Santa Faustina

Santa Maria Faustina Kowalska (Polônia, 1905-1938)
Santa Maria Faustina Kowalska (Polônia, 1905-1938)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Santa Faustina, apóstolo da Divina Misericórdia para um mundo cujos pecados clamam por punição


Nosso Senhor Jesus Cristo quis escolher almas prediletas que atraíssem a Sua Misericórdia, a fim de levar os homens a renunciar ao pecado, a emendar suas vidas pela penitência e evitar a perdição individual e coletiva.

Considerando as insondáveis ofensas da humanidade pecadora, Ele confidenciou que, em virtude de sua perfeita Justiça, deveria pôr fim ao mundo.

Porém, se os homens reformassem suas vidas, Sua Divina Misericórdia tocaria os corações que se abrissem a ela. Jesus Cristo poderia inaugurar assim uma era de reconciliação de Deus com os homens, a era da Sua Misericórdia.

Mas era preciso preparar a humanidade para essa indispensável mudança de vida, restaurando a moral da família, da sociedade e do universo. E inclusive, realidade muito mais dolorosa, corrigir a avançada decadência do clero, inclusive em suas esferas mais altas.

Para a missão de revelar a devoção à Divina Misericórdia, Nosso Senhor escolheu uma humilde religiosa polonesa.

Trata-se de Santa Maria Faustina Kowalska (1905-1938), justamente apelidada Apóstolo da Divina Misericórdia.

Consagraremos os posts seguintes a essa comunicação da Divina Misericórdia a Santa Faustina, apontando suas analogias com o Segredo de Nossa Senhora em La Salette e a Mensagem de Fátima.

As analogias entre o essencial dessas revelações são tão profundas, que quase diríamos que elas são idênticas no seu cerne.
Diário de Santa Faustina, edição do Vaticano
Diário de Santa Faustina, edição do Vaticano
Seguiremos a edição do Diário de Santa Faustina editado pela Libreria Editrice Vaticana (Santa Maria Faustina Kowalska, Diario — La Misericordia divina nella mia anima, Libreria Editrice Vaticana, Città del Vaticano, 2001, 8ª ed., 727 páginas. Nihil Obstat: Ignacy Rozycki, Cracóvia, 17.V.1979. Imprimatur: Virgilius Card. Noè, Vigário Geral da Cidade do Vaticano, 10.X.1999.).

Santa Faustina: da vida comum para uma imensa missão

Helena Kowalska (Sóror Maria Faustina em religião) nasceu num lar camponês em Glogowiec, município de Lodz (atualmente Swinice Warckie, Konin), na Polônia, em 25 de agosto de 1905, quando a região estava anexada ao império russo, o qual favorecia o cisma dito “ortodoxo” e hostilizava o catolicismo.

E faleceu como religiosa professa no convento da Congregação das Irmãs da Bem-aventurada Virgem Maria da Misericórdia, na cidade de Cracóvia, em 5 de outubro de 1938, aos 33 anos de idade. Foi canonizada em 22 de abril de 2001.

A partir de 1º de agosto de 1925, quando estava em Varsóvia, ela redigiu um Diário, no qual narra sinteticamente a sua vocação.

Ela conta que apesar de ter sentido o chamado religioso a partir dos sete anos de idade, aos 18 seus pais ainda não a autorizavam.

Casa onde nasceu Santa Faustina. Glogowiec, Polônia
Casa onde nasceu Santa Faustina. Glogowiec, Polônia
Certa vez, quando começava a dançar em um baile, percebeu que seu par era Nosso Senhor flagelado, despojado de suas vestes, que a increpava por não ouvir a sua voz.

Imediatamente saiu do salão e foi até a catedral. Ali ouviu uma voz interior que lhe ordenava ir para Varsóvia, onde entraria num convento. Nada sabia em que cidade nem a quem procurar. Mas arrumou às pressas uma trouxa e partiu.

Em Varsóvia tudo aconteceu como a voz lhe ia dizendo. Ela acabou dando no convento das Irmãs da Bem-aventurada Virgem Maria da Misericórdia, onde acabou professando os votos solenes e falecendo mais tarde.

As locuções, visões — intelectivas segundo ela — de Nosso Senhor tornaram-se desde então extraordinariamente frequentes. Também de Nossa Senhora e de alguns santos, do Anjo da Guarda, e de almas do Purgatório.





Incompreendida e vilipendiada por religiosos e conhecidos


Santa Faustina
Santa Faustina
A vida dos santos não pode ser comparada com a carreira dos artistas ou de certos demagogos, elogiados e aplaudidos pelo mundo, enaltecidos pela mídia e até por antipatizantes do catolicismo.

Deus pede às almas mais amadas um holocausto quotidiano no qual a maior causa de sofrimento é a incompreensão e até o menoscabo daqueles a quem elas mais querem fazer bem.

Essa foi em grau eminente uma nota tônica de Santa Faustina, que se tornou o instrumento de Deus para desvendar a Sua Divina Misericórdia.

Nos primeiros tempos de vida conventual, talvez para prepará-la, Nosso Senhor lhe fez conhecer a cruz de sua vida: o menosprezo de todos os seus próximos e a dispensação de misericórdia àqueles que lhe tinham feito mal.

Ela conta assim:
“Certa vez eu vi uma grande multidão diante da capela e na rua, porque não havia lugar na capela. A capela estava preparada para uma solenidade.

“Perto do altar havia um grande número de eclesiásticos, depois nossas irmãs e muitas de outras congregações. Todos aguardavam a pessoa que devia ocupar o altar.

“Subitamente ouvi uma voz que me dizia que eu devia ocupar esse lugar.

“Mas logo que saí da cela, já no corredor para atravessar o pátio e chegar na capela obedecendo à voz que me chamava, eis que todas as pessoas começaram a jogar contra mim tudo o que podiam: lama, pedras, areia, vassouras, de tal forma que num primeiro momento fiquei indecisa se era o caso de prosseguir ou não, mas aquela voz me chamava com insistência ainda maior e então, não obstante tudo, comecei a avançar decididamente.

“Quando atravessei o umbral da capela, os superiores, as irmãs, as educandas e até os pais de família começaram a me golpear com tudo quanto podiam, de maneira que, querendo ou não, tive que ir correndo até o posto que me estava destinado no altar.

“Apenas ocupei o lugar indicado, aquela mesma gente e as alunas, e as freiras, e os superiores, e os pais de família, todos começaram a estender as mãos para mim e pedir graças e eu não sentia nenhum ressentimento em relação a eles que tinham jogado por cima de mim todas aquelas coisas.

Detalhe do Diário de Santa Faustina. Anotações do dia 22 de fevereiro de 1931, dia em que a Divina Misericórdia mandou fazer o quadro.
Detalhe do Diário de Santa Faustina.
Anotações do dia 22 de fevereiro de 1931,
dia em que a Divina Misericórdia mandou fazer o quadro.
“Ao contrário, eu sentia um amor especialíssimo exatamente por essas pessoas que me tinham obrigado a subir sempre mais rápido até o posto que me estava destinado.

