grenoble, diocese da maravilhosa aparição.

Ele foi acusado pelas maledicências de ser contra La Salette, sofrendo também injustificadas críticas ou insinceros elogios.

Certa feita Maximin foi-lhe apresentado às pressas, e ocorreu um mal entendido que foi aproveitado contra os dois.

Tendo em vista desfazer essa confusão, Mons. de Bruillard, bispo de Grenoble, enviou carta ao santo sacerdote pedindo que desmentisse as murmurações.

Assim o fez São João Maria Vianney numa resposta onde podemos avaliar toda sua devoção à aparição:

“Ars, 5 de dezembro de 1850

“Monsenhor,

“Tenho uma grande confiança em Nossa Senhora de La Salette. Faço vir água da fonte.

“Abençoo e distribuo grande quantidade de medalhas e imagens representando esse fato. Distribuo pedacinhos da pedra sobre a qual a Santa Virgem teria sentado.

“Levo um pedaço continuamente comigo e até o fiz colocar num relicário. Falo muito frequentemente do fato na igreja

“Parece-me, Monsenhor, que há poucos sacerdotes em vossa diocese que tenham feito tanto quanto eu por La Salette”.




Don Bosco, São Domingos Savio e a conversão da Inglaterra

Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Cardiff, outubro de 2009
Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Cardiff, outubro de 2009
Quando Maximin redigiu seu Segredo em 1851 escreveu: “um grande país no norte da Europa, hoje protestante, se converterá. Pelo apoio desta nação todos os outros países se converterão”.

Na redação de seu Segredo feita em 1853 Maximin registrou que esse país protestante seria a Inglaterra.

Dita conversão seria um dos sinais da proximidade dos terríveis castigos que purificariam o mundo preparando o advento do Reino de Maria.

Esta previsão adquiriu cogente atualidade após a notícia oficial que a Igreja Católica se apresta a receber grandes blocos de anglicanos ‒ sobre tudo ingleses ‒ agastados com a nomeação de “sacerdotisas”, “bispos” e “bispas” homossexuais.

Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Lancaster, outubro de 2009
Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Lancaster, outubro de 2009
As notícias da mídia inglesa especulam que poderiam ser milhões.

Entre eles tal vez 30-50 “bispos” e 1.000 “sacerdotes” (os anglicanos não têm o sacramento da Ordem, e esses títulos não têm o significado que têm no Catolicismo).

Para o influente diário de Londres “The Times”, no fim do processo a igreja anglicana poderia ficar reduzida a uma insignificância residual.

O fato tem projeção política, social e cultural.

O anglicanismo é religião oficial de Estado e a rainha Elisabeth II é a chefe nominal dele, mas se encontra em estado avançado dde descomposição interna pela admissão de 'padres' e 'bispos' homossexuais e lésbicas.

Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Darlington, outubro de 2009
Peregrinação das relíquias de Santa Terezinha, Darlington, outubro de 2009
Uma lei proíbe os católicos herdarem o trono.

Porém, houve casos recentes de príncipes e princesas da casa real inglesa que se tornaram católicos.

Segundo boatos nunca confirmados, mas também nunca infirmados, a rainha teria, ela própria, ocultas simpatias pelo catolicismo e participa do desgosto de inúmeros anglicanos com a decomposição moral do “clero” dessa denominação.

Há sérias iniciativas parlamentares visando remover a lei que proíbe um príncipe católico herdar o trono.

A passagem em massa de anglicanos para o catolicismo fez lembrar não só La Salette mas outras profecias particulares relativas à conversão da Inglaterra.

A visão de São Domingos Sávio

Além do segredo de La Salette a mais famosa é o “sonho” de São Domingos Sávio. Em verdade, tratou-se de um êxtase que o menino santo chamou de “distração”.

Este “sonho” é especialmente digno de nota, pois envolve também a São João Bosco e ao Beato Pio IX.