“Naquele momento minha alma foi inundada por uma felicidade inconcebível e ouvi estas palavras:

— Faz aquilo que queres, distribui graças como quiserdes, a quem quiseres e quantas quiseres.

“E subitamente a visão desapareceu” (páginas 18-19)

A visão descreveu por antecipação a linha geral daquilo que a santa haveria depois de registrar em seu Diário. As formas de ingratidão, de incompreensão, de ódio e de perseguição no próprio convento, das freiras, das superioras, etc., etc. teriam sido enlouquecedoras se ela não tivesse tido esse prenúncio.

Um simples exemplo. Próximo de sua morte, encontrando-se Santa Faustina deitada, a enfermeira deixou-lhe a refeição num local que ela não podia alcançar. Depois voltou e a increpou por não ter comido. A santa lhe fez sentir que já não conseguia se levantar. A enfermeira então se encolerizou e chamou-a de mentirosa.

Nosso Senhor lhe apareceu novamente em 22 de fevereiro de 1931, para lhe indicar o cerne de sua vocação: atrair a Misericórdia Divina para o mundo.
“Ó meu Deus, sou consciente da minha missão na Santa Igreja: o meu engajamento contínuo para impetrar a Misericórdia para o mundo. Eu me uno estreitamente a Jesus e me ofereço como vítima que implora pelo mundo.

“Deus nada vai me negar, quando O invocar com a voz de seu Filho. Por mim mesma, meu sacrifício não é nada, mas quando o uno ao sacrifício de Jesus Cristo, torna-se onipotente e tem força para aplacar a cólera de Deus.

“Deus nos ama em seu Filho. A dolorosa Paixão do Filho de Deus é uma invocação que continuamente atenua a cólera de Deus” (página 195).

A devoção à Divina Misericórdia

Para atrair a Divina Misericórdia, Nosso Senhor veio pedir à crucificada Irmã Faustina a difusão dessa devoção. Revelou-lhe para isso um terço ou coroa especial, e pediu a instituição de sua festa litúrgica solene no primeiro domingo depois da Páscoa.

Ordenou também que fosse pintado um quadro da Divina Misericórdia, por cuja devoção Ele infundiria as graças que lhe são específicas.
“As chamas da misericórdia me devoraram. Eu quero derramá-la sobre as almas dos homens”.

“Então Jesus queixou-se a mim e disse:

— A desconfiança das almas Me rasga as entranhas. Dói-me ainda mais a desconfiança das almas escolhidas. Apesar de Meu amor inesgotável, não têm confiança em Mim. Nem mesmo minha morte foi suficiente para elas. Ai das almas que abusam dela.

“(...) Quando eu queria me livrar dessas inspirações interiores, escreveu a Santa, Deus me disse que no dia do Juízo me seria pedido contas de um grande número de almas” (páginas 26-27).

O primeiro quadro da Divina Misericordia  Hoje no Santuário da Divina Misericórdia em Vilnius, Lituânia
O primeiro quadro da Divina Misericordia
Hoje no Santuário da Divina Misericórdia em Vilnius, Lituânia
O inferno se desata contra o quadro

A imagem acabou sendo feita segundo o pedido de Nosso Senhor.

O quadro aprovado – ao qual estão ligadas as promessas de Nosso Senhor – foi pintado por Eugenio Kazimirowski em junho de 1934.

Desde o dia 3 de abril de 1937 ele ficou exposto à veneração na igreja de São Miguel, em Vilnius, hoje capital da Lituânia, que até 1939 fazia parte da Polônia.

Em 1948 o regime comunista fechou essa igreja. O quadro foi então levado para a paróquia de Nowa Ruda, na Bielorrússia, onde permaneceu entre 1949 e 1986, ano em que o comunismo transformou a igreja em armazém do Estado.

Com isso o quadro, tão perseguido pelo comunismo, retornou a Vilnius, desta feita para a igreja do Espírito Santo.

Essa igreja foi reformada em 2003 e promovida a Santuário da Misericórdia Divina.

Em 1943 (Santa Faustina faleceu em 1938), as freiras encomendaram um quadro ao pintor Stanislao Batowski, de Luvov. Como a pintura foi logo devorada por um incêndio, pediram-lhe um outro.

Por sua vez, o pintor Adolfo Hyla fez mais um quadro como ex-voto. O arcebispo de Cracóvia optou pelo de Hyla, que hoje se venera na capela da Congregação em Cracóvia, situada à Rua S. Faustyny 3. A imagem é conhecida como “Jesus, confio em ti”.

A festa da Divina Misericórdia foi instituída no dia 5 de maio de 2000 e se celebra no primeiro domingo após a Páscoa.









Concordâncias entre os Segredos de La Salette, de Fátima

e a devoção à Divina Misericórdia


Urna com os restos de Santa Faustina (em mármore branco). Santuário da Divina Misericórdia, Cracóvia, Polônia
Urna com os restos de Santa Faustina: no altar em mármore branco.
Santuário da Divina Misericórdia, Cracóvia, Polônia
Tanto em La Salette e Fátima quanto em Santa Faustina, sobressai em primeiro lugar a denúncia do deplorável estado moral do mundo, nas esferas civil e eclesiástica.

Uma decadência tão grave e generalizada que Nosso Senhor e Nossa Senhora como que já não podem mais segurar o justo braço punidor de Deus Pai.

Em La Salette, Nossa Senhora patenteou essa justa ameaça celeste e sua misericordiosa intercessão com as palavras seguintes:

“Se meu povo não quiser se submeter, fico obrigada a deixar o braço de meu Filho golpear. Ele é tão pesado e tão grave, que não posso mais segurá-lo. Há muito que sofro por vossa causa. Se quero que meu Filho não vos abandone, sou obrigada a rezar a Ele sem cessar, por vossa causa. Mas vós não vos importais”. Veja mais em Início do Segredo: decadência do clero atrairá a vingança divina

Nosso Senhor exprimiu em diversas ocasiões o mesmo drama para Santa Faustina. Por exemplo, em 1º de setembro de 1937:

“Eu vi Jesus como Rei, em grande majestade, olhando para a nossa terra com o olhar severo, mas a súplica de Sua Mãe prolongou o tempo da Misericórdia” (p. 423).

E pouco antes do Natal de 1937:

“Hoje o Senhor me deu a conhecer a sua ira contra a humanidade, que por seus pecados merece que seus dias sejam encurtados”.

O relaxamento do clero atrai castigos

Uma segunda nota, presente em todas essas manifestações celestes, é a dor causada a Nosso Senhor pelo clero e pelos religiosos amigos do mundo e aplaudidos por ele, incluídas altas autoridades da Igreja.

Nossa Senhora se exprimiu em La Salette com termos truculentos, visando sem dúvida mover à penitência e ao retorno aos bons costumes os corações de religiosos, religiosas, sacerdotes e bispos desleixados:

“Os sacerdotes, ministros de meu Filho, pela sua má vida, sua irreverência e impiedade na celebração dos santos mistérios, pelo amor do dinheiro, das honrarias e dos prazeres, tornaram-se cloacas de impureza.

Dull Gret, Pieter Bruegel o Velho (1526-1569)
Dull Gret, Pieter Bruegel o Velho (1526-1569).
“Sim, os sacerdotes atraem a vingança e a vingança paira sobre suas cabeças. Ai dos sacerdotes e das pessoas consagradas a Deus, que pela sua infidelidade e má vida crucificam de novo meu Filho!

“Os pecados das pessoas consagradas a Deus bradam ao Céu e clamam por vingança. E eis que a vingança está às suas portas, pois não se encontra mais uma pessoa a implorar misericórdia e perdão para o povo.

“Não há mais almas generosas, não há mais ninguém digno de oferecer a vítima imaculada ao [Pai] Eterno em favor do mundo”. Veja mais em Início do Segredo: decadência do clero atrairá a vingança divina

Com outra figura, talvez ainda mais lancinante, o próprio Nosso Senhor deu a conhecer a Santa Faustina ditas ofensas do clero relaxado que procura coonestar os pecados de impureza que Nossa Senhora denunciou em La Salette e em Fátima:

“Quando fui para a adoração, (...) vi Jesus amarrado à coluna, despojado de Suas vestes submetido à flagelação. Vi quatro homens que se revezavam chicoteando o Senhor com seus látegos. Meu coração parava vendo aquele tormento.

“De repente, o Senhor me disse estas palavras:

—Eu tenho um sofrimento ainda maior do que aquele que tu vês.

“E Jesus me fez conhecer por causa de quais pecados Ele se submeteu à flagelação: são os pecados de impureza. Oh, que tremendos sofrimentos morais padeceu Jesus quando Se submeteu à flagelação!

“De repente, Jesus me disse:

— Olha e vê a situação atual da raça humana.

“E num instante eu vi coisas terríveis: os carrascos se afastaram de Jesus, e O vieram açoitar outros homens, que pegaram o chicote e flagelavam o Senhor sem piedade.

“Esses eram sacerdotes, religiosos e os mais altos dignitários da Igreja, fato que me surpreendeu bastante; leigos de diferentes idades e condições; todos descarregando seu veneno sobre o inocente Jesus. Vendo isso, meu coração caiu numa espécie de agonia.

Flagelação, Confraria do Ssmo. Cristo da Caridade, Múrcia, Espanha
Flagelação, Confraria do Ssmo. Cristo da Caridade, Múrcia, Espanha
“Quando os carrascos O açoitavam, Jesus ficava em silêncio e olhava para longe; mas quando Ele era açoitado pelas almas que eu mencionei acima, Jesus fechou os olhos e de seu Coração saiu um gemido reprimido, mas tremendamente doloroso.

“E o Senhor me deu a conhecer em pormenor a enorme maldade daquelas almas ingratas:

— Olha, este é um suplício pior que a Minha morte” (páginas 183-184).

Castigos se avolumam sobre os maus hierarcas da Igreja

A contemplação do oceano de pungentes ofensas infligidas a Deus por esses maus clérigos e leigos católicos serviu para explicar o tamanho e a extensão das medidas que a Justiça Divina está obrigada a aplicar sobre os que O ofendem.

Essa consideração nos faz entender a necessidade de implorar a Misericórdia Divina para nossas culpas e as culpas da humanidade. Quem não considera a maldade espalhada nas pessoas — na sociedade temporal e na vida eclesial — obviamente não vê motivo para clamar por Misericórdia. E não pede. E não pedindo, ou não recebe, ou não liga.

Em La Salette, Nossa Senhora desvendou:
“A Itália será punida, pela ambição de querer sacudir o jugo do Senhor dos Senhores. Será também entregue à guerra, o sangue correrá por todo lado. As igrejas serão fechadas ou profanadas.

“Os sacerdotes e os religiosos serão expulsos. Serão entregues à morte, e morte cruel. Vários abandonarão a fé, e o número dos sacerdotes e religiosos que se afastarão da verdadeira Religião será grande. Entre essas pessoas encontrar-se-ão até bispos.

“Os maus livros abundarão sobre a Terra, e os espíritos das trevas espalharão por toda parte um relaxamento universal em tudo o que se refere ao serviço de Deus.”

Veja mais em: “Castigos sobre a Itália e outras nações. Concordância com Fátima”

No mesmo sentido, o Diário de Santa Faustina nos descreve o drama das Casas religiosas que adotaram as modas do mundo, entibiando-se na fé e na caridade, e que Nosso Senhor não tem outro remédio senão fechar pois perderam sua razão de ser.

Santa Faustina descreve o que viu na primeira sexta-feira de setembro de 1936:
“Pela noite, eu vi Nossa Senhora com o peito descoberto, transpassado por uma espada, chorando com ardentes lágrimas, convidando-nos a nos colocarmos longe de um terrível castigo de Deus.

“Deus queria desferir sobre nós um terrível castigo, mas não podia porque Nossa Senhora nos protegia” (p. 262).
Narra também sua visão de 8 de maio de 1938:
“No momento em que eu estava prestes a terminar a Via Sacra, o Senhor começou a Se lamentar das almas dos sacerdotes e religiosos, porque essas almas eleitas carecem de amor.

— Eu vou permitir que sejam destruídos os mosteiros e as igrejas.

“Eu respondi:

— Mas, Jesus, muitas almas nos conventos Vos louvam.

Cristo do Soberano Poder ante Caifás, Semana Santa, Sevilha, Espanha.
A imagem do 'Cristo do Soberano Poder' representa Jesus ante Caifás,
o Sumo Sacerdote do Templo judeu que O condenou.
Semana Santa, Sevilha, Espanha.
“O Senhor replicou:

— Esse louvor fere Meu Coração, porque o amor foi banido dos conventos. Almas sem amor e sem espírito de sacrifício, almas cheias de egoísmo e de amor próprio, almas soberbas e presunçosas, almas cheias de perfídia e de hipocrisia, almas tíbias têm apenas o calor suficiente para se manterem em vida.

Meu Coração não pode suportar isso. Todas as graças que Eu derramo sobre elas todos os dias escorrem como sobre uma pedra.

Eu não posso suportá-las, porque elas não são nem boas nem más. Para isso Eu erigi os conventos: para que o mundo fosse santificado por meio deles; deles deve sair uma chama poderosa de amor e de sacrifício.

E se não se converterem e se inflamarem no primeiro amor, Eu as entregarei ao extermínio deste mundo ...

Como poderão sentar-se no trono prometido para julgar o mundo, se seus pecados são mais graves do que os do mundo, e sem arrependimento, sem reparação? ...