A vida e a obra dos três foi objeto dos severos crivos dos processos de beatificação e canonização. Neles, escritos e falas dos três foram analisados com lupa pelos advogados vaticanos que os declararam isentos de todo erro contra a fé ou contra a moral.

A visão num êxtase de São Domingos Sávio foi descrita pelo próprio São João Bosco no capítulo XX do livro “Vita del giovanetto Savio Domenico” (“Vida do jovem Domingos Sávio”) .

Don Bosco conta que estando perto de São Domingos Sávio agonizante perguntou-lhe o que ele diria ao Papa se pudesse falar-lhe. De ali nasceu o seguinte diálogo entre os dois santos:

“‒ Se eu pudesse falar ao Papa, quereria lhe dizer que em meio às tribulações que o aguardam não deixe de trabalhar com especial solicitude pela Inglaterra; Deus prepara um grande triunfo do catolicismo naquele reino.

“‒ No que é que V. baseia essas palavras?

“‒ Vou contar-lhe, mas não mencione isso aos outros, pois podem achar ridículo. Mas se o Sr. vai a Roma, diga-o a Pio IX por mim. (...)

“Certa manhã, durante minha ação de graças após a comunhão, voltei a ter uma distração, que me pareceu estranha; eu achei ver uma grande parte de um país envolvida em grossas brumas, e estava cheia com uma multidão de pessoas. Estavam se movendo, mas como homens que, tendo perdido seu caminho, não estavam certos onde pisavam.

“Alguém próximo disse: ‘Esta é a Inglaterra.’

“Eu estava para fazer algumas perguntas a respeito disso quando vi Sua Santidade Pio IX, representado da mesma maneira que vi nas figuras.

“Ele estava majestosamente vestido, e estava carregando uma tocha brilhante com a qual ele se aproximou da multidão, como que para iluminar sua escuridão.

“À medida que se aproximava, a luz da tocha parecia dispersar a névoa, e as pessoas foram trazidas à plena luz do dia.

“Esta tocha,” disse meu informante, “é a religião Católica que está para iluminar a Inglaterra”.

No Boletim Salesiano (Turim, abril de 1924, nº 4), ainda encontramos as seguintes confidências ouvidas por São João Bosco da boca do menino santo:

‒ “Quantas almas aguardam nossa ajuda na Inglaterra! Oh se eu tivesse força e virtude, quereria ir para lá aqui na hora e conquistá-las todas para o Senhor com pregações e com o bom exemplo”.

No mesmo boletim (1° de março de 1950, nº 5), ainda lemos:

“No dia seguinte, ele fez todos os exercícios pela boa morte, despediu-se dos companheiros, um por um, pagou uma dívida de dois tostões que tinha com um deles, falou aos sócios da Companhia da Imaculada, e por fim saudou a Don Bosco dizendo:

‒ “O Sr. indo a Roma lembre do recado para o Papa pela Inglaterra. Reze por mim para que eu possa ter uma boa morte e adeus até o Paraíso...”

Don Bosco cumpriu o combinado, e assim narrou:

“No ano de 1858 quando eu fui a Roma, contei essas coisas ao Sumo Pontífice, que ouviu com bondade e aprazimento.

“‒ Isto, disse o Papa, me confirma no propósito de trabalhar energicamente em favor da Inglaterra, pela qual eu já engajo as minhas mais vivas solicitudes. Esse relato, para não dizer mais, chega-me como o conselho de uma boa alma.”

__________________

E São Domingos Sávio não foi nem o único nem o primeiro santo que recebeu luzes proféticas sobre a conversão futura da Inglaterra e dos grandes fatos que adviriam em consequência do retorno inglês à Fé católica, única verdadeira.


Outros santos previram a conversão da Inglaterra. Veja profecias de Santo Eduardo Rei e de São Paulo da Cruz, fundador


A PEREGRINAÇÃO DAS RELÍQUIAS DE SANTA TERESINHA
E A CONVERSÃO DA INGLATERRA




Fotos de 'catholicrelics.co.uk'



Altar de São João Bosco na basílica de Maria Auxiliadora em Turim








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