Oh coração, que Me recebestes de manhã e que ao meio-dia ardes de ódio contra Mim sob as mais variadas formas! Oh coração, por acaso eu te escolhi especialmente para que me causasses maiores sofrimentos?

Os grandes pecados do mundo ferem Meu coração quase na superfície, mas os pecados de uma alma escolhida transpassam Meu Coração de lado a lado....

“Quando eu tentei intervir em favor delas – escreve Santa Faustina – não consegui encontrar nada para justificá-las, e não podendo naquele momento sequer excogitar algo em sua defesa, a dor apertou meu coração e chorei amargamente.

“Então o Senhor olhou para mim com benevolência, e me confortou com estas palavras:

— Não chores, há também um grande número de almas que Me amam muito, mas Meu Coração deseja ser amado por todos; e porque Meu amor é grande, por isso eu as ameaço e as puno ...” (páginas 560-561)





Os sacrifícios das almas justas aplacam a cólera de Deus


Primeiro plano: anjo em Comillas, Espanha. Fundo: Barred Spiral Galaxy NGC 1300, NASA.
Primeiro plano: anjo em Comillas, Espanha.
Fundo: Barred Spiral Galaxy NGC 1300, NASA.
Deus não lhe fez ver apenas a sua Divina cólera pairando sobre o mundo atual, em virtude do estado de concessão à imoralidade e à desordem moral por parte do clero e do laicato; Nosso Senhor fez sentir a Santa Faustina o papel das almas que oferecem sacrifícios e atos de amor em reparação por tantas ofensas.

Conta Santa Faustina em seu Diário, de sexta-feira, 13 de setembro de 1935:

“Pela noite, enquanto estava na minha cela, vi um Anjo que era o executor da cólera de Deus. Tinha uma veste luminosa e seu rosto resplandecia; uma nuvem sob os pés, da qual saíam raios e relâmpagos que iam até suas mãos e de suas mãos saíam e feriam a terra.

“Quando vi aquele sinal da cólera de Deus, que devia ferir especialmente certo local que por justos motivos não posso mencionar, comecei a rezar ao Anjo, para pedir a ele se deter um momento, porque o mundo teria feito penitência.

“Meu apelo não obteve resultado algum devido à ira de Deus. Naquele momento vi a Santíssima Trindade. A grandeza de Sua Majestade penetrou até o mais profundo de mim e não ousei repetir meu pedido.

“Naquele mesmo instante percebi que a força da graça de Jesus estava em minha alma. Quando tive consciência dessa graça, no mesmo momento fui raptada até diante o Trono de Deus.

“Oh! Como é grande o Senhor e Deus nosso e como é incompreensível a Sua santidade. Não procurarei nem sequer descrever essa grandeza, porque dentro de não muito [tempo] O veremos tal qual Ele é.

Relíquia de Santa Faustina.
Santuário da Divina Misericórdia, Cracóvia, Polônia.
“Comecei a implorar a Deus pelo mundo com palavras que ecoavam interiormente. Enquanto assim rezava, vi a impotência do Anjo, que não podia aplacar o justo castigo, equitativamente merecido pelos pecados.

“Jamais rezei com um tal poder interior como então. As palavras com as quais supliquei a Deus são as seguintes:

“‘Eterno Padre, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Teu diletíssimo Filho e Senhor Nosso Jesus Cristo, por nossos pecados e do mundo inteiro. Pela sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós’

Nosso Senhor também lhe fez ver a parte decisiva dos bons religiosos para segurar e/ou moderar a cólera divina.

“Eu vi Jesus pregado na cruz. Depois de Jesus ter sido encravado por um momento, eu vi toda uma série de almas crucificadas como Jesus.

“E vi um terceiro grupo de almas e um segundo grupo de almas.

“A segunda linha não estava pregada na cruz, mas aquelas almas seguravam firmemente a cruz na mão.

“Porém, a terceira linha de almas não estava crucificada nem segurava a cruz na mão, mas aquelas almas arrastavam a cruz detrás de si e se mostravam insatisfeitas.

“Então Jesus disse-me:

— Vês aquelas almas, que são semelhantes a Mim no sofrimento e no desprezo: elas serão semelhantes a Mim também na glória. E aquelas que se assemelham menos a Mim no sofrimento e no desprezo, elas se assemelharão menos a Mim também na glória.

Confraria de penitentes carregando a Cruz, Semana Santa, Sevilha, Espanha.
Confraria de penitentes carregando a Cruz,
Semana Santa, Sevilha, Espanha.
“A maioria das almas crucificadas pertencia ao estado religioso; entre as almas crucificadas vi também almas que conheço, fato que me deixou muito feliz”.

“Os sacrifícios das almas justas aplacam a cólera de Deus”. (páginas 183-184).

Em outra ocasião, Santa Faustina teve esta visão:

“Ele me fez conhecer também que a existência do mundo é sustentada pelas almas escolhidas, ou seja, as Ordens religiosas. Ai do mundo, se vierem a faltar ordens religiosas!” (p. 472).

E Deus deixou claro a Santa Faustina que ela fazia parte, e de modo eminente, do número desses bons religiosos e religiosas.

Por exemplo, em 26 de maio de 1938, ela ouviu estas palavras:

— Se tu não me atasses as mãos, iria enviar muitos castigos à Terra. Minha filha, teu olhar desarma a minha ira. Mesmo quando teus lábios silenciam, clamam por Mim tão possantemente que todo o Céu fica abalado. Eu não posso fugir da tua súplica, porque tu não Me segues de longe, mas em teu próprio coração (p. 566).

Em La Salette, Nossa senhora sublinhou o papel decisivo das almas virtuosas que oferecem seu holocausto para mitigar a justa indignação do Céu e atraem a misericórdia sobre os homens:

“Os justos sofrerão muito. Suas orações, sua penitência e suas lágrimas subirão até o céu e todo o povo de Deus pedirá perdão e misericórdia. E pedirá minha ajuda e intercessão”. Veja mais: “Intervenção dos anjos e triunfo inaudito da Igreja”













Sobre o futuro da Polônia,

o flagelo da Rússia e sua conversão


Santa Maria Faustina Kowalska
Santa Maria Faustina Kowalska
Em La Salette, Nossa Senhora falou explicitamente sobre certos países que sofreriam uma punição corretiva particular e espantosa.

“A Itália será punida, pela ambição de querer sacudir o jugo do Senhor dos Senhores. Será também entregue à guerra, o sangue correrá por todo lado”.

Confira: Castigos sobre a Itália e outras nações. Concordância com Fátima

“Ao primeiro golpe de sua espada fulgurante [refere-se a Deus], as montanhas e a natureza inteira tremerão de espanto, porque as desordens e os crimes dos homens traspassarão a abóbada celeste. Paris será queimada, e Marselha engolida [pelas águas].

“Várias grandes cidades serão abaladas e tragadas por tremores de terra. Crer-se-á que tudo está perdido. Só se verão homicídios, e se ouvirão apenas ruídos de armas e blasfêmias”. Confira: “Intervenção divina quando tudo parecer perdido”

Em Fátima, Nossa Senhora advertiu que se o mundo não fizesse penitência. “várias nações serão aniquiladas”. Confira: Fátima: Mensagem de tragédia ou de esperança?

A Beata Jacinta, vidente de Fátima, relatou antes de morrer uma visão sobre Portugal:

“Nosso Senhor está profundamente indignado com os pecados e crimes que se cometem em Portugal. Por isto um terrível cataclismo de ordem social ameaça o nosso país, e principalmente a cidade de Lisboa.

“Será desencadeada, segundo parece, uma guerra civil de caráter anarquista ou comunista, acompanhada de saques, morticínios, incêndios e devastações de toda espécie. A capital será convertida numa verdadeira imagem do inferno.

“Na ocasião em que a divina justiça ofendida infligir tão pavoroso castigo, todos aqueles que o puderem fazer fujam dessa cidade”. Concordância com Fátima

E sobre a Espanha, a Beata Jacinta disse:

“Se os homens não se emendarem, Nossa Senhora enviará ao mundo um castigo como não se viu igual; e, antes dos outros países, à Espanha”. Concordância com Fátima

Varsóvia, capital da Polônia, seria destruída por causa da prática do aborto.
Varsóvia, capital da Polônia, seria destruída por causa da prática do aborto.
No caso de Santa Faustina, Nosso Senhor lhe falou especialmente de seu país: a Polônia. Ele lhe fez ver que Varsóvia, a capital, seria destruída com um castigo semelhante ao de Sodoma e Gomorra:

“Um dia, Jesus me disse que faria descer a punição sobre uma cidade que é a mais bela de nossa pátria. A punição deveria ser igual à infligida por Deus a Sodoma e Gomorra.

“Eu vi a grande ira de Deus e um calafrio percorreu todo meu corpo e atravessou meu coração. Orei em silêncio. Um momento depois, Jesus me disse:

— Minha Filha, une-te a Mim bem estreitamente durante o Sacrifício [da Missa] e oferece ao Pai Celestial Meu Sangue e Minhas Chagas para implorar perdão pelos pecados daquela cidade. Repete isso sem interrupção durante toda a Santa Missa. Faze-o por sete dias.

“No sétimo dia, eu vi Jesus sobre uma nuvem brilhante e comecei a rezar para que Jesus pousasse Seu olhar sobre a cidade e sobre todo o nosso país. Jesus deu um olhar benigno. Quando eu notei a benevolência de Jesus, comecei a implorar a bênção.

“De repente, Jesus me disse:

— Por meio de ti Eu abençoo todo o país.

“E fez com a mão um grande sinal da cruz sobre nossa pátria. Vendo a bondade do Senhor, a minha alma foi inundada por uma grande alegria”. (páginas 22-23)

Nosso Senhor especificou a causa: o crime do aborto.

O diretor espiritual de Santa Faustina, o bem-aventurado Pe. Michele Sopocko, durante o depoimento das testemunhas no processo de beatificação da Santa, fez a seguinte declaração:

“Ela também escreveu em seu diário que Jesus lhe havia dito que seria destruída como Sodoma uma das cidades mais belas de nossa pátria por causa dos pecados que ali se cometiam.

“Quando, mais tarde, depois de ler o diário, Lhe solicitei esclarecimentos sobre o assunto, confirmou que as coisas eram assim.

“Tendo-lhe, então, perguntado por causa de quais pecados Deus infligia tal punição, respondeu que isso iria acontecer, especialmente pela matança de crianças não nascidas, sendo este o pecado mais grave que ali se cometia” (nota 52, páginas 22-23).
Nossa Senhora de Chestohowa, padroeira da Polônia.
Nossa Senhora de Chestohowa, padroeira da Polônia.

Ingratidão da Polônia para com Nossa Senhora requer orações

“Eu rezo incessantemente pela Polônia, pela minha querida Polônia, que é tão pouco agradecida a Nossa Senhora.

“Se não tivesse havido Nossa Senhora, nossos esforços teriam valido de muito pouco. E multipliquei meu empenho nas orações e nos sacrifícios pela minha querida pátria, mas vi que eu era uma gota diante de uma onda de mal.

“Como pode uma gota deter uma onda? Ah, sim! Uma gota por si só não é nada, mas convosco, ó Jesus, eu posso enfrentar corajosamente toda a onda de mal e até mesmo de todo o inferno. Vossa onipotência pode tudo” (p. 262).

Ainda sobre a Polônia, escrevia ela em 15 de julho de 1937:

“Eu rezo frequentemente pela Polônia, mas vejo a grande indignação de Deus contra ela, porque é ingrata. Esforço-me com toda a minha alma para defendê-la. Incessantemente relembro a Deus as Suas promessas de Misericórdia.

“Quando eu percebo Sua ira, eu me jogo com confiança no abismo da Misericórdia e mergulho nele toda a Polônia, e então Ele não pode fazer uso de Sua justiça. Ó minha pátria, quanto me custas! Não passa dia sem que eu não reze por ti” (p. 399)

Após 26 de maio de 1938, enquanto rezava pela Polônia, Santa Faustina ouviu:

— Eu amo a Polônia de um modo especial e, se obedecer à Minha vontade, a enaltecerei em poder e santidade. Dela sairá a faísca que preparará o mundo para a Minha última vinda (p. 568).

Sobre a Rússia, flagelo do mundo

Durante todo o tempo da juventude e da maturidade de Santa Faustina, a Rússia esteve dominada pela seita igualitária socialo-comunista, visceralmente inimiga de Deus.

Conduzido desde 1917 pela facção socialo-comunista, o imenso império da União Soviética (URSS) se transformou no flagelo das nações, promovendo golpes e revoluções, difundido os péssimos erros igualitários e imorais do marxismo e apoiando e financiando os movimentos que promovem o caos no mundo, inclusive no Brasil.

No ano de 1917, Nossa Senhora já havia advertido em Fátima:

“Virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados.

Dignitários da Igreja Católica russa sendo processados pelo Tribunal Revolucionário de Moscou.
Durante a Revolução Russa. Do jornal L'Illustration de Paris, da época.
“Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja;

“os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o meu Imaculado Coração triunfará.

“O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”. (Antônio Augusto Borelli Machado, Fátima, Mensagem de tragédia ou de esperança?, Artpress, São Paulo) Veja mais em: Fátima, Mensagem de tragédia ou de esperança?

Na década de 30, a Rússia também promoveu a sanguinária Guerra Civil Espanhola (1936-1939), quando milhares de sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos foram martirizados.

Compreende-se bem por que Santa Faustina padeceu especiais angústias pela Rússia e pela Espanha.

E por isso pediu por esses países, pelo Santo Padre e pelos sacerdotes:
“Primeiro pedido. Jesus, meu amantíssimo esposo, eu Vos peço pelo triunfo da Igreja, especialmente na Rússia e na Espanha; que abençoeis o Santo Padre Pio XI e todo o clero; para obter a graça da conversão dos pecadores endurecidos no pecado; (...)” (p. 114).

E em 16 de dezembro de 1936:
“Ofereci o dia de hoje pela Rússia; todos os meus sofrimentos e orações eu ofereci por esse infeliz país.

“Após a Sagrada Comunhão, Jesus me disse:

— Eu não aguento mais esse país; minha filha, não amarres minhas mãos.

“Eu entendi que, se não fosse pelas orações das almas amadas por Deus, essa nação teria sido totalmente aniquilada.

“Oh, quanto eu sofro por essa nação que expulsou Deus de suas próprias fronteiras!” (p. 299).
A Santa se referia ao comunismo bolchevista que estabeleceu uma sanguinária ditadura igualitária e anticristã. A Igreja Católica foi banida, os bispos processados e condenados a penas infamantes, e os sacerdotes passaram a exercer seu ministério na clandestinidade.

Ficou apenas uma chamada Igreja Ortodoxa, presidida por um chefe conhecido como Patriarca de Moscou e alguns religiosos que o acompanhavam.

O Patriarcado de Moscou ainda existe e se manifesta, mas sempre funcionou como um instrumento do poder político e, no período comunista, foi mais um esquema a serviço da pior ditadura da história.

Por isso, Santa Faustina sofria intensamente pela Rússia “essa nação que expulsou Deus de suas próprias fronteiras!”





A falsa misericórdia: estrada de concessões

e pactos com o mundo que levam ao inferno


Urna e relíquia de Santa Faustina. Santuário da Divina Misericórdia, Cracóvia, Polônia.
Urna e relíquia de Santa Faustina.
Santuário da Divina Misericórdia, Cracóvia, Polônia.
As advertências que Nosso Senhor fez a Santa Faustina não tinham outro objetivo senão o de sensibilizar as almas para implorarem a Divina Misericórdia que transborda de seu Coração Sacratíssimo sem que as pessoas A queiram aproveitar.

Nosso Senhor manifesta em numerosas ocasiões que suscitou a vocação de Santa Faustina para revelar os insondáveis tesouros da sua Misericórdia e tirar os homens do mau caminho.

Para se entender a imensa importância da devoção à Divina Misericórdia, Deus quis que Santa Faustina fosse a sua transmissora.

Mas a Divina Misericórdia não encontra eco nas almas que dela devem se beneficiar e que Nosso Senhor mais quer, em virtude de um sem-número de deformações ou defeitos.

Além dos pecados formais, há um obstáculo insidioso e muito danoso à saúde espiritual dos homens: a deformação do próprio conceito de misericórdia e de sua aplicação ao apostolado.

Desse abuso da misericórdia, que hoje infelizmente tenta se espalhar com diversos sofismas, escreveu o grande doutor da moral católica, Santo Alfonso Maria de Ligório:

“Pode ser que haja no meio de vós, meus irmãos, alguém que se encontre com a alma carregada de pecados e que – longe de pensar em se livrar deles pela confissão e pela penitência – não cessa de cometer novos pecados, sobrecarregando-se ainda mais.
“Este certamente abusa da misericórdia divina; pois, a que fim nosso Deus tão bom deixa que este pecador viva, senão para que se converta e, em consequência, escape da desgraça de perder a sua alma?”
(Sermons de S. Alphonse de Liguori, Analyses, commentaires, exposé du système de sa prédication, par le R.P. Basile Braeckman, de la Congrégation du T. S. Rédempteur, Tome Second. Jules de Meester-Imprimeur-Éditeur, Roulers, pp. 55-60, apud Revista Catolicismo, número 572, agosto/1998, página 37)

Tentando enganosamente tornar mais fácil a prática da moral, a misericórdia manipulada com abuso pretende pôr os costumes católicos mais de acordo com o mundo pecador.

Ela quereria apresentar a religião como não é: como uma via coberta de flores e facilidades para os pecadores empedernidos, mas enganados. Na realidade, agindo assim, leva-os anestesiados para a perdição eterna.

A estrada para o inferno aparece enganosamente fácil e divertida
Afresco na igreja de Andahuaylillas, Peru.
Nosso Senhor fez que Santa Faustina visse o engano dessa falsa estrada e o denunciasse a todos.

Estradas que conduzem ao inferno e ao Céu

“Um dia eu vi duas estradas: uma estrada larga, coberta de areia e flores, cheia de alegria, música e vários passatempos.

“As pessoas andavam por essa estrada dançando e se divertindo. E assim chegam até o fim sem perceberem que acabou.

“No final dessa estrada havia um espantoso precipício, isto é, o abismo do inferno. As almas caíam cegamente naquela voragem, assim que iam chegando e se precipitavam dentro.

“E era um número tão grande, era impossível contá-las.

“E eu vi uma outra estrada, ou melhor, uma senda, porque era estreita e cheia de espinhos e pedras, e as pessoas que caminhavam por ela tinham lágrimas em seus olhos e estavam cheias de dores.

“Algumas caíam sobre as pedras, mas se levantavam imediatamente e prosseguiam.

“E no final da estrada havia um estupendo jardim cheio de toda forma de felicidade e todas essas almas entravam nele. Imediatamente, desde o primeiro instante, esqueciam as suas dores” (páginas 82-83).

Visão do inferno: Nosso Senhor manda escrever o que viu

Durante os exercícios espirituais de oito dias, em 20 de outubro de 1936, a Santa relatou ter descido ao inferno por expressa vontade de Deus para contar o que ali assistiu:

“Hoje, sob a orientação de um anjo, eu estive nos abismos do inferno. É um lugar de grandes tormentos em toda a sua extensão assustadoramente grande.

“Estas são as várias penas que eu vi:

“A primeira pena constitui o inferno e é a perda de Deus;

“a segunda, os constantes remorsos de consciência;

“a terceira, a consciência de que esse destino nunca vai mudar;

“a quarta pena é o fogo que penetra na alma mas não a aniquila; é um terrível castigo: é um fogo puramente espiritual, aceso pela ira de Deus;

“a quinta pena é a escuridão contínua, um horrível fedor sufocante e, embora seja tudo escuro, os demônios e as almas condenadas se veem entre si e veem todo o mal dos outros e o próprio;

“a sexta pena é a companhia constante de Satanás;

Queda no inferno. Detalhe do tríptico de
Hans Memling (1430 - 1494)
“a sétima pena é o tremendo desespero, o ódio a Deus, as pragas, as maldições, as blasfêmias.

“Estas são as punições que todos os condenados sofrem juntos, mas este não é o fim dos tormentos. Existem tormentos especiais para diferentes almas, que são os tormentos dos sentidos.

“Cada alma é atormentada de uma maneira terrível e indescritível por onde pecou. Há cavernas horríveis, voragens de tormentos, onde cada tortura é diferente da outra.

“Eu teria morrido à vista daquelas horríveis torturas, se não me sustentasse a onipotência de Deus.

“Que o pecador saiba que será torturado durante toda a eternidade pelo sentido com o qual peca.

“Eu escrevo isso por ordem de Deus, de modo que nenhuma alma se justifique dizendo que o inferno não existe, ou que ninguém nunca foi, ou que ninguém sabe como ele é.

“Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nas profundezas do inferno, com a finalidade de contar às almas e dar testemunho de que o inferno existe.

“Eu não posso falar sobre isso agora. Tenho ordens de Deus para deixá-lo por escrito.

“Os demônios mostraram um grande ódio contra mim, mas por ordem de Deus tinham que me obedecer.

“O que eu escrevi é uma pálida sombra das coisas que eu vi. Uma coisa que notei, é que a maioria das almas que estão lá, são almas que não acreditavam que havia um inferno.

“Quando voltei a mim, não conseguia me recuperar do susto pensando que lá as almas sofrem tão terrivelmente, por isso eu rezo com mais fervor pela conversão dos pecadores, e invoco incessantemente a Misericórdia de Deus para eles.

“Ó meu Jesus, prefiro agonizar até o fim do mundo nas maiores torturas, do que Vos ofender com o menor dos pecados” (páginas 276-277).

Também em Fátima, Nossa Senhora fez ver o inferno aos pastorzinhos. Durante a terceira aparição, em 13 de julho de 1917, segundo a irmã Lúcia:

“(...) abriu de novo as mãos como nos dois meses passados. O reflexo [de luz que elas expediam] pareceu penetrar a terra e vimos como que um grande mar de fogo e mergulhados nesse fogo os demônios e as almas como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados — semelhante ao cair das fagulhas nos grandes incêndios — sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizavam e faziam estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa”. Concordância com Fátima

Sobre a Justiça, inseparável da Misericórdia

No dia 1º de novembro de 1937, depois das Vésperas, as freiras fizeram a procissão habitual ao cemitério para visitar e rezar no túmulo das religiosas falecidas.

Santa Faustina conta:

“Eu não podia ir porque estava na função de porteira, mas isso não me impediu de rezar por aquelas almas queridas.

“Quando a procissão do cemitério voltou para a capela, a minha alma sentiu a presença de muitas almas. Eu entendi a grande justiça de Deus e como cada um tem que pagar até o último centavo” (p. 457).









A era futura, ou ‘Reino de Maria’,

virá pela Divina Misericórdia


Divina Misericórdia, quadro em Vilnius.
Divina Misericórdia, quadro em Vilnius.
Em fevereiro de 1938, Sana Faustina ouviu estas palavras:

— No Antigo Testamento, Eu enviei os profetas com raios a meu povo. Hoje eu te envio a toda a humanidade com a Minha Misericórdia. Eu não quero punir a humanidade doente, mas desejo curá-la e estreitá-la junto a meu Coração misericordioso.

Eu uso os castigos só quando elas mesmas me forçam a isso; Minha mão segura a contragosto a espada da justiça. Antes do Dia da Justiça enviarei o Dia da Misericórdia” (p. 522).

O glorioso “Dia da Misericórdia” não pode ser entendido como uma jornada ou evento passageiro na História, mas como toda uma era. Essa poderá durar séculos, dependendo da fidelidade ou da recusa dos homens à Misericórdia Divina.

Em Fátima, Nossa Senhora acenou para essa época na terceira aparição, acima citada, de 13 de junho de 1917:

“Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”. Concordância com Fátima

O Coração Misericordioso de Jesus e o Coração Imaculado de Maria fazem como que um só coração na hora de interceder pela salvação dos homens.

Em La Salette, Nossa Senhora previu que em meio à manifestação da cólera divina – tantas e tantas vezes anunciada, inclusive por Santa Faustina – os homens criariam juízo e implorariam a âncora da salvação: a Divina Misericórdia.

“Os justos sofrerão muito. Suas orações, sua penitência e suas lágrimas subirão até o céu e todo o povo de Deus pedirá perdão e misericórdia. E pedirá minha ajuda e intercessão.

“Jesus Cristo, por um ato de sua justiça e de sua grande misericórdia em relação aos justos, ordenará a seus anjos que dêem morte a todos os seus inimigos.

“De repente os perseguidores da Igreja de Jesus Cristo e todos os homens entregues ao pecado perecerão, e a Terra tornar-se-á como um deserto”.

“Após isso as nações se converterão, a fé se reacenderá por todo lado”. Ver : ‘intervenção dos anjos e triunfo inaudito da Igreja’

Mélanie, vidente de La Salette, também parecia temer uma má interpretação da misericórdia quando confidenciou por que não falou mais do que viu a respeito das palavras de Nossa Senhora acima:

“Porque contém tais segredos da misericórdia divina. Conhecendo-os, os homens, em lugar de rezar para conjurar os acontecimentos, terão pressa de vê-los chegar a fim de poder gozar mais cedo o triunfo inaudito da Igreja”. (id. ibid.)

Juízo Final. Hans Memling (1430 - 1494), Muzeum Narodowe, Gdansk.
Juízo Final. Hans Memling (1430 - 1494),
Muzeum Narodowe, Gdansk.
Essa época futura que se aproxima – “triunfo de Meu Imaculado Coração” (Fátima), “triunfo inaudito da Igreja” (La Salette) – será o grande “Dia da Misericórdia” anunciado por Nosso Senhor através de Santa Faustina.

A devoção à Divina Misericórdia e o fim do mundo

A devoção à Divina Misericórdia, de que Santa Faustina é a mensageira, tem uma dimensão escatológica acenada várias vezes por Nosso Senhor: preparação para a segunda vinda d’Ele.

Após a época mencionada como “Dia da Misericórdia” virá o fim do mundo, conforme não só as Escrituras, mas também o anunciado mais de uma por Nossa Senhora em La Salette.

“Escreve isto: antes de vir como justo Juiz, venho como Rei da Misericórdia. Antes da chegada do dia da justiça, será dado aos homens este sinal no céu: apagar-se-á toda luminária no céu e haverá uma grande escuridão sobre toda a Terra.

“Então aparecerá no céu o sinal da cruz, e dos furos por onde entraram os pregos nos pés e nas mãos do Salvador sairão grandes luzes que iluminarão o chão por algum tempo. Isso acontecerá pouco antes do último dia” (p. 44).

E ainda em maio de 1935:

“Certa feita, quando em vez da oração interior eu tinha começado a ler um livro espiritual, ouvi no íntimo estas palavras de modo claro e forte:

— Prepararás o mundo para a Minha última vinda.

“Essas palavras me impressionaram profundamente e, embora eu fingisse não ouvi-las, entendia bem e não tinha dúvida alguma a seu respeito” (páginas 177-178).

A prática da verdadeira devoção à Divina Misericórdia precederá o Fim dos Tempos

No dia de Natal de 1936, enquanto rezava o terço da Divina Misericórdia, Santa Faustina de repente ouviu uma voz:
Juízo Final, detalhe, Fra Angelico  (1395 – 1455). Gemäldegalerie, Berlim.
Juízo Final, detalhe, Fra Angelico  (1395 – 1455).
Gemäldegalerie, Berlim.
— Oh! que grandes graças concederei às almas que recitem este terço: as entranhas da Minha Misericórdia se enternecem em favor daqueles que recitam esse terço.

Escreve estas palavras, minha filha, fala ao mundo da Minha Misericórdia. Que a humanidade toda conheça a Minha insondável misericórdia.

Este é um sinal para o fim dos tempos, após o qual virá o dia da justiça.

Enquanto há tempo recorram à fonte da Minha misericórdia, aproveitem o Sangue e a Água derramado por eles.

“Ó almas humanas, onde encontrareis abrigo no dia da ira de Deus?, acrescenta a Santa. Correi agora para a fonte da misericórdia de Deus. Oh, que grande número de almas eu vejo! Eu vejo que adoraram a misericórdia de Deus e cantarão o hino de glória na eternidade” (p. 309).

Obviamente, para ser conhecida como merece, essa excelsa devoção deverá se espalhar e ser aprofundada em toda sua imensa dimensão. O que requererá toda uma época histórica e inumeráveis almas a ela consagradas.

Sem os eleitos o mundo não terá quem o sustente

Tudo um dia tem seu fim. Também a história dos homens. No Diário, Santa Faustina registrou em 9 de fevereiro de 1937, durante os dias do carnaval:

“Nos últimos dois dias do carnaval, eu conheci uma quantidade enorme de penas e pecados. Num instante o Senhor fez-me conhecer os pecados cometidos no mundo inteiro nesse dia.

“Eu desmaiei de medo, e embora conheça o abismo da Divina Misericórdia, fiquei surpresa de que Deus mantenha a humanidade na existência. E o Senhor me deu a conhecer quem é que sustenta a humanidade na existência: são as almas escolhidas.

“Quando se completar o número dos eleitos, o mundo deixará de existir.

“Durante dois dias, recebi a Sagrada Comunhão reparadora e disse ao Senhor:

— Jesus, hoje eu ofereço tudo pelos pecadores; que os golpes de Tua justiça se abatam sobre mim e o mar da Misericórdia envolva os pobres pecadores.

Santa Maria Faustina Kowalska.
Santa Maria Faustina Kowalska.
“E o Senhor ouviu a minha prece. Muitas almas se voltaram ao Senhor, enquanto eu agonizava sob o peso da justiça de Deus. Eu me sentia alvo da ira do Altíssimo” (páginas 352-353).

A mensagem de Santa Faustina

Falecida em 5 de outubro de 1938, Santa Faustina Kowalska foi incumbida de uma missão que humanamente falando não chegou a ver.

Nosso Senhor chegou a lhe falar de uma Ordem religiosa que ela deveria fundar para pregar a Divina Misericórdia e instalar o triunfo de Nosso Senhor no mundo. Ela até viu pormenores da vida e da obra dessa instituição.

Mas, apesar de seus ingentes esforços, não chegou a fundá-la. No fim da vida, quando a morte se avizinhava de modo incoercível, ela se queixou docemente a Nosso Senhor a respeito dessa Ordem, que Ele próprio lhe havia encomendado.

E a Divina Misericórdia lhe deu uma resposta desconcertante e misteriosa: que não se preocupasse com isso, pois arranjaria tudo.

Os imensos atos de virtude da grande santa polonesa contribuíram sem dúvida como pedra fundacional para o aparecimento vindouro dessa instituição.

E quando ela vier à luz, então se compreenderá toda a dimensão da vocação de Santa Faustina.

Talvez isso possa acontecer em meio aos generalizados mas salvíficos cataclismos que precederão o grande triunfo da Divina Misericórdia no mundo, vencendo a impiedade revolucionária e as falsificações da misericórdia que devastam as almas.

FIM

(Fonte: Santa Maria Faustina Kowalska, Diario — La Misericordia divina nella mia anima, Libreria Editrice Vaticana, Città del Vaticano, 2001, 8ª ed., 727 páginas. Nihil Obstat: Ignacy Rozycki, Cracóvia, 17.V.1979. Imprimatur: Virgilius Card. Noè, Vigário Geral da Cidade do Vaticano, 10.X.1999.)






10 comentários:

  1. jesus me perdoe, meu coraçao sente dor e desespero, minha alma treme e sofre por saber quantos pecados cometi contra vos

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    1. tenha certeza que só o fato de você se sentir arrependido o Senhor Jesus já colocou você a Sua direita.

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    2. É por isso mesmo que Jesus Cristo morreu na Cruz, para poder perdoar os teus pecados, para todos aqueles que se arrependem e chegam confiadamente no Trono da Graça. Confissão com arrependimentos dos pecados e desejo de conversão de vida, é a fórmula para ganharmos a Misericórdia de Deus! Jesus eu confio em Vós. Amém!

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  2. Nossa eu sou fã inconteste deste BLOG! Mil vezes parabéns! Que Deus te cumule de bênçãos e que Ele derrame as Suas Graças em abundância sobre você e toda a tua família! Continue neste espinhoso caminho de Evangelização num mundo cada vez mais pagão e secular! Louvado seja Nosso Senhor JESUS CRISTO, para sempre seja Louvado!

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  3. AGRADEÇO A TODOS PELA BOA VONTADE DE INFORMAR AOS QUE BUSCAM CONHECER MELHOR A TUDO O QUE É CELESTE. JUNTEMOS AS NOSSAS VOZES E LOUVEMOS O NOSSO CRIADOR E REDENTOR. AMÉM !

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  4. Angela
    Estou amando ler as mensagens de Santa Faustina.

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  5. santa faustina....que lindo exemplo!!!!COMO EU AMO jesus a cada dia mais e mais!!!gloria a vos senhor!!!!!!!!!!!!

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  6. Que Deus é a Santíssima Virgem nos deem a Graça de persistir até o fim !!!! Louvado Seja Nosso Senhor jesus Cristo: Para sempre seja louvado. Amém
    Agradeço muito a todos os que fazem este site e divulgam as mensagens de Santa Faustina. Obrigado.

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  7. Aqui está uma "obra" sobre a Igreja Católica que merece ser conhecida e apreciada. Os assuntos prementes e fidedignos, narrados de modo a que o leitor esteja plenamente informado (dado que paralelamente surgem acontecimentos de outras épocas, igualmente fidedignos) e que nos levam a refletir sobre o grande amor de Deus pelo homem, mesmo quando este O despreza. Penso que prestais um grande serviço à Igreja. Que Jesus Cristo e a Virgem Santa Maria vos protegem sempre.

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  8. Que grande presente de Deus para nós,conhecer a vossa infinita misericórdia através desta serva fiel,santa Faustina,rogai por nós.

